Onde se respira música.

17/12/2017

Novos horizontes: A reinvenção do QoTSA


Já é sabido que há muito Josh Homme e cia. abandonaram o stoner rock do início de grupo e principalmente da época do Kyuss. Mas impressiona a capacidade de Josh Homme de inovar a cada disco lançado. Se ...Like Clockwork, de 2013, soa pesado e soturno em vários momentos, o frontman dessa vez resolveu apostar em algo mais dançante. Mas, indo além, o vocalista conseguiu o equilíbrio num disco que não tem a veia mais pesada como um Songs for the Deaf, mas também não tem total apelo comercial.

Se os fãs mais extremistas podem não assimilar canções cheias de riffs dançantes como em "The Way We Used To" ou o arranjo de cordas na intro de "Feet Don't Fail Me", com uma letra totalmente pessoal de Josh ("I was born in desert, may 17 in '73 / When the needle hit the groove / I commenced moving / I was chasing what's calling me"), podemos dizer com toda certeza que o QoTSA angariou uma nova legião de fãs. A linha de baixo em "Domesticated Animals" é impecável, além dos arranjos de cordas.

"Fortress" tem a letra mais bem elaborada do disco, e não põe em questão os fracassos, pois eles já são esperados, mas sim o aprendizado e a superação (You're hardened like a fortress / You keep your feelings locked away / Is it easier? / Does it make you feel safe?). "Head Like A Haunted House" é provavelmente a menos inspirada, mas não descartável, com sua pegada garage e uma linha de baixo rápida. O quarteto de cordas e sax em "Un-Reborn Again" só reforçam a ideia de renovação no som do grupo.

Há uma considerável queda de qualidade com "Hideaway", mas que logo é reparada com "The Evil Has Landed", a canção do disco que mais representa o espírito do grupo nesses quase vinte anos de carreira, com um ótimo riff de guitarra, mudanças de ritmo e diversos efeitos na guitarra.

E, para fechar, a faixa-título, que tem a intro de baixo inspirada em "Walk on the Wild Side", de Lou Reed. A canção já havia sido executada em 2014 de forma acústica. É uma canção que poderia muito bem estar em ...Like Clockwork por conta de seu lado sombrio.

Outro ponto de destaque no álbum é o visual: desde o álbum anterior a banda apostou forte num apelo visual de capa e encarte, e dessa vez não foi diferente. Para isso contaram com o trabalho do mesmo designer de ...Like Clockwork, Boneface.

No geral, a combinação QoTSA + Mark Ronson na produção se mostrou muito positiva, abrindo os horizontes da banda a tal ponto que não sabemos o que esperar nos próximos passos de Josh e cia.


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12/12/2017

De volta aos eixos: a retomada de Liam Gallagher


Desde o fim do Oasis, em 2009, os irmãos Gallagher vivem de alfinetadas - para não dizer ataques diretos - um ao outro através da imprensa. De lá pra cá, Noel começou a carreira solo com tudo, com um debut muito bem produzido e com um pop orquestrado, enquanto Liam fundou o Beady Eye, com seus parceiros ex-Oasis. No entanto, Liam nunca demonstrou propriedade com o grupo, com os discos Different Gear, Still Speeding (2011) e BE (2013), que refletem um momento não tão inspirado do Gallagher caçula.

Oito anos após o término do Oasis, Liam finalmente estreia a carreira solo, e As You Were é quase um renascimento na carreira do músico. Nele, Liam sabe adicionar peso as canções quando necessário, mas também sabe usar e abusar de um som mais acústico.

"Wall of Glass" é de longe uma das melhores composições de rock recentes, com a linha de baixo e gaita como destaques, além de guitarras estridentes, e com a canção sendo o primeiro single lançado. O contraste entre o rock e o acústico já é mostrado na sequência, com "Bold" e "Greedy Soul", acústica e mais rock, respectivamente. A última conta novamente com uma linha de gaita que valoriza ainda mais a canção.

"Paper Crown" é daquelas que não viram single, mas tem tanto valor quanto, com uma letra bem elaborada e refrão melhor ainda ("'Cause you've never been alone before / And the wolf is at the door"). "For What It's Worth", terceiro single do disco, evidencia mais uma vez a tradição dos Gallagher de escancarar suas influências em suas canções. Dessa vez a influência clara é Nina Simone em "Don't Let Me Be Misunderstood" ("In my defence all my intentions were good / And heaven holds a place somewhere for the misunderstood").

Mais uma vez o lado acústico se sobressai com "When I'm In Need", além de contar com um grande arranjo, que pode ser notado não só nessa canção, mas como uma qualidade em todo o disco. "You Better Run" é a que mais foge da proposta do disco, com um riff de guitarra que possui um pé no country somado ao sax e backing vocals.

Mas "Chinatown", segundo single lançado, ofusca qualquer outra canção no debut. Cadenciada e com um riff sem mudança de ritmo em momento algum, a canção se torna única com esses fatores se aliada a uma letra que, se não é uma das mais inspiradas da história, ao menos cativa com todas as suas rimas. "Come Back to Me" é outro single, e outra que tem toda uma veia rock e talvez o melhor riff do disco.

No geral, As You Were faz Liam voltar aos trilhos e pela primeira vez se encontrar sem o irmão Noel, mesmo que, para esse disco de estreia, o caçula tenha tido várias ajudas nas composições. Resta saber se ela conseguirá manter a qualidade durante sua carreira solo.



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10/11/2017

"A Gente Mora no Agora": A nova caminhada de Paulo Miklos


Desde que anunciou sua saída dos Titãs em 2016, Paulo Miklos veio se dedicando ao seu terceiro disco solo, "A Gente Mora no Agora". Parte da essência dos Titãs, Miklos em sua carreira solo vai na contramão da proposta do grupo que o trouxe a fama. O contraste é dos melhores. "A Gente Mora no Agora", o primeiro disco em dezesseis anos, reforça a pluralidade de um artista ímpar para a música brasileira.

Cheio de contribuições de artistas como Emicida, Nando Reis, Arnaldo Antunes e Erasmo Carlos, além do grande Pupillo da Nação Zumbi na produção, "A Gente..." contém uma brasilidade acima da média, com a inclusão de elementos como frevo, o samba e a MPB. O disco é também reflexo dos percalços pelo qual Paulo Miklos passou nos últimos anos, com as mortes dos pais e esposa.

A adição de instrumentos de sopro na faixa inicial, "A Lei Desse Troço", em parceria com o rapper Emicida, dão um toque autêntico, enquanto "Vigia" mostra a proximidade que o multinstrumentista tem com o samba. Em 2015, Paulo interpretou a lenda Adoniran Barbosa no curta "Dá Licença de Contar".

Miklos incorpora seus desejos em "Risco Azul" (Em minha caneta tem / Toda a saudade que me vem
Nos dias vazios / Que eu não posso desenhar / Os caminhos de nós dois). "Vou Te Encontrar" é hit instantâneo. Em parceria com Nando Reis, a letra e melodia se destacam no álbum. "Todo Grande Amor" é um retrato das provações por qual toda paixão passa. "País Elétrico" tem como notória a contribuição de Erasmo Carlos, principalmente em sua sonoridade.

O amor é o alicerce pra vida em "Estou Pronto", uma das canções mais belas da carreira solo de Miklos. "Princípio Ativo" cativa por sua orquestração em conjunto com o vocal doce da Céu. O ex-titã mostra mais uma vez o dom que tem como letrista ao abusar da aliteração em canções como "Afeto Manifesto" (Coração na liderança / Avança, alcança, abraça sua causa / Somos asa, somos casa, a gente junto é brisa, é brasa) e "Eu Vou" (Eu vou / Eu vou, eu vou / Eu vou / Eu vim pro mundo pra viver). O frevo toma conta em "Deixar de Ser Alguém", em parceria com Arnaldo Antunes, com uma letra reflexiva e o dilema entre sucesso e felicidade.

Paulo Miklos teve a capacidade de manter a sua essência apesar das inúmeras participações no álbum, não se deixando levar pelo estilo de qualquer artista convidado, mantendo a identidade própria de sua carreira.


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07/11/2017

"Sinais do Sim": O novo disco do Paralamas em oito anos

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Foram necessários oito anos para que os Paralamas voltassem com tudo! Se a produção já não é frequente como nos anos 80 e 90, ao menos o trio ainda compõe com excelência. "Sinais do Sim" sucede "Brasil Afora", lançado em 2009.

Herbert, Bi Ribeiro e João Barone deixam claro o quanto ainda estão em sintonia já na faixa-título, e que abre o disco, "Sinais do Sim", uma canção cheia de positividade. O riff de Herbert se destaca, além de seus solos virtuosos. Cheia de groove e com os metais característicos nas mais de três décadas de banda, "Itaquaquecetuba" cativa pelo seu trava-língua, enquanto "Medo do Medo" conquista o ouvinte pela sua letra com o medo como força motriz da vida e seu clima soturno.

"Não Posso Mais" e "Teu Olhar" são mostras das melhores nos últimos anos da capacidade na composição lírica de Herbert, que já nos brindou com tantos hits em todos esses anos. Essa última contando com uma orquestração um tanto incomum para a banda. Canções como "Cuando Pase El Temblor" e "Blow The Wind" reforçam o quão engajado Herbert sempre foi em se enveredar a cantar em outras línguas, como o fez nos anos 90 com "Trac Trac", por exemplo. A primeira canção é da banda Soda Stereo, que inclusive já teve a canção "De Musica Ligera" interpretada pelo Paralamas.

Em seguida vem "Corredor", cheia de camadas com a junção de piano e metais que representam a essência do som do trio desde os anos 80. O grupo segue um viés literário ao incorporar em "Olha A Gente Aí" um trecho do poema "Ó Sino da Minha Aldeia", de Fernando Pessoa. O dub tão conhecido e explorado em "Selvagem?", de 1986, volta na canção "Sempre Assim", com uma sensacional linha de baixo de Bi Ribeiro, pra fechar o álbum.

A consistência do grupo carioca impressiona. Se "Sinais do Sim" não inova nem surpreende, se mostra fiel a uma fórmula usada há décadas sem se tornar repetitivo, que ainda conta com o talento acima da média dos três músicos.


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29/10/2017

Dez motivos para crer que "Abbey Road" é a obra-prima definitiva dos Beatles




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Magnum opus: expressão que vem do latim, e significa grande obra, ou seja, a obra-prima de um artista.

Muito se fala da qualidade e relevância dos Beatles para a música. Mas quando se trata de obra-prima, a quase unanimidade citada é o "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", disco que representou toda uma mudança de vida para o quarteto de Liverpool, que largavam a imagem pop que foi reforçada com a Beatlemania desde 1962. "Sgt. Pepper's" representou 1967, o verão do amor, e uma mudança de comportamento social.

Mas o foco não será esse disco, e sim "Abbey Road", aquele que pode ser o único disco dos Fab Four que realmente destronou "Sgt. Pepper's". Eis aqui os motivos para tal:

1. O experimentalismo

Desde meados de 60, o grupo tomou novos rumos e canções e discos experimentais foram compostos aos montes. Em "Abbey Road", canções como "Because" e "I Want You" deixam essa busca por novos sons bem clara.

2. Os hits

O disco, assim como todos os álbuns dos Beatles, não é recheado de hits, mas tem as notáveis "Come Together" e "Something" que já valem o play.

3. O auge criativo de George

George Harrison sempre foi o beatle subestimado. Se não se igualava a Lennon e McCartney em quantidade de composições, sempre que se enveredava por esses caminhos não desapontava. Mas em "Abbey..." Harrison supera todas as expectativas. "Something" e "Here Comes The Sun" são duas das melhores canções do grupo, e com elas o álbum tem um salto de qualidade, sobretudo com a melodia de "Here Comes...".

4. O baixo de Paul
 
É inegável o talento de Paul McCartney com as quatro cordas, mas no "Abbey Road" ele se sobressai. O baixo é um espetáculo a parte, e a harmonia em todas as canções é de chocar até os mais céticos em relação ao grupo.

5. A vez de Ringo

Em quase uma década produzindo, foram poucas as vezes que Ringo pôde tomar a frente. Onze canções cantando, para ser mais exato. Mas "Octopus's Garden" é brilhante. Não à toa que ela é citada em "The Masterplan", do Oasis.

6. O talento em meio ao caos

Durante a produção do álbum, os desentendimentos eram constantes, o que torna o resultado do disco ainda mais relevante. O relacionamento entre John Lennon e Yoko Ono já traziam conflito para o grupo. Mas obras-primas em meio a conflitos são constantes, vide "Rumours" do Fleetwood Mac e vários discos do "Oasis".

7. A proposta do disco
 
A capacidade do quarteto nos pouco mais de 47 minutos de abranger vários estilos; de ser pop, psicodélico; de abusar dos mais variados elementos; de cadenciar em canções longas ("I Want You") e ao mesmo tempo ser tão virtuoso no medley final, é de aguçar até os ouvidos mais desatentos.

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A foto antes da foto
8. A capa e sua simbologia

A capa, assim como qualquer coisa produzida pelos Beatles, é icônica de tal maneira, que até hoje, quem passa pelo local sempre tenta reproduzir com a maior perfeição o clique feito por Iain Macmillan. Além das teorias que a foto traz até hoje, de que, um dos indícios da suposta morte de Paul em um acidente em 1966, e a continuidade da carreira através de um sósia, é de que na capa do "Abbey Road" é o único a estar descalço. Será?

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The End

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20/10/2017

The Killers - Wonderful Wonderful - Resenha

Após cinco anos a banda americana The Killers lançou o seu quinto álbum de estúdio, intitulado Wonderful Wonderful. O disco traz grandes influências dos anos 80, misturando a dance de David Bowie e o synthpop de Depeche Mode, com letras fortes de Brandon Flowers.

O quarteto de Las Vegas abre com a música mais sombria, a faixa-título, Wonderful Wonderful, que traz o baixo marcante de Mark Stoermer. A segunda faixa e primeiro single do disco é “The Man”. A canção tem um sintetizador carregado, característica marcante da banda principalmente em seus primeiros discos, e é uma das que evidenciam a influência de David Bowie, principalmente da música “Fame”.

O álbum continua com duas baladas, “Rut” e “Life to Come”, que nos mostra a evolução como compositor de Brandon Flowers. Elas falam do problema de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD) da mulher de Flowers, Tana Mumblowsky, que chegou a ter pensamentos suicidas, o que ainda é relatado em outras músicas do disco.

“Run for Cover” vem com um toque mais rock, com a guitarra de Dave Keuning nos lembrando de seus momentos em Hot Fuss. A música é uma composição antiga, feita originalmente para estar no álbum Day & Age, mas que não conseguiu ser finalizada a tempo para entrar no disco. “Run For Cover” e “The Man” são as únicas que podem trazer todo o potencial da banda ao vivo, enquanto as outras músicas devem ser pouco aproveitadas nos shows.

“Tyson vs. Douglas” é o ponto alto do disco. Em um primeiro momento você pode pensar que a música cita apenas à luta histórica entre Mike Tyson contra Buster Douglas, mas refletindo o momento em que Flowers a escreveu, é a grande prova de seu progresso como compositor. A letra pode ser interpretada como uma referencia de como sua esposa foi “nocauteada” pelo PTSD e como ela conseguiu dar a volta por cima.

O disco segue com outras duas baladas, “Some Kind of Love” eOut of My Mind”, que quebram o ritmo do álbum e acabam soando muito repetitivas, mas “Some Kind of Love” é mais uma das belas e tristes composições sobre o estado mental da esposa de Flowers. O vocalista traz versos em meio a uma lenta melodia que diz “Você não pode fazer isso sozinha/ Precisamos de você em casa/ Há muito o que ver/ Sabemos que você é forte”.

“The Calling” tem participação do ator Woody Harrison, que narra uma passagem bíblica que se refere ao chamado de Mateus para ser discípulo de Jesus. A música é a que contém mais sintetizador e lembra muito as músicas da fase synthpop do Depeche Mode ou do New Order.
O disco termina com a “Have All the Songs Been Written?”, que faz lembrar muito uma canção do Dire Straits, e não atoa, já que o próprio Mark Knopfler, guitarrista da banda, fez uma colaboração na faixa, mas a música não faz jus à participação, sendo mais outra balada que não empolga.

Wonderful Wonderful é melhor que seus antecessores, Battle Born (2012) e Day & Age (2008), mas traz pouca inovação musical para banda, usando elementos já muito explorados e de formas melhores anteriormente. Muito disso deve ter sido causado pelo afastamento do guitarrista Dave Keuning, que não participou da fase de produção do álbum, apenas gravou as músicas. Mas Brandon Flowers nos traz suas melhores composições, conseguindo traduzir em palavras, um momento muito delicado da vida de sua família.

O The Killers volta ao território nacional para tocar no Lollapalooza no dia 25 de Março de 2018.
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19/08/2017

A infindável genialidade de Hans Zimmer


Após dar uma nova cara a trilogia Batman nos anos 2000, qualquer produção de Christopher Nolan é capaz de criar alta expectativa no público - Inception e Interstellar que o digam. A bola da vez em 2017 é Dunkirk. A hype foi tão grande que o resultado originou opiniões das mais distintas. Fato é que sua parceria de sempre com Hans Zimmer na trilha sonora é infalível. O compositor alemão nunca perde a mão, e em Dunkirk não foi diferente.

Se na sétima arte o filme e a trilha são co-dependentes, em Dunkirk, Hans é capaz de produzir uma trilha tão memorável que se torna independente. As composições são capazes de te ambientar com uma facilidade fora do comum, e te submergir dentro da Segunda Guerra, diante do caos e da falta de perspectiva de salvação. O desespero vem à tona.

A trilha é angustiante quando tem que ser, e suave mas não omissa quando é preciso, o que mostra um senso de Zimmer que é incomum para os outros compositores.

O filme em si já é uma experiência única, mas assistindo ou não, todo mundo deveria dar uma chance e ouvir a trilha oficial.Se ao ouví-la você não se sentir com a vida em risco e tendo que fugir em meio a bombardeios, provavelmente nada o fará sentir isso.



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06/08/2017

Rincon Sapiência: O resgate da essência do rap nacional

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Com uma longa estrada já percorrida, finalmente o rapper paulistano Rincon Sapiência, ou Manicongo, lançou em 2017 seu debut, após anos em vários grupos e singles lançados.

Em seu debut, Sapiência já mostra que veio pra ficar. Logo na faixa de abertura de "Galanga Livre", a intro que antecede "Crime Bárbaro", o rapper paulistano, em formato de rádio, esclarece o fato de o álbum ser baseado em um conto fictício de Danilo Albert Ambrosio sobre o escravo Galanga, que realiza uma fuga do engenho ao cometer um crime. Mas afinal, quem seria Daniel Albert Ambrosio? Trata-se do verdadeiro nome do rapper. E qual o objetivo de assinar o conto com seu próprio nome ao invés do nome artístico? Isso soa como uma tentativa de esclarecer que tornar explícito o abismo de classes, o racismo, entre outras coisas, pode ser feito por qualquer um... Poderia ser o João, o José, a Maria.

A inconformidade diante da sociedade fica evidente em músicas como "Vida Longa" ("Infelizmente Bolsonaros não é tipo raro"); o cotidiano do cidadão de bem é retratado de forma impecável em "A Volta pra Casa", diante da insegurança e das condições de vida ("O dia inteiro dando duro / Uma volta cansativa, ainda desce bem no ponto mais escuro / A violência subindo de nível") ou até da insegurança daqueles que são pagos para ser a proteção para a sociedade ("A violência na cidade tem se espalhado / Se isola mais ainda quem tem um carro blindado / Andando com cuidado, os passos apertados / Receio de sofrer abuso de um homem fardado").

Não somente pelas letras, Rincon se destaca pela mistura consciente de sons entre o trap, afrobeat e samba, como em "Namoradeira" e "Meu Bloco". "A Noite É Nossa" se mostra muito influenciada pelo primeiro disco solo do Mano Brown, "Boogie Naipe".

O orgulho de sua cor em "A Coisa Tá Preta" inspira, além de seu refrão pegajoso. O mesmo se aplica a "Ostentação À Pobreza", que assim como "A Volta Pra Casa" retrata o sofrimento de uma massa que passa por dificuldades diariamente, mas que é ignorada e vive num abismo com relação a elite.

Se nos últimos anos a essência do rap nacional tinha se perdido, Rincon Sapiência é a luz no fim do túnel para a luta pela igualdade que nunca terá fim.






Tracklist
01. Intro
02. Crime Bárbaro
03. Vida Longa
04. A Volta Pra Casa
05. Meu Bloco
06. Moça Namoradeira
07. A Noite É Nossa
08. Amores Às Escuras
09. A Coisa Tá Preta
10. Benção
11. Galanga Livre
12. Ostentação À Pobreza
13. Ponta de Lança (Verso Livre)






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12/07/2017

A ascensão meteórica do Fugees com "The Score"


Em meio ao auge do britpop com Oasis e Blur e o gangsta rap em evidência com 2pac, Notorious e Snoop Dogg, um trio despontou com um hip hop de uma sofisticação sem igual. Em 1996, o Fugees lançava "The Score".

Mais do que ser páreo duro para os artistas supracitados, Mrs. Lauryn Hill, Wyclef Jean e Pras Michel inovaram no gênero, sendo capazes de unir os mais variados estilos em cerca de uma hora de disco, contando com samples de nomes consagrados como Bob Marley (na releitura de "No Woman No Cry"), Roberta Flack ("Killing Me Softly With His Song"), The Temptations ("Zealots") e Afrika Bambataa ("The Score"). O formato de gravação lembra uma espécie de rádio, e a própria Lauryn Hill chegou a citar esse fato na época, recordando do clássico da opera rock "Tommy", do Who.

Em 1996, o Fugees vinha desacreditado após o fracasso de seu debut, "Blunted on Reality". Apesar disso, o trio recebeu um adiantamento para o lançamento de "The Score". Não deu outra! A confiança estabelecida fez surgir um clássico do gênero e dos anos 90.

O sotaque do haitiano Wyclef Jean em "How Many Mics", além dos versos ácidos de Lauryn Hill, como em "Ready or Not" ("So while you're imitating Al Capone / I'll be Nina Simone / And defecating on your microphone") deram um contraste como nunca se vira em qualquer grupo. O sucesso instantâneo "Killing Me Softly..." e a doçura na voz de Lauryn; a cadência de "Family Business" - com o violão sampleado de John Williams, vale lembrar; a reinterpretação de Mrs. Lauryn pra "Ooo La La La", de Teena Marie, é como se a líder do Fugees tivesse se empossado da música e a colocado em outro patamar.

Mais do que renovar o gênero ao condensar grandes sucessos e dar uma sonoridade diferente, o grupo foi capaz de, na faixa título, incluir samples de todas as outras músicas do próprio disco.

Fato é que "The Score" já nasceu clássico. É inegável seu sucesso e legado, ainda que não seja lembrado em todas as listas do gênero. A prova maior é que o disco, que foi a despedida do grupo, os catapultou para o sucesso, em especial Lauryn, que no ano seguinte alçou voos maiores em sua carreira solo, e Wyclef, que também iniciou carreira solo, mas estando desde então mais ativo como produtor.


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09/07/2017

As várias facetas de Criolo


Rápido e preciso. Em pouco mais de meia hora, Criolo foi capaz de mostrar que é possível se enveredar por outros caminhos sem se perder. Definitivamente "Espiral de Ilusão" é um dos grandes álbuns de 2017.

Composto de dez faixas de samba, o rapper - se assim se pode dizer nesse caso - usa de todos os elementos do gênero em grandes canções como "Menino Mimado", "Lá Vem Você" e "Filha do Maneco". Sagaz como sempre se pode ver, o cantor e compositor uniu a brasilidade do samba musicalmente falando com seu conhecimento de causa da periferia liricamente falando. Isso pode ser visto em "Cria de Favela", por exemplo: "Menino você não pode voltar / Porque a biqueira não é seu lugar / Quem vai lucrar com essa patifaria / É gente da alta na papelaria".

Não somente o talento de Criolo, mas a participação de grandes músicos foi fundamental no disco, como o coro feminino das Clarianas, além de Ricardo Rabelo no cavaco, responsável também pela composição de "Hora da Decisão" e "Filha do Maneco". A produção ficou por conta do renomado Daniel Ganjaman.

Fica a dúvida de quantas facetas pode haver do cantor, e até onde ele pode chegar, já que a qualidade é inegável, seja no rap ou samba.




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18/06/2017

David Bowie e a inspiração em "1984", de George Orwell


No início dos anos 70, David Bowie era um dos principais rockstars - senão o principal. Após a era Ziggy, com discos como "The Rise and Fall of Ziggy..." e "Alladin Sane", a ambição do músico permanecia alta. Era preciso algo inovador e impactante.

Após as gravações do álbum "Pin Ups", de 1973, veio a ideia de trabalhar em uma peça sobre o clássico da literatura "1984", de George Orwell, sendo os direitos prontamente negados pela viúva do escritor. Mas Bowie não estava contente. Após abandonar a personagem Ziggy, era necessário algo grandioso. Dessa forma, Bowie demitiu sua banda de apoio, os Spiders from Mars, e entrou de cabeça na produção de "Diamond Dogs", de 1974, com forte influência do livro de Orwell, mas com seu conceito associado a um mundo pós-apocalíptico. Nele, Bowie é Halloween Jack, líder da gangue Diamond Dogs.

Fica evidente, já pelo interlúdio "Future Legend", ao citar a fictícia cidade Hunger City e os peoploids que David mergulha totalmente no que ambienta a fantasia do disco. A faixa-título que sucede o interlúdio é uma bela apresentação de como se encontra o mundo. "This ain't Rock N' Roll. This is genocide", diz no início da faixa, o que denota o domínio das novas criaturas, os tais "Diamond Dogs".

A doçura de "Sweet Thing" (sem trocadilhos) através do piano de Mike Garson é notória, assim como a busca por companhia em meio ao caos em "Candidate". "Rebel Rebel", música de maior sucesso do álbum, revela uma personagem que quer se libertar, mas ainda vive das aparências, cada vez mais próxima de mostrar a verdade e se tornar livre. Seguindo a mesma linha, "Rock N' Roll With Me" varia por se tratar da busca por liberdade por alguém que o impulsione.

"We Are The Dead" é um total filme de terror, enquanto "1984" retrata bem o que é a obra de Orwell: a tentativa do Estado de alienar a sociedade. "Big Brother" é zombeteira, sendo uma crítica a um ser superior negligente.

Numa visão geral, "Diamond Dogs" não correspondeu a altura do que Bowie buscava, mas ainda assim tem o seu valor e vale o play! Não deixando de ser polêmico, Bowie anteriormente quis emplacar a capa abaixo, com a genitália a amostra, que foi obviamente censurada, saindo de circulação rapidamente.





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15/06/2017

Conheça o Wolf Alice



Entre a calmaria e a tempestade. Assim podemos definir os britânicos do Wolf Alice. Ao menos em seu debut, e até aqui seu único álbum, "My Love Is Cool", de 2015. A banda, capitaneada pela vocalista Ellie Rowsell, está na ativa desde 2010, quando ainda se tratava de um duo. As influências do grupo são incontáveis, passando por grupos alternativos dos anos 80 e 90.

Numa linha que beira entre o alternativo e o indie, o Wolf Alice sabe explorar a versatilidade vocal de sua frontwoman. Essa é, possivelmente, a maior qualidade do álbum. O contraste das faixas o torna mais atrativo, como ao comparar "Bros" e "Your Loves Whore" com "Giant Peach", que lembra o estilo vocal do grupo oitentista The Go-Go's. Em outras, como "You're A Germ", há um clima soturno até se desencadeia num som quase pop/punk.

Há também talvez o carro-chefe do álbum: "Silk" e seu clima também sombrio fazem parte da (ótima) trilha sonora do filme Trainspotting 2, o que prova a qualidade que os londrinos mostram ao serem reconhecidos em uma sequência de um dos clássicos do cinema alternativo.
O grupo irá lançar seu segundo álbum ainda em 2017, e tem tudo pra provar que a qualidade do primeiro disco não foi o único momento de inspiração.

Abaixo você pode conferir o debut do grupo e a nova música "Yuk Foo", que fará parte do segundo disco, "Visions of a Life", a ser lançado em 29 de setembro desse ano.


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04/06/2017

Da misoginia ao budismo: a evolução dos Beastie Boys

Encontro de MCA com Dalai Lama
1994: Os Beastie Boys estouravam nas paradas com o disco "Ill Communication. No seu disco de maior sucesso, o grupo - e principalmente MCA - surgiu com letras incomparavelmente mais elaboradas, além de mostrar que estavam com os pés fincados numa evolução espiritual baseada no budismo. Além do sucesso comercial a partir de canções como "Sabotage", "Root Down" e "Sure Shot", o trio deixou claro em canções como "Shambala" e "Bodhisattva Vow" sua busca por evolução. Basta observar a letra de "Bodhisattva Vow": "As I develop the awakening mind I praise the buddhas as they shine / I bow before you as I travel my path to join your ranks / I make my full time task / For the sake of all beings I seek / The enlightened mind that I know I'll reap /  Respect to Shantidiva and all the others / Who brought down the dharma for sisters and brothers / I give thanks for this world as a place to learn / And for this human body that I'm glad to have earned" ("Enquanto desenvolvo o despertar da mente louvo a Buda enquanto eles brilham / Me curvo diante de ti enquanto viajo para o meu destino para me juntar a sua classe / Faço meu dever o tempo todo / Pelo bem de todos os seres que procuro / A mente iluminada que sei que colherei / Respeito a Shantidiva e todos os outros / Que trouxeram o dharma para as irmãs e irmãos / Agradeço a esse mundo como um lugar para aprender / E por esse corpo que estou feliz por ter ganho").

Indo além, durante a década de 90, Adam participou de causas e projetos dos mais variados relacionados ao budismo, sendo o mais importante deles a participação no Lollapalooza '94, onde o grupo defendeu a independência do Tibet em relação a China, algum tempo depois realizando seu próprio festival para tal causa, no qual houve performances em várias cidades, como San Francisco, NY, Washington, e até fora dos EUA, como em Tokyo, Sydney e Amsterdam.

Mas nem sempre foi assim. Em meados da década de 80, ainda no início do grupo e com uma sonoridade bem distante da qual ficaram famosos mundialmente, o punk, o trio expôs ideias no mínimo conservadoras e misóginas.

Em 1986 lançaram seu debut, "Licensed to Ill", que estourou nas paradas. O nome poderia ser outro completamente diferente e polêmico. Anteriormente a ideia era que fosse intitulado "Don't Be A Faggot" ("Não seja uma bicha", em tradução literal). Essa possibilidade acabou por revelar o preconceito que o grupo mostrava na época. Indo mais a fundo, na sexta faixa do debut, "Girls", um trecho revela um Beastie Boys misógino em alto e bom som: "Girls - to do the dishes / Girls - to clean up my room / Girls - to do the laundry / Girls - and in the bathroom / Girls - that's all I really want is girls / Two at a time - I want girls" ou "Garotas - para lavar as louças / Garotas - para limpar meu quarto / Garotas - para lavar as roupas / Garotas - e fazer no banheiro / Garotas - tudo que eu quero são garotas / Duas de uma vez - Eu quero garotas".

O tempo passa, e para nosso bem as pessoas evoluem - ou ao menos deveriam.

MCA morreu em 2012, de câncer de garganta. Uma perda irreparável para a música.



Abaixo, uma homenagem que se tornou anual para MCA.



Principal fonte: HuffPost Brasil

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01/06/2017

A trilha como um dos pilares de Breaking Bad


Que Breaking Bad é até hoje uma das séries mais aclamadas de todos os tempos, você já deve saber.

Para prestigiar o sucesso e o legado da produção de Vince Gilligan, um usuário do Spotify (@postersminimalistas) reuniu em uma playlist o que de melhor fez parte da trilha da série em suas cinco temporadas.

Em pouco mais de 2h, a playlist conta com canções de cenas marcantes da série, como a latina "Negro y Azul: Ballad of Heisenberg", do grupo Los Cuates de Sinaloa, que abre o sétimo episódio da segunda temporada, "Negro Y Azul"; "Out of Time Man", de Mick Harvey, que fecha o episódio piloto.

Conta também com a canção "Catch Yer Own Train", que fecha o primeiro episódio de impacto na trama; além da emblemática cena de Walter em seu carro ao som de "A Horse With No Name", do America (S03E02), e é claro, da música tema, com a trilha com Dave Porter como responsável.

Vale o play!





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