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10/11/2017

"A Gente Mora no Agora": A nova caminhada de Paulo Miklos


Desde que anunciou sua saída dos Titãs em 2016, Paulo Miklos veio se dedicando ao seu terceiro disco solo, "A Gente Mora no Agora". Parte da essência dos Titãs, Miklos em sua carreira solo vai na contramão da proposta do grupo que o trouxe a fama. O contraste é dos melhores. "A Gente Mora no Agora", o primeiro disco em dezesseis anos, reforça a pluralidade de um artista ímpar para a música brasileira.

Cheio de contribuições de artistas como Emicida, Nando Reis, Arnaldo Antunes e Erasmo Carlos, além do grande Pupillo da Nação Zumbi na produção, "A Gente..." contém uma brasilidade acima da média, com a inclusão de elementos como frevo, o samba e a MPB. O disco é também reflexo dos percalços pelo qual Paulo Miklos passou nos últimos anos, com as mortes dos pais e esposa.

A adição de instrumentos de sopro na faixa inicial, "A Lei Desse Troço", em parceria com o rapper Emicida, dão um toque autêntico, enquanto "Vigia" mostra a proximidade que o multinstrumentista tem com o samba. Em 2015, Paulo interpretou a lenda Adoniran Barbosa no curta "Dá Licença de Contar".

Miklos incorpora seus desejos em "Risco Azul" (Em minha caneta tem / Toda a saudade que me vem
Nos dias vazios / Que eu não posso desenhar / Os caminhos de nós dois). "Vou Te Encontrar" é hit instantâneo. Em parceria com Nando Reis, a letra e melodia se destacam no álbum. "Todo Grande Amor" é um retrato das provações por qual toda paixão passa. "País Elétrico" tem como notória a contribuição de Erasmo Carlos, principalmente em sua sonoridade.

O amor é o alicerce pra vida em "Estou Pronto", uma das canções mais belas da carreira solo de Miklos. "Princípio Ativo" cativa por sua orquestração em conjunto com o vocal doce da Céu. O ex-titã mostra mais uma vez o dom que tem como letrista ao abusar da aliteração em canções como "Afeto Manifesto" (Coração na liderança / Avança, alcança, abraça sua causa / Somos asa, somos casa, a gente junto é brisa, é brasa) e "Eu Vou" (Eu vou / Eu vou, eu vou / Eu vou / Eu vim pro mundo pra viver). O frevo toma conta em "Deixar de Ser Alguém", em parceria com Arnaldo Antunes, com uma letra reflexiva e o dilema entre sucesso e felicidade.

Paulo Miklos teve a capacidade de manter a sua essência apesar das inúmeras participações no álbum, não se deixando levar pelo estilo de qualquer artista convidado, mantendo a identidade própria de sua carreira.


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07/11/2017

"Sinais do Sim": O novo disco do Paralamas em oito anos

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Foram necessários oito anos para que os Paralamas voltassem com tudo! Se a produção já não é frequente como nos anos 80 e 90, ao menos o trio ainda compõe com excelência. "Sinais do Sim" sucede "Brasil Afora", lançado em 2009.

Herbert, Bi Ribeiro e João Barone deixam claro o quanto ainda estão em sintonia já na faixa-título, e que abre o disco, "Sinais do Sim", uma canção cheia de positividade. O riff de Herbert se destaca, além de seus solos virtuosos. Cheia de groove e com os metais característicos nas mais de três décadas de banda, "Itaquaquecetuba" cativa pelo seu trava-língua, enquanto "Medo do Medo" conquista o ouvinte pela sua letra com o medo como força motriz da vida e seu clima soturno.

"Não Posso Mais" e "Teu Olhar" são mostras das melhores nos últimos anos da capacidade na composição lírica de Herbert, que já nos brindou com tantos hits em todos esses anos. Essa última contando com uma orquestração um tanto incomum para a banda. Canções como "Cuando Pase El Temblor" e "Blow The Wind" reforçam o quão engajado Herbert sempre foi em se enveredar a cantar em outras línguas, como o fez nos anos 90 com "Trac Trac", por exemplo. A primeira canção é da banda Soda Stereo, que inclusive já teve a canção "De Musica Ligera" interpretada pelo Paralamas.

Em seguida vem "Corredor", cheia de camadas com a junção de piano e metais que representam a essência do som do trio desde os anos 80. O grupo segue um viés literário ao incorporar em "Olha A Gente Aí" um trecho do poema "Ó Sino da Minha Aldeia", de Fernando Pessoa. O dub tão conhecido e explorado em "Selvagem?", de 1986, volta na canção "Sempre Assim", com uma sensacional linha de baixo de Bi Ribeiro, pra fechar o álbum.

A consistência do grupo carioca impressiona. Se "Sinais do Sim" não inova nem surpreende, se mostra fiel a uma fórmula usada há décadas sem se tornar repetitivo, que ainda conta com o talento acima da média dos três músicos.


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