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30/08/2015

Resenha | Disturbed - Immortalized [2015]


Após um longo hiato, o Disturbed está de volta. Mas nenhuma surpresa. Se você esperava algo inovador, não será dessa vez. A bola já havia sido cantada com as 4 faixas divulgadas antes do lançamento do álbum, sendo a faixa-título, "The Vengeful One", "Fire It Up" e "What Are You Waiting For". Aparentemente houve apenas uma mudança leve no dinamismo, com uma guitarra mais rápida no andamento das canções.

"Open Your Eyes" e "The Light" até que dão um tom diferente do habitual para a banda. A primeira com um coro vocal nunca antes visto em David Draiman e cia. que é um apelo pop, além da bateria arrebatadora. A segunda com uma dinâmica vocal lenta e um toque eletrônico sutil, mas que contribui.

"You're Mine" conta com um ritmo interessante e que cativa, mas não surpreende. "What Are You Waiting For", uma das divulgadas anteriormente vem numa crescente com a guitarra que empolga, se aliada com o jogo de palavras no refrão. A bateria se torna novamente o destaque em "Who", com trocas rápidas de pratos e agressividade.

A mudança de compasso em "Save Our Last Goodbye", de um apocalipse evidente com a bateria e o riff de guitarra desembocando no lirismo de Draiman aliado ao piano traz consigo uma dramaticidade convincente. "Fire It Up" evidencia um Disturbed pisando em terra desconhecida, e se afundando. A letra é fraquíssima, e nem o instrumental salva a canção, tendo Draiman com efeitos vocais que em nada agregam.

A banda já mostrou por muitas vezes que gosta de desafios ao fazer covers. O primeiro álbum contou com "Shout", do Tears for Fears; "Asylum" contou com cover de "I Still Haven't Found What I'm Looking For" do U2. Dessa vez a banda foi além e escolheu "The Sound of Silence", de Simon & Garfunkel. Um desafio maior que qualquer outro. O cover é decente, mas exige uma harmonia vocal que possivelmente somente grupos como Mamas & The Papas poderiam fornecer. "Never Wrong" soa datada, como da época do surgimento do Nu Metal, onde o conjunto não traz algo extraordinário e individualmente não há um destaque. E pra fechar, "Who Taught You How How Hate". O andamento vocal de Draiman tem mudanças constantes de tons, mas que caem bem, inclusive no refrão. Uma canção que parece tímida diante das outras, mas entrega mais do que se espera.

Tracklist
1. The Eye of the Storm
2. Immortalized
3. The Vengeful One
4. Open Your Eyes
5. The Light
6. What Are You Waiting For
7. You're Mine
8. Who
9. Save Our Last Goodbye
10. Fire It Up
11. The Sound of Silence (Simon & Garfunkel Cover)
12. Never Wrong
13. Who Taught You How to Hate

Line-up
David Draiman - Vocais, Backing Vocals
Dan Donegan - Guitarra, Teclados, Baixo, Backing Vocals
Mike Wengren - Bateria, Percussão, Backing Vocals

Produção: Kevin Churko
Mixagem: Ted Jensen
Engenharia: Steve Churchyard

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22/08/2015

Joias do Youtube #11: Muddy Waters - Live Dortmund, Germany 29/10/1976


Muddy Waters. Um dos deuses do blues, que reverenciou outras lendas e já foi reverenciado por tantas outras. Esse registro de pouco mais de uma hora mostra Muddy em seu conforto, com sua velha guitarra e um banquinho. Bem que poderia ser um trono... A impressão que fica é a de que Muddy está tocando em casa, em seu quintal, somente para amigos. A mais sincera demonstração de paixão pelo que se faz.

O set é curto, mas nada que possa por em xeque nossa percepção do quão genial ele é. Não tão somente ele, a gaita caminha em paralelo e também tem seu show à parte.

E se você reparar, o fechar e abrir de olhos de Muddy em alguns momentos simboliza a paixão de quem faz a alma cantar, e não somente sua boca, como uma entidade divina. Todos da banda têm sua contribuição relevante, mas os holofotes naturalmente estão todos em Muddy, que não contente toca "Howlin' Wolf Blues", numa completa demonstração de gratidão pelo músico de mesmo nome. O baixo de Calvin Jones se deleita para que a guitarra de Muddy seja a estrela que não se apaga. Essa é a tônica do show. Exceto por "Can't Get No Grindin'", mais acelerada com o piano carregando o resto da banda.

"Got My Mojo Workin'" é performada duas vezes no set, o que mostra como é bem-recebida pelo público.

Resumindo, trata-se de uma hora de show, mas poderiam ser três. Quem se importaria?...

Line-up

Muddy Waters: Vocais, Guitarra
Luther Johnson: Guitarra
Bob Margolin: Guitarra
Jerry Portnoy: Gaita
Pinetop Perkins: Piano
Calvin Jones: Baixo
Willie Smith: Bateria
Junior Wells (convidado): Vocais, Gaita

Tracklist
  1. Intro & After Hours
  2. Soon Forgotten
  3. Howlin' Wolf Blues
  4. Hoochie Coochie Man 
  5. Blow Wind Blow
  6. Can't Get No Grindin'
  7. Long Distance Call 
  8. Got My Mojo Workin'
  9. Got My Mojo Workin' (First Encore)
  10. Got My Mojo Workin' (Second Encore with Junior Wells)

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14/08/2015

Resenha | Cássia Eller - Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo [1999]


Cássia Rejane Eller, ou Cássia Eller, teve um sucesso tardio, catapultado pelo disco de 1999, "Com você... meu mundo ficaria completo". E logo após veio o Acústico MTV.

É consumado que "O Segundo Sol", um dos maiores hits da carreira da cantora - atrás apenas de "Malandragem" - é o carro-chefe do disco, mas a diversidade musical é o que coloca o mesmo num ponto fora da curva.

As composições da cantora são de um âmbito poético sem igual, que só se viu até hoje na música nacional nos dinossauros da MPB, além de Renato Russo, Cazuza e Herbert Vianna. O baixo insinuante de "Mapa do Meu Nada"; a flauta que é a cereja do bolo em "Gatas Extraordinárias", e dá um toque de influência nordestina, além de seus versos que demonstram um sentimento de submissão e ao mesmo de vontade obter domínio, um paradoxo e tanto. A canção é de autoria de Caetano Veloso.

"Um Branco, Um Xis, Um Zero" é como um brado - mesmo que intercalado com a serenidade - de uma propriedade ineficaz na música atual e que, aliada à guitarra, repassa ao ouvinte uma assimilação imediata. A faixa-título, assim como majoritariamente o álbum, é de um amor declarado e por vezes dito a todos indistintamente; destaque para a harmonia entre guitarra e teclados. Segue-se o segundo single do disco, "Palavras Ao Vento", uma das mais veneradas na carreira da cantora. A música já foi e é tema de novela, o que mostra que jamais perdeu força em todo esse tempo pós-morte da cantora. A canção é de autoria de Moraes Moreira e Marisa Monte.

O gosto pelo baião de Cássia se mostra fortíssimo em "Aprendiz de Feiticeiro" e "Pedra Gigante", essa última com participação de Bené Fonteles, e com autoria de Gilberto Gil. Para compreender "Infernal", basta imaginar a essência setentista de Stevie Wonder, com aqueles seus sintetizadores, como em "Superstition". "Maluca" é a mais distinta do disco; um tango em que Cássia a acompanha com uma serenidade incomum. Já "As Coisas Tão Mais Lindas" e "Esse Filme Eu Já Vi" não chegam a grandiosidade das outras canções, mas se mostram bem decentes, sendo essa última uma fusão de samba e jazz como nunca se viu na música brasileira.

Basicamente, Cássia teve todo apoio na composição dos maiores da MPB. A produção ficou por conta de Nando Reis, um dos maiores amigos da cantora. Eller se mostra, acima de tudo, uma intérprete única, seja qual for a abordagem nas canções.

Tracklist

  1. O Segundo Sol
  2. Mapa Do Meu Nada
  3. Gatas Extraordinárias
  4. Um Branco, Um Xis, Um Zero
  5. Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)
  6. Palavras Ao Vento
  7. Aprendiz De Feiticeiro
  8. Pedra Gigante
  9. Infernal
  10. Maluca
  11. As Coisas Tão Mais Lindas
  12. Esse Filme Eu Já Vi

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