Onde se respira música.

29/10/2017

Dez motivos para crer que "Abbey Road" é a obra-prima definitiva dos Beatles




 https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/4/42/Beatles_-_Abbey_Road.jpg

Magnum opus: expressão que vem do latim, e significa grande obra, ou seja, a obra-prima de um artista.

Muito se fala da qualidade e relevância dos Beatles para a música. Mas quando se trata de obra-prima, a quase unanimidade citada é o "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", disco que representou toda uma mudança de vida para o quarteto de Liverpool, que largavam a imagem pop que foi reforçada com a Beatlemania desde 1962. "Sgt. Pepper's" representou 1967, o verão do amor, e uma mudança de comportamento social.

Mas o foco não será esse disco, e sim "Abbey Road", aquele que pode ser o único disco dos Fab Four que realmente destronou "Sgt. Pepper's". Eis aqui os motivos para tal:

1. O experimentalismo

Desde meados de 60, o grupo tomou novos rumos e canções e discos experimentais foram compostos aos montes. Em "Abbey Road", canções como "Because" e "I Want You" deixam essa busca por novos sons bem clara.

2. Os hits

O disco, assim como todos os álbuns dos Beatles, não é recheado de hits, mas tem as notáveis "Come Together" e "Something" que já valem o play.

3. O auge criativo de George

George Harrison sempre foi o beatle subestimado. Se não se igualava a Lennon e McCartney em quantidade de composições, sempre que se enveredava por esses caminhos não desapontava. Mas em "Abbey..." Harrison supera todas as expectativas. "Something" e "Here Comes The Sun" são duas das melhores canções do grupo, e com elas o álbum tem um salto de qualidade, sobretudo com a melodia de "Here Comes...".

4. O baixo de Paul
 
É inegável o talento de Paul McCartney com as quatro cordas, mas no "Abbey Road" ele se sobressai. O baixo é um espetáculo a parte, e a harmonia em todas as canções é de chocar até os mais céticos em relação ao grupo.

5. A vez de Ringo

Em quase uma década produzindo, foram poucas as vezes que Ringo pôde tomar a frente. Onze canções cantando, para ser mais exato. Mas "Octopus's Garden" é brilhante. Não à toa que ela é citada em "The Masterplan", do Oasis.

6. O talento em meio ao caos

Durante a produção do álbum, os desentendimentos eram constantes, o que torna o resultado do disco ainda mais relevante. O relacionamento entre John Lennon e Yoko Ono já traziam conflito para o grupo. Mas obras-primas em meio a conflitos são constantes, vide "Rumours" do Fleetwood Mac e vários discos do "Oasis".

7. A proposta do disco
 
A capacidade do quarteto nos pouco mais de 47 minutos de abranger vários estilos; de ser pop, psicodélico; de abusar dos mais variados elementos; de cadenciar em canções longas ("I Want You") e ao mesmo tempo ser tão virtuoso no medley final, é de aguçar até os ouvidos mais desatentos.

https://d1w5usc88actyi.cloudfront.net/wp-content/uploads/2012/01/abbey-road-2.jpg
A foto antes da foto
8. A capa e sua simbologia

A capa, assim como qualquer coisa produzida pelos Beatles, é icônica de tal maneira, que até hoje, quem passa pelo local sempre tenta reproduzir com a maior perfeição o clique feito por Iain Macmillan. Além das teorias que a foto traz até hoje, de que, um dos indícios da suposta morte de Paul em um acidente em 1966, e a continuidade da carreira através de um sósia, é de que na capa do "Abbey Road" é o único a estar descalço. Será?

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/71/The_End.jpg
The End

Share:

20/10/2017

The Killers - Wonderful Wonderful - Resenha

Após cinco anos a banda americana The Killers lançou o seu quinto álbum de estúdio, intitulado Wonderful Wonderful. O disco traz grandes influências dos anos 80, misturando a dance de David Bowie e o synthpop de Depeche Mode, com letras fortes de Brandon Flowers.

O quarteto de Las Vegas abre com a música mais sombria, a faixa-título, Wonderful Wonderful, que traz o baixo marcante de Mark Stoermer. A segunda faixa e primeiro single do disco é “The Man”. A canção tem um sintetizador carregado, característica marcante da banda principalmente em seus primeiros discos, e é uma das que evidenciam a influência de David Bowie, principalmente da música “Fame”.

O álbum continua com duas baladas, “Rut” e “Life to Come”, que nos mostra a evolução como compositor de Brandon Flowers. Elas falam do problema de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD) da mulher de Flowers, Tana Mumblowsky, que chegou a ter pensamentos suicidas, o que ainda é relatado em outras músicas do disco.

“Run for Cover” vem com um toque mais rock, com a guitarra de Dave Keuning nos lembrando de seus momentos em Hot Fuss. A música é uma composição antiga, feita originalmente para estar no álbum Day & Age, mas que não conseguiu ser finalizada a tempo para entrar no disco. “Run For Cover” e “The Man” são as únicas que podem trazer todo o potencial da banda ao vivo, enquanto as outras músicas devem ser pouco aproveitadas nos shows.

“Tyson vs. Douglas” é o ponto alto do disco. Em um primeiro momento você pode pensar que a música cita apenas à luta histórica entre Mike Tyson contra Buster Douglas, mas refletindo o momento em que Flowers a escreveu, é a grande prova de seu progresso como compositor. A letra pode ser interpretada como uma referencia de como sua esposa foi “nocauteada” pelo PTSD e como ela conseguiu dar a volta por cima.

O disco segue com outras duas baladas, “Some Kind of Love” eOut of My Mind”, que quebram o ritmo do álbum e acabam soando muito repetitivas, mas “Some Kind of Love” é mais uma das belas e tristes composições sobre o estado mental da esposa de Flowers. O vocalista traz versos em meio a uma lenta melodia que diz “Você não pode fazer isso sozinha/ Precisamos de você em casa/ Há muito o que ver/ Sabemos que você é forte”.

“The Calling” tem participação do ator Woody Harrison, que narra uma passagem bíblica que se refere ao chamado de Mateus para ser discípulo de Jesus. A música é a que contém mais sintetizador e lembra muito as músicas da fase synthpop do Depeche Mode ou do New Order.
O disco termina com a “Have All the Songs Been Written?”, que faz lembrar muito uma canção do Dire Straits, e não atoa, já que o próprio Mark Knopfler, guitarrista da banda, fez uma colaboração na faixa, mas a música não faz jus à participação, sendo mais outra balada que não empolga.

Wonderful Wonderful é melhor que seus antecessores, Battle Born (2012) e Day & Age (2008), mas traz pouca inovação musical para banda, usando elementos já muito explorados e de formas melhores anteriormente. Muito disso deve ter sido causado pelo afastamento do guitarrista Dave Keuning, que não participou da fase de produção do álbum, apenas gravou as músicas. Mas Brandon Flowers nos traz suas melhores composições, conseguindo traduzir em palavras, um momento muito delicado da vida de sua família.

O The Killers volta ao território nacional para tocar no Lollapalooza no dia 25 de Março de 2018.
Share:

Tradução

Feed

Digite seu email abaixo:

Instagram

Twitter