Onde se respira música.

12/08/2018

"Lost & Found": Jorja Smith exala amor e desilusão em seu debut

 

Em 2016, a cantora Jorja Smith lançou o EP "Project 11", e no mesmo ano participou do disco "More Life" do rapper canadense Drake, na faixa de ritmo dançante e africano "Get It Together". Inclusive a cantora saiu em turnê com o rapper. Se naquele ano a cantora britânica se mostrava uma promessa, já em 2018, Jorja se mostrou realizada ao participar da trilha do filme "Pantera Negra", com a ótima canção "I Am", de curadoria de Kendrick Lamar.

Agora em junho, Jorja nos brindou com o excelente "Lost & Found", disco que é puro R&B e que mostra a voz da britânica como um show à parte.

Jorja se mostra tão à vontade que parece ter anos de carreira, e até nos esquecemos que se trata de um debut. Nesse sentido não há exemplo maior que "Teenage Fantasy”, canção sobre uma desilusão amorosa que deve se tratar de experiências da própria cantora em sua juventude ainda recente – vale lembrar que a britânica possui somente 21 anos. No final da canção, Jorja ri e sussurra algumas palavras, mostrando-se plena diante do que fez e do que é capaz.

A tônica do álbum quanto às letras pode ser resumida entre dar e receber, “se perder e se achar”, cair e levantar, e assim por diante. A serenidade e doçura ao cantar “February 3rd” mostra isso. O piano de introdução em “On Your Own” dá espaço para uma bateria e uma Jorja que mais parece uma nova Rihanna, mas com um sotaque britânico, que faria até a princesa de Barbados querer interpretá-la.
“The One” é um contraponto ao álbum, que em quase todos os momentos não conta com muitos elementos acrescentados aos arranjos, deixando assim, todos os holofotes na voz da cantora. A canção contém uma orquestração que caminha em paralelo com Jorja, onde se interdependem, o que torna a faixa muito acima da média.

Mas nada nesse registro se compara a “Blue Lights”. Jorja toca na ferida. A questão racial é retratada, o medo pela injustiça é escancarado, e enquanto a cor da pele for passível de julgamento, então a segregação racial continuará existindo. Já os falsetes em “Goodbyes” e, principalmente, “Tomorrow”, revelam a versatilidade de Jorja, capaz de cantar das mais variadas formas e em diversos ritmos.
E para fechar, a balada ao piano, “Don’t Watch Me Cry”, lembra Adele em seus melhores momentos na carreira.

Em suma, são inevitáveis as comparações e referências diante da doçura no timbre de Jorja: Lauryn Hill, Amy Winehouse e outras grandes vozes femininas das duas últimas décadas ficariam orgulhosas.

Share:

Tradução

Feed

Digite seu email abaixo:

Instagram

Twitter