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23/07/2015

Como a classe, os vídeos e a aparência fizeram o Arctic Monkeys gigante na América do Sul


Fonte: Pitchfork

No último inverno, o Arctic Monkeys excursou na América do Sul, um lugar que muitas bandas não podem se dar ao luxo de visitar. Eles já haviam visitado o continente duas vezes antes da turnê, mas na última turnê de seis datas eles tocaram, pela primeira vez, nas mesmas arenas que Miley Cirus, Metallica e Justin Bieber recentemente lotaram.

Os altos custo de ir lá e então resolver o transporte tem tornado as turnês de rock na América do Sul algo raro e que somente as maiores bandas e artistas podem se dar ao luxo, mas uma combinação interessante de avanços econômicos e interesse maior do público está mudando o cenário e tornando o continente uma válvula de escape para a indústria da música.

O público latino dos Monkeys foi atingido quando lançaram seu vídeo para "Snap Out of It", com a atriz Stephanie Sigman. A atriz, que também apareceu no agora cancelado programa da FX "The Bridge", tem uma grande presença na América Latina. Esse elenco é uma parte da linguagem cifrada que os Monkeys têm aproveitado para se comunicarem com a público latino.



Para promover seu álbum "AM", o vocalista Alex Turner criou um personagem para suas performances, um homem com cabelo penteado para trás e um olhar rockabilly, que veste couro, tem aparência hiper-masculina, e canta músicas altamente emocionais. A maioria das letras refletem uma disfunção em relacionamentos. O professor de Literatura e Cultura Latino-Americana Jason Borge, da Universidade de Texas, diz que "essa imagem de soturno, de escárnio, gótico e rebelde" tem trazido apelo aos latino-americanos de volta ao século XX. Mas os brasileiros, em particular, têm um único relacionamento cultural com a banda e o rock em geral.

Quando os Arctic Monkeys tocaram no Rio de Janeiro, eles lotaram o HSBC Arena, onde acontecerão os jogos de basquete das Olimpíadas 2016. O ginásio tem capacidade para mais de 18 mil pessoas para shows, mas essa fração, diz Borge, consiste provavelmente de uma parte específica da sociedade brasileira.

"Crianças [brasileiras] de classe média, pessoas jovens e intelectuais, em sua maioria brancos, estabelecem credibilidade atrávés de sua busca pelo cultura popular estrangeira", explica Borge. "Os permite a tocar ou mostrar rejeição ao status quo, particularmente eles estão abraçando a aparência rebelde de celebridades como James Dean, Elvis ou Mick Jagger."

Melhorias na infra-estrutura de telecomunicação, aumento nas vendas de smartphones, e a notícia de uma lei de neutralidade na internet adotada recentemente no país contribuiu para a grande popularidade no uso de serviços de streamings, como iTunes, Deezer, Spotify, Rdio e VEVO, todos eles trazidos ao Brasil nos últimos três anos. Clipes têm se tornado uma ferramenta popular para descoberta de música no Brasil, de acordo com o advogado de entretenimento Martin F. Frascogna. "O Brasil é um mercado muito visual. Muitas pessoas estão encontrando novos artistas globais via YouTube e outras plataformas," diz Frascogna. "Não é necessariamente como nos outros mercados, como Argentina ou México. Por conteúdo interessante no YouTube, junto com o recurso "tip jar", no qual não tem sido abraçado completamente pela indústria ainda, permitirá aos artistas muito mais o streaming em regiões específicas."

Há muitos poucos mercados desenvolvidos onde as vendas digitais estão crescendo. Nos EUA elas caíram em 2013, em favor do streaming que cresceu 39%. Brasil, um país que só teve sua loja da iTunes no fim de 2011, é um dos poucos países capazes de gerar uma boa receita de um mercado em declínio para gravadoras.
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