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21/07/2018

Um ano sem Chester Bennington

Há exato um ano perdíamos a inigualável voz de Chester Bennington, do Linkin Park, para a depressão. Isso se torna mais sombrio ao se lembrar que o suicídio se deu por enforcamento e na data de aniversário de seu amigo, Chris Cornell, que também se suicidou por enforcamento em maio de 2017.



Não é exagero dizer que o Linkin Park foi uma banda que marcou toda uma geração. Conheci a banda - tardiamente, diga-se - através de uma novela global, em 2003. Naquela época, conhecer uma banda de reconhecimento mundial já poderia ocorrer de N maneiras, mas eu, ainda com 10 anos, conheci o som da grande banda de Nu Metal daquele momento em uma novela (!!!), algo completamente inimaginável em 2018, ainda mais com o advento do streaming e a baixa exposição do rock na TV. Durante uma cena de perseguição de carro, surge o arranjo de "Faint". Nada poderia me prender mais que aquilo.

Quinze anos se passaram. Muita coisa mudou. O Linkin Park mudou - felizmente. O debut Hybrid Theory [2000], Meteora [2003] e a energia do Live In Texas [2003] são a época de ouro, enquanto Minutes to Midnight [2007] foi a ponte para as mudanças sonoras que ocorreram com A Thousand Suns [2010] - o mais experimental da discografia, e Living Things [2012] - o mais eletrônico. Se a sonoridade mudou da água pro vinho, as letras sempre revelaram um Chester que vivia numa batalha interna desde o início da carreira. "Numb", o maior sucesso da banda, se trata de uma rejeição e isolamento explícitos. "Breaking The Habit" retrata a luta crescente contra a dependência química, enquanto "From The Inside" descreve o total desprezo de si.

Apesar de sempre notável, a luta diária de Chester se tornou mais evidente quando "One More Light", lançado em maio de 2017, trazia canções como Heavy ("I don't like my mind right now / Stacking up problems that are so unnecessary / Wish that I could slow things down / I wanna let go, but there's comfort in panic"), Nobody Can Save Me Now ("You tell me it’s alright / Tell me I’m forgiven / Tonight / But nobody can save me now) e Battle Symphony ("Blood on the floor / Sirens repeat / I've been searching for the courage / To face my enemies). Não importa se no dia a dia o vocalista parecia bem. Fato é que o pedido de ajuda sempre esteve nas entrelinhas.

Em suma, Chester passou cerca de duas décadas enfrentando seus demônios. Seu sofrimento foi o combustível para o sucesso do Linkin Park, e mesmo usando a música como refúgio de seus problemas, isso não foi suficiente para vencer a doença que tem feito tantos outros músicos vítima.

Mas a esperança de superação quem permanece por aqui continua a existir. No mês passado, Mike Shinoda, seu companheiro de quase duas décadas de grupo, lançou seu primeiro disco solo, apropriadamente intitulado Post Traumatic. Nele, Shinoda exala seu abatimento e simultaneamente mostra sinais de superação diante da grande perda do ano passado.

O ex-companheiro de banda Dave Farrell homenageou Chester:

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"Who cares if one more light goes out? Well, I do."
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