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17/12/2017

Novos horizontes: A reinvenção do QoTSA


Já é sabido que há muito Josh Homme e cia. abandonaram o stoner rock do início de grupo e principalmente da época do Kyuss. Mas impressiona a capacidade de Josh Homme de inovar a cada disco lançado. Se ...Like Clockwork, de 2013, soa pesado e soturno em vários momentos, o frontman dessa vez resolveu apostar em algo mais dançante. Mas, indo além, o vocalista conseguiu o equilíbrio num disco que não tem a veia mais pesada como um Songs for the Deaf, mas também não tem total apelo comercial.

Se os fãs mais extremistas podem não assimilar canções cheias de riffs dançantes como em "The Way We Used To" ou o arranjo de cordas na intro de "Feet Don't Fail Me", com uma letra totalmente pessoal de Josh ("I was born in desert, may 17 in '73 / When the needle hit the groove / I commenced moving / I was chasing what's calling me"), podemos dizer com toda certeza que o QoTSA angariou uma nova legião de fãs. A linha de baixo em "Domesticated Animals" é impecável, além dos arranjos de cordas.

"Fortress" tem a letra mais bem elaborada do disco, e não põe em questão os fracassos, pois eles já são esperados, mas sim o aprendizado e a superação (You're hardened like a fortress / You keep your feelings locked away / Is it easier? / Does it make you feel safe?). "Head Like A Haunted House" é provavelmente a menos inspirada, mas não descartável, com sua pegada garage e uma linha de baixo rápida. O quarteto de cordas e sax em "Un-Reborn Again" só reforçam a ideia de renovação no som do grupo.

Há uma considerável queda de qualidade com "Hideaway", mas que logo é reparada com "The Evil Has Landed", a canção do disco que mais representa o espírito do grupo nesses quase vinte anos de carreira, com um ótimo riff de guitarra, mudanças de ritmo e diversos efeitos na guitarra.

E, para fechar, a faixa-título, que tem a intro de baixo inspirada em "Walk on the Wild Side", de Lou Reed. A canção já havia sido executada em 2014 de forma acústica. É uma canção que poderia muito bem estar em ...Like Clockwork por conta de seu lado sombrio.

Outro ponto de destaque no álbum é o visual: desde o álbum anterior a banda apostou forte num apelo visual de capa e encarte, e dessa vez não foi diferente. Para isso contaram com o trabalho do mesmo designer de ...Like Clockwork, Boneface.

No geral, a combinação QoTSA + Mark Ronson na produção se mostrou muito positiva, abrindo os horizontes da banda a tal ponto que não sabemos o que esperar nos próximos passos de Josh e cia.


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12/12/2017

De volta aos eixos: a retomada de Liam Gallagher


Desde o fim do Oasis, em 2009, os irmãos Gallagher vivem de alfinetadas - para não dizer ataques diretos - um ao outro através da imprensa. De lá pra cá, Noel começou a carreira solo com tudo, com um debut muito bem produzido e com um pop orquestrado, enquanto Liam fundou o Beady Eye, com seus parceiros ex-Oasis. No entanto, Liam nunca demonstrou propriedade com o grupo, com os discos Different Gear, Still Speeding (2011) e BE (2013), que refletem um momento não tão inspirado do Gallagher caçula.

Oito anos após o término do Oasis, Liam finalmente estreia a carreira solo, e As You Were é quase um renascimento na carreira do músico. Nele, Liam sabe adicionar peso as canções quando necessário, mas também sabe usar e abusar de um som mais acústico.

"Wall of Glass" é de longe uma das melhores composições de rock recentes, com a linha de baixo e gaita como destaques, além de guitarras estridentes, e com a canção sendo o primeiro single lançado. O contraste entre o rock e o acústico já é mostrado na sequência, com "Bold" e "Greedy Soul", acústica e mais rock, respectivamente. A última conta novamente com uma linha de gaita que valoriza ainda mais a canção.

"Paper Crown" é daquelas que não viram single, mas tem tanto valor quanto, com uma letra bem elaborada e refrão melhor ainda ("'Cause you've never been alone before / And the wolf is at the door"). "For What It's Worth", terceiro single do disco, evidencia mais uma vez a tradição dos Gallagher de escancarar suas influências em suas canções. Dessa vez a influência clara é Nina Simone em "Don't Let Me Be Misunderstood" ("In my defence all my intentions were good / And heaven holds a place somewhere for the misunderstood").

Mais uma vez o lado acústico se sobressai com "When I'm In Need", além de contar com um grande arranjo, que pode ser notado não só nessa canção, mas como uma qualidade em todo o disco. "You Better Run" é a que mais foge da proposta do disco, com um riff de guitarra que possui um pé no country somado ao sax e backing vocals.

Mas "Chinatown", segundo single lançado, ofusca qualquer outra canção no debut. Cadenciada e com um riff sem mudança de ritmo em momento algum, a canção se torna única com esses fatores se aliada a uma letra que, se não é uma das mais inspiradas da história, ao menos cativa com todas as suas rimas. "Come Back to Me" é outro single, e outra que tem toda uma veia rock e talvez o melhor riff do disco.

No geral, As You Were faz Liam voltar aos trilhos e pela primeira vez se encontrar sem o irmão Noel, mesmo que, para esse disco de estreia, o caçula tenha tido várias ajudas nas composições. Resta saber se ela conseguirá manter a qualidade durante sua carreira solo.



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