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12/07/2017

A ascensão meteórica do Fugees com "The Score"


Em meio ao auge do britpop com Oasis e Blur e o gangsta rap em evidência com 2pac, Notorious e Snoop Dogg, um trio despontou com um hip hop de uma sofisticação sem igual. Em 1996, o Fugees lançava "The Score".

Mais do que ser páreo duro para os artistas supracitados, Mrs. Lauryn Hill, Wyclef Jean e Pras Michel inovaram no gênero, sendo capazes de unir os mais variados estilos em cerca de uma hora de disco, contando com samples de nomes consagrados como Bob Marley (na releitura de "No Woman No Cry"), Roberta Flack ("Killing Me Softly With His Song"), The Temptations ("Zealots") e Afrika Bambataa ("The Score"). O formato de gravação lembra uma espécie de rádio, e a própria Lauryn Hill chegou a citar esse fato na época, recordando do clássico da opera rock "Tommy", do Who.

Em 1996, o Fugees vinha desacreditado após o fracasso de seu debut, "Blunted on Reality". Apesar disso, o trio recebeu um adiantamento para o lançamento de "The Score". Não deu outra! A confiança estabelecida fez surgir um clássico do gênero e dos anos 90.

O sotaque do haitiano Wyclef Jean em "How Many Mics", além dos versos ácidos de Lauryn Hill, como em "Ready or Not" ("So while you're imitating Al Capone / I'll be Nina Simone / And defecating on your microphone") deram um contraste como nunca se vira em qualquer grupo. O sucesso instantâneo "Killing Me Softly..." e a doçura na voz de Lauryn; a cadência de "Family Business" - com o violão sampleado de John Williams, vale lembrar; a reinterpretação de Mrs. Lauryn pra "Ooo La La La", de Teena Marie, é como se a líder do Fugees tivesse se empossado da música e a colocado em outro patamar.

Mais do que renovar o gênero ao condensar grandes sucessos e dar uma sonoridade diferente, o grupo foi capaz de, na faixa título, incluir samples de todas as outras músicas do próprio disco.

Fato é que "The Score" já nasceu clássico. É inegável seu sucesso e legado, ainda que não seja lembrado em todas as listas do gênero. A prova maior é que o disco, que foi a despedida do grupo, os catapultou para o sucesso, em especial Lauryn, que no ano seguinte alçou voos maiores em sua carreira solo, e Wyclef, que também iniciou carreira solo, mas estando desde então mais ativo como produtor.


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09/07/2017

As várias facetas de Criolo


Rápido e preciso. Em pouco mais de meia hora, Criolo foi capaz de mostrar que é possível se enveredar por outros caminhos sem se perder. Definitivamente "Espiral de Ilusão" é um dos grandes álbuns de 2017.

Composto de dez faixas de samba, o rapper - se assim se pode dizer nesse caso - usa de todos os elementos do gênero em grandes canções como "Menino Mimado", "Lá Vem Você" e "Filha do Maneco". Sagaz como sempre se pode ver, o cantor e compositor uniu a brasilidade do samba musicalmente falando com seu conhecimento de causa da periferia liricamente falando. Isso pode ser visto em "Cria de Favela", por exemplo: "Menino você não pode voltar / Porque a biqueira não é seu lugar / Quem vai lucrar com essa patifaria / É gente da alta na papelaria".

Não somente o talento de Criolo, mas a participação de grandes músicos foi fundamental no disco, como o coro feminino das Clarianas, além de Ricardo Rabelo no cavaco, responsável também pela composição de "Hora da Decisão" e "Filha do Maneco". A produção ficou por conta do renomado Daniel Ganjaman.

Fica a dúvida de quantas facetas pode haver do cantor, e até onde ele pode chegar, já que a qualidade é inegável, seja no rap ou samba.




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