Onde se respira música.

19/08/2017

A infindável genialidade de Hans Zimmer


Após dar uma nova cara a trilogia Batman nos anos 2000, qualquer produção de Christopher Nolan é capaz de criar alta expectativa no público - Inception e Interstellar que o digam. A bola da vez em 2017 é Dunkirk. A hype foi tão grande que o resultado originou opiniões das mais distintas. Fato é que sua parceria de sempre com Hans Zimmer na trilha sonora é infalível. O compositor alemão nunca perde a mão, e em Dunkirk não foi diferente.

Se na sétima arte o filme e a trilha são co-dependentes, em Dunkirk, Hans é capaz de produzir uma trilha tão memorável que se torna independente. As composições são capazes de te ambientar com uma facilidade fora do comum, e te submergir dentro da Segunda Guerra, diante do caos e da falta de perspectiva de salvação. O desespero vem à tona.

A trilha é angustiante quando tem que ser, e suave mas não omissa quando é preciso, o que mostra um senso de Zimmer que é incomum para os outros compositores.

O filme em si já é uma experiência única, mas assistindo ou não, todo mundo deveria dar uma chance e ouvir a trilha oficial.Se ao ouví-la você não se sentir com a vida em risco e tendo que fugir em meio a bombardeios, provavelmente nada o fará sentir isso.



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06/08/2017

Rincon Sapiência: O resgate da essência do rap nacional

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Com uma longa estrada já percorrida, finalmente o rapper paulistano Rincon Sapiência, ou Manicongo, lançou em 2017 seu debut, após anos em vários grupos e singles lançados.

Em seu debut, Sapiência já mostra que veio pra ficar. Logo na faixa de abertura de "Galanga Livre", a intro que antecede "Crime Bárbaro", o rapper paulistano, em formato de rádio, esclarece o fato de o álbum ser baseado em um conto fictício de Danilo Albert Ambrosio sobre o escravo Galanga, que realiza uma fuga do engenho ao cometer um crime. Mas afinal, quem seria Daniel Albert Ambrosio? Trata-se do verdadeiro nome do rapper. E qual o objetivo de assinar o conto com seu próprio nome ao invés do nome artístico? Isso soa como uma tentativa de esclarecer que tornar explícito o abismo de classes, o racismo, entre outras coisas, pode ser feito por qualquer um... Poderia ser o João, o José, a Maria.

A inconformidade diante da sociedade fica evidente em músicas como "Vida Longa" ("Infelizmente Bolsonaros não é tipo raro"); o cotidiano do cidadão de bem é retratado de forma impecável em "A Volta pra Casa", diante da insegurança e das condições de vida ("O dia inteiro dando duro / Uma volta cansativa, ainda desce bem no ponto mais escuro / A violência subindo de nível") ou até da insegurança daqueles que são pagos para ser a proteção para a sociedade ("A violência na cidade tem se espalhado / Se isola mais ainda quem tem um carro blindado / Andando com cuidado, os passos apertados / Receio de sofrer abuso de um homem fardado").

Não somente pelas letras, Rincon se destaca pela mistura consciente de sons entre o trap, afrobeat e samba, como em "Namoradeira" e "Meu Bloco". "A Noite É Nossa" se mostra muito influenciada pelo primeiro disco solo do Mano Brown, "Boogie Naipe".

O orgulho de sua cor em "A Coisa Tá Preta" inspira, além de seu refrão pegajoso. O mesmo se aplica a "Ostentação À Pobreza", que assim como "A Volta Pra Casa" retrata o sofrimento de uma massa que passa por dificuldades diariamente, mas que é ignorada e vive num abismo com relação a elite.

Se nos últimos anos a essência do rap nacional tinha se perdido, Rincon Sapiência é a luz no fim do túnel para a luta pela igualdade que nunca terá fim.






Tracklist
01. Intro
02. Crime Bárbaro
03. Vida Longa
04. A Volta Pra Casa
05. Meu Bloco
06. Moça Namoradeira
07. A Noite É Nossa
08. Amores Às Escuras
09. A Coisa Tá Preta
10. Benção
11. Galanga Livre
12. Ostentação À Pobreza
13. Ponta de Lança (Verso Livre)






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