Onde se respira música.

17/10/2015

Resenha | Coheed and Cambria - The Color Before The Sun [2015]



O Coheed volta dois anos após o lançamento do duplo "The Afterman". E a mudança é visível... Marca da carreira do grupo, pela primeira vez não vemos um álbum conceitual. "The Color Before The Sun", lançado hoje, tem uma diversidade a qual raramente se viu na banda. O que pode não agradar aos fãs mais xiitas. O amadurecimento é visível, e o som se abrange desde um som mais pop até sons bem mais densos puxados para o heavy. E para isso, o baixo de Zach Cooper tem um papel essencial.

"Island" é um dos melhores exemplos do pilar pop do disco, em especial pelos vocais de Claudio Sanchez e o riff nada elaborado de guitarra. E "Eraser", divulgada há duas semanas, reforça essa pegada em parte do disco. A energia de Sanchez de uma década atrás é trocada pela cadência na maioria das vezes.

A serenidade de "Colors" a torna uma das preciosidades do LP, pelo andamento que Sanchez é capaz de dar, especialmente no refrão. Um outro ponto de vista bem perceptível no álbum é a inclusão de letras bastante pessoais para o vocalista, como em "Here to Mars", onde ele conecta amor com a física, como o próprio título indica. A faixa também contém uma referência do disco de 2005 da banda, "Good Apollo", no trecho "'Cause there's no one like you on earth / That can be my burning star".

"Ghost" é tão tranquila com seu dedilhado que poderia ter sido tirada de algum álbum do Stone Sour. Até o timbre de Sanchez é, em alguns momentos, parecido com o de Corey Taylor. "Atlas" tem uma das melhores letras do disco, retratando coragem, independência - ou a falta de - além de arrependimento por oportunidades perdidas. É, sem dúvida, a que mais demonstra maturidade do grupo no disco. Assim como em "Here to Mars", o amor também é tema em "Young Love", mas com uma abordagem diferente, demonstrando algum tipo de ressentimento.

Com uma abordagem pop, "You Got Spirit, Kid", um dos singles, retrata a busca de forças e a luta praticamente contra tudo e contra todos. Como citado acima, o disco vai do pop à partes mais extremas do heavy. E "The Audience" é o melhor exemplo possível. O groove que Zach Cooper causa é primordial para a canção. E para fechar, a quase-canção de luau "Peace to The Mountain" é uma das joias raras do disco. Muito se deve pela orquestração em sua parte final, com uma produção impecável.

Um disco que deixa a desejar em vista do que o Coheed apresentava há cerca de dez anos, mas que mostra total coragem da banda de partir em novos rumos, mesmo que signifique um mudança um tanto brusca em seu som.

Tracklist

  1. Island
  2. Eraser
  3. Colors
  4. Here to Mars
  5. Ghost
  6. Atlas
  7. Young Love
  8. You Got Spirit, Kid
  9. The Audience
  10. Peace to The Mountain

Produção: Jay Joyce / Coheed and Cambria

O álbum está disponível também no Spotify:




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12/10/2015

Especial Top 10: Álbuns com crianças


Hoje é o dia das crianças, e para celebrar essa data, o Musicaholic listou 10 álbuns que contaram com crianças na capa. Os objetivos não são os mesmos, mas a lembrança é válida. Confira no slide abaixo usando o direcional no teclado.


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27/09/2015

Resenha | David Gilmour - Rattle That Lock [2015]


David Gilmour está de volta! "Rattle That Lock" vem algum tempo depois do lançamento do provável último disco do Pink Floyd, "The Endless River". O que vemos é que a fonte de Gilmour está muito longe de secar. O lirismo em suas canções continua o mesmo. Suas composições ainda contêm o mesmo feeling de décadas atrás. Gilmour se mostra completamente livre do "fantasma" do Floyd, consegue dar seu toque no álbum de forma a se desvincular da sonoridade do grupo, ainda que se pareça em partes com "Division Bell". A capa e o título, de fato transmitem a ideia de que o vocalista mostrou satisfação por sua despedida do Floyd, e que agora tem a liberdade para focar em sua carreira solo,

Quando se começa a ouvir "5 a.m.", pode-se cravar que se está ouvindo uma nova versão de "Shine On You Crazy Diamond", numa crescente de notas, diante das notas dispersas de guitarra e do teclado ao fundo. A faixa-título é, de longe, o carro-chefe do disco. A linha de baixo é simplesmente arrebatadora, traz o swing necessário e até inesperado diante da melodia famigerada de David. As participações de Phil Manzanera no órgão Hammond preenchendo as lacunas, e de The Liberty Choir no refrão, são a cereja do bolo. Sem falar no clipe divulgado (final do post). No clipe, a inspiração de "Paradise Lost", obra literária de John Milton. Vale conferir também o francês tímido de Gilmour no meio da canção.

"Faces of Stone" parece que tem sua intro no violão sugada da primeira fase de Bob Dylan, de algo do "The Freewheelin'..." ou de "The Times They Are A-Changin'", e é sustentada por uma orquestração ímpar, diante das participações de Eira Owen na trompa e Zbigniew Preisner na orquestração. "A Boat Lies Waiting" tem início com seus slides de guitarra emendados no piano de Gilmour, mas a canção tem, no papel, um peso absurdo, pelo fato de contar com um sample de voz de Richard Wright, além de 50% do Crosby, Stills, Nash & Young, já que conta com Graham Nash e David Crosby nos backing vocals.

A união do riff cortante e da orquestração em "Dancing Right In Front of Me" a torna um dos destaques, sem falar da brusca mudança de compasso, sendo rock e ao mesmo tempo jazz. Imediatamente você se pega ouvindo "Englishman In New York" do Sting. "In Any Tongue" tem, em resumo, sua intro com a mesma angústia de "Comfortably Numb", e um solo tão grandioso quanto a esse clássico progressivo.

"Beauty", faixa instrumental, poderia muito bem ser incluída em "Animals", devido a enorme semelhança que tem em seu instrumental com o disco setentista do Floyd. "The Girl in The Yellow Dress" é a faixa com os dois pés no jazz, com o piano de Jools Holland e a corneta de Robert Wyatt como grande destaque. "Today", que ganhou um clipe (também no final do post), assim como "Rattle That Lock", conta com Polly Samson, esposa de Gilmour, nos backing vocals. A canção se destaca pela harmonia entre percussão e orquestração.

Para fechar, mais uma instrumental. "And Then..." é mais uma das dezenas de canções que Gilmour consegue compor com extrema competência, mesmo sem acrescentar uma letra, e despejar todo seu feeling. A canção conta com influências espanholas no trecho final.

Em resumo, Gilmour por vezes parecia Mark Knopfler em "Brothers In Arms", por vezes lembrava sua era de ouro no Floyd, seja no período 1975-79 ou "Division Bell". Não importa por qual ponto de vista você queira avaliar o disco, a apreciação será garantida.

Tracklist

  1. 5 a.m.
  2. Rattle That Lock
  3. Faces of Stone
  4. A Boat Lies Waiting
  5. Dancing Right In Front of Me
  6. In Any Tongue
  7. Beauty
  8. The Girl In The Yellow Dress
  9. Today
  10. And Then
Produção: David Gilmour / Phil Manzanera
Engenheiro de Som: Andy Jackson / Damon Iddins




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26/09/2015

Resenha | What Happened, Miss Simone? [2015]



Nina Simone, ou Eunice Waymon, foi uma mulher de vários feitos. Mesmo sob questões adversas, foi capaz de buscar forças e alcançar seus objetivos. No documentário produzido pela própria filha, Lisa Simone, e lançado recentemente pelo Netflix, "What Happened, Miss Simone?" é um retrato de todo suor da cantora, que sofreu com a pobreza, com o racismo de sua época, entre outras coisas.

Nina teve uma carreira de altos e baixos, mas antes, com muita dedicação e sem recursos, se tornou a primeira pianista clássica negra, alcançou as paradas com sua poderosa voz quase de barítono, sempre enfática em suas letras, retratando a pobreza, o racismo e a desigualdade social. além de ter uma bagagem ótima de música clássica. Muitas dessas letras enfáticas custaram caro para sua carreira posteriormente, diante da clara censura que sempre sofria.

Muito além do âmbito musical, Simone ilustra o cenário da época completamente difícil que vivia e do ambiente que a circundava, e surpreendentemente, demonstra certa inocência do que ocorreu em todo o século XX e ainda ocorre onde quer que vá: a segregação racial. Além disso, o que sobrava de talento também sobrava de temperamento. Sua relação conjugal era cheia de extremos. O fato de ser ativista dos direitos civis também prejudicou sua carreira, o que nunca a abalou. Seu relacionamento próximo com Malcolm X é citado, além do choque com a morte de Martin Luther King.

Mas nada disso foi capaz de estremecer os desejos de Nina. Sempre idiossincrática, ela sabia lidar com a situação e quebrava paradigmas sem obter cicatrizes. Tinha problemas familiares, posteriormente ficou debilitada em seu período crítico na carreira, mas pelo que sempre representou, contou com amigos capazes de se tornar verdadeiros pilares.

A força de Nina Simone é algo tão magnífico e inexplicável que, como se fosse possível, Nina lutaria pelos direitos civis quantas vidas fosse necessário, para poder tornar os EUA - e o que mais fosse possível - um lugar justo. Podemos dizer em absoluto que a Nina ativista tem um legado tão grandioso quanto a Nina cantora e compositora.


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30/08/2015

Resenha | Disturbed - Immortalized [2015]


Após um longo hiato, o Disturbed está de volta. Mas nenhuma surpresa. Se você esperava algo inovador, não será dessa vez. A bola já havia sido cantada com as 4 faixas divulgadas antes do lançamento do álbum, sendo a faixa-título, "The Vengeful One", "Fire It Up" e "What Are You Waiting For". Aparentemente houve apenas uma mudança leve no dinamismo, com uma guitarra mais rápida no andamento das canções.

"Open Your Eyes" e "The Light" até que dão um tom diferente do habitual para a banda. A primeira com um coro vocal nunca antes visto em David Draiman e cia. que é um apelo pop, além da bateria arrebatadora. A segunda com uma dinâmica vocal lenta e um toque eletrônico sutil, mas que contribui.

"You're Mine" conta com um ritmo interessante e que cativa, mas não surpreende. "What Are You Waiting For", uma das divulgadas anteriormente vem numa crescente com a guitarra que empolga, se aliada com o jogo de palavras no refrão. A bateria se torna novamente o destaque em "Who", com trocas rápidas de pratos e agressividade.

A mudança de compasso em "Save Our Last Goodbye", de um apocalipse evidente com a bateria e o riff de guitarra desembocando no lirismo de Draiman aliado ao piano traz consigo uma dramaticidade convincente. "Fire It Up" evidencia um Disturbed pisando em terra desconhecida, e se afundando. A letra é fraquíssima, e nem o instrumental salva a canção, tendo Draiman com efeitos vocais que em nada agregam.

A banda já mostrou por muitas vezes que gosta de desafios ao fazer covers. O primeiro álbum contou com "Shout", do Tears for Fears; "Asylum" contou com cover de "I Still Haven't Found What I'm Looking For" do U2. Dessa vez a banda foi além e escolheu "The Sound of Silence", de Simon & Garfunkel. Um desafio maior que qualquer outro. O cover é decente, mas exige uma harmonia vocal que possivelmente somente grupos como Mamas & The Papas poderiam fornecer. "Never Wrong" soa datada, como da época do surgimento do Nu Metal, onde o conjunto não traz algo extraordinário e individualmente não há um destaque. E pra fechar, "Who Taught You How How Hate". O andamento vocal de Draiman tem mudanças constantes de tons, mas que caem bem, inclusive no refrão. Uma canção que parece tímida diante das outras, mas entrega mais do que se espera.

Tracklist
1. The Eye of the Storm
2. Immortalized
3. The Vengeful One
4. Open Your Eyes
5. The Light
6. What Are You Waiting For
7. You're Mine
8. Who
9. Save Our Last Goodbye
10. Fire It Up
11. The Sound of Silence (Simon & Garfunkel Cover)
12. Never Wrong
13. Who Taught You How to Hate

Line-up
David Draiman - Vocais, Backing Vocals
Dan Donegan - Guitarra, Teclados, Baixo, Backing Vocals
Mike Wengren - Bateria, Percussão, Backing Vocals

Produção: Kevin Churko
Mixagem: Ted Jensen
Engenharia: Steve Churchyard

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22/08/2015

Joias do Youtube #11: Muddy Waters - Live Dortmund, Germany 29/10/1976


Muddy Waters. Um dos deuses do blues, que reverenciou outras lendas e já foi reverenciado por tantas outras. Esse registro de pouco mais de uma hora mostra Muddy em seu conforto, com sua velha guitarra e um banquinho. Bem que poderia ser um trono... A impressão que fica é a de que Muddy está tocando em casa, em seu quintal, somente para amigos. A mais sincera demonstração de paixão pelo que se faz.

O set é curto, mas nada que possa por em xeque nossa percepção do quão genial ele é. Não tão somente ele, a gaita caminha em paralelo e também tem seu show à parte.

E se você reparar, o fechar e abrir de olhos de Muddy em alguns momentos simboliza a paixão de quem faz a alma cantar, e não somente sua boca, como uma entidade divina. Todos da banda têm sua contribuição relevante, mas os holofotes naturalmente estão todos em Muddy, que não contente toca "Howlin' Wolf Blues", numa completa demonstração de gratidão pelo músico de mesmo nome. O baixo de Calvin Jones se deleita para que a guitarra de Muddy seja a estrela que não se apaga. Essa é a tônica do show. Exceto por "Can't Get No Grindin'", mais acelerada com o piano carregando o resto da banda.

"Got My Mojo Workin'" é performada duas vezes no set, o que mostra como é bem-recebida pelo público.

Resumindo, trata-se de uma hora de show, mas poderiam ser três. Quem se importaria?...

Line-up

Muddy Waters: Vocais, Guitarra
Luther Johnson: Guitarra
Bob Margolin: Guitarra
Jerry Portnoy: Gaita
Pinetop Perkins: Piano
Calvin Jones: Baixo
Willie Smith: Bateria
Junior Wells (convidado): Vocais, Gaita

Tracklist
  1. Intro & After Hours
  2. Soon Forgotten
  3. Howlin' Wolf Blues
  4. Hoochie Coochie Man 
  5. Blow Wind Blow
  6. Can't Get No Grindin'
  7. Long Distance Call 
  8. Got My Mojo Workin'
  9. Got My Mojo Workin' (First Encore)
  10. Got My Mojo Workin' (Second Encore with Junior Wells)

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14/08/2015

Resenha | Cássia Eller - Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo [1999]


Cássia Rejane Eller, ou Cássia Eller, teve um sucesso tardio, catapultado pelo disco de 1999, "Com você... meu mundo ficaria completo". E logo após veio o Acústico MTV.

É consumado que "O Segundo Sol", um dos maiores hits da carreira da cantora - atrás apenas de "Malandragem" - é o carro-chefe do disco, mas a diversidade musical é o que coloca o mesmo num ponto fora da curva.

As composições da cantora são de um âmbito poético sem igual, que só se viu até hoje na música nacional nos dinossauros da MPB, além de Renato Russo, Cazuza e Herbert Vianna. O baixo insinuante de "Mapa do Meu Nada"; a flauta que é a cereja do bolo em "Gatas Extraordinárias", e dá um toque de influência nordestina, além de seus versos que demonstram um sentimento de submissão e ao mesmo de vontade obter domínio, um paradoxo e tanto. A canção é de autoria de Caetano Veloso.

"Um Branco, Um Xis, Um Zero" é como um brado - mesmo que intercalado com a serenidade - de uma propriedade ineficaz na música atual e que, aliada à guitarra, repassa ao ouvinte uma assimilação imediata. A faixa-título, assim como majoritariamente o álbum, é de um amor declarado e por vezes dito a todos indistintamente; destaque para a harmonia entre guitarra e teclados. Segue-se o segundo single do disco, "Palavras Ao Vento", uma das mais veneradas na carreira da cantora. A música já foi e é tema de novela, o que mostra que jamais perdeu força em todo esse tempo pós-morte da cantora. A canção é de autoria de Moraes Moreira e Marisa Monte.

O gosto pelo baião de Cássia se mostra fortíssimo em "Aprendiz de Feiticeiro" e "Pedra Gigante", essa última com participação de Bené Fonteles, e com autoria de Gilberto Gil. Para compreender "Infernal", basta imaginar a essência setentista de Stevie Wonder, com aqueles seus sintetizadores, como em "Superstition". "Maluca" é a mais distinta do disco; um tango em que Cássia a acompanha com uma serenidade incomum. Já "As Coisas Tão Mais Lindas" e "Esse Filme Eu Já Vi" não chegam a grandiosidade das outras canções, mas se mostram bem decentes, sendo essa última uma fusão de samba e jazz como nunca se viu na música brasileira.

Basicamente, Cássia teve todo apoio na composição dos maiores da MPB. A produção ficou por conta de Nando Reis, um dos maiores amigos da cantora. Eller se mostra, acima de tudo, uma intérprete única, seja qual for a abordagem nas canções.

Tracklist

  1. O Segundo Sol
  2. Mapa Do Meu Nada
  3. Gatas Extraordinárias
  4. Um Branco, Um Xis, Um Zero
  5. Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)
  6. Palavras Ao Vento
  7. Aprendiz De Feiticeiro
  8. Pedra Gigante
  9. Infernal
  10. Maluca
  11. As Coisas Tão Mais Lindas
  12. Esse Filme Eu Já Vi

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31/07/2015

Resenha | Buddy Guy - Born to Play Guitar [2015]


No dia de ontem, Buddy Guy completou 79 anos. E hoje, dia 31, ele lança "Born to Play Guitar", o sucessor de "Rhythm and Blues", de 2013.

E qualquer questionamento sobre seu rendimento é espantado desde a primeira nota. Guy esbanja sua experiência e mostra uma confiança e qualidade que não se vê no cenário da música atual. Desde as primeiras palavras, Guy mostra sua lucidez e joga a modéstia longe ao dizer "I was born to play guitar / And everybody knows my name". Ele sabe, mais do que ninguém, seu legado. Sabe onde pisa, e que não há ninguém atualmente nesse planeta que possa repousar no trono do Blues. Como dissemos aqui há alguns dias, Buddy Guy é a última lenda do Blues.

Buddy une a fórmula do Blues que nunca se desgasta aos convidados que dão um novo ar, como Joss Stone. A parceria com Kim Wilson em "Too Late" traz uma perspectiva diferente, mas ainda com a guitarra feroz de Guy. O dueto com Joss Stone e a orquestração são pontuais e cirúrgicos. Por vezes o bluesman engrossa o tom de sua guitarra e até sai de seu padrão, como em "Wear You Out", em conjunto com Billy Gibbons, do ZZ Top, mostrando mais claramente o quão sempre influenciou vertentes mais distantes, como o Hard e o Heavy.

Mesmo eternamente alçando a bandeira do Blues como sempre fez, "Whiskey, Beer & Wine" tem um riff parecido com o som de bandas atuais, como Clutch, Wolfmother e outras. Se pudermos definir "Kiss Me Quick", em parceria com Kim Wilson, deve ser considerada como um "Blues de raiz". O som da gaita de início e o ritmo subsequente são absolutamente característicos da origem do Blues, de lugares como Louisiana (sua terra natal) e Mississippi.

"Smarter Than I Was" tem como recurso efeitos na voz de Buddy, mas quem se importa, a guitarra continua inquieta. O teclado martelando e o conjunto de metais cortantes: assim é "Thick Like Mississippi Mud", provando mais uma vez aquela visão que somente os bluesmen tiveram até hoje e que só se pode ver hoje em dia em nomes do Heartland Rock, como Bruce Springsteen. "Come Back Muddy", como diz a própria faixa, é uma recordação e admiração de Buddy a Muddy Waters. E pra fechar, Guy toca em conjunto com outra lenda, Van Morrison, em "Flesh & Bone". A canção é em homenagem à B. B. King, que faleceu em maio desse ano.

A capa sintetiza muito bem o apetite que o bluesman ainda tem, mesmo já tendo conquistado tanto e deixado sua marca na música. Que venham mais álbuns como esse. Nós nunca nos cansaremos de Buddy Guy. Baixe aqui.

Tracklist

  1. Born to Play Guitar
  2. Wear You Out (feat. Billy Gibbons)
  3. Back Up Mama
  4. Too Late (feat. Kim Wilson)
  5. Whiskey, Beer & Wine
  6. Kiss Me Quick (feat. Kim Wilson)
  7. Crying Out of One Eye
  8. (Baby) You Got What It Takes (feat. Joss Stone)
  9. Turn Me Wild
  10. Crazy World
  11. Smarter Than I Was
  12. Thick Like Mississippi Mud
  13. Flesh & Bone (Decidated to B.B. King) (feat. Van Morrison)
  14. Come Back Muddy
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28/07/2015

Buddy Guy é a última lenda do Blues

Fonte: Post-Gazette

Foto por Josh Cheuse

Buddy Guy cresceu em Louisiana, mas alavancou sua carreira no epicentro do Blues elétrico, Chicago, em 1957 depois de se mudar para lá para dar continuidade aos trabalhos de segurança.

Muddy Waters, BB. King, Howlin' Wolf, John Lee Hooker...

Desça a lista das lendas do Blues e todos eles já se foram. A maioria há muito tempo.

Exceto Buddy Guy.

"Ele é maior que a vida", diz Ron "Moondog" Esser, o dono do Moondog, que esteve ocupado com o Pittsburgh Blues Festival Saturday em Hartwood Acres. "Especialmente agora que B.B. King se foi, ele É o cara. Buddy Guy é o cara. Eu não considero Eric Clapton um verdadeiro cara do Blues. Ele é branco e veio da Inglaterra, e realmente é um cara do Rock encarnado num cara do Blues. Buddy Guy é o cara. Quero dizer, é isso."

- Ninguém chega perto?
- Não.

Guy, aos 78 anos, é 11 anos mais jovem que King, que morreu em maio desse ano, e um tipo diferente de showman, que qualquer um tenha visto correr pelo público com sua guitarra tocando licks viciantes como sabem. Uns milhares de casais de Pittsburgh testemunharam, em uma de suas maiores apresentações, no Station Square Amphitheater para o B.B. King Blues Festival em 2000 e 2001.

Ele cresceu em Louisiana, mas alavancou sua carreira no epicentro do Blues elétrico, Chicago, em 1957, após se mudar para lá para dar continuidade ao trabalho de segurança. Depois de ganhar uma competição de guitarra, ele assinou com a Chess Records para uma sessão com Muddy Waters, Howlin' Wolf e Sonny Boy Williamson. A Chess não tinha certeza do que fazer com seu estilo mais agressivo como um artista solo, então "Left My Blues in San Francisco" foi seu primeiro e último álbum com a gravadora.

Ele passou a gravar com Vanguard e em 1969 era apresentado no Supershow na Inglaterra com Eric Clapton, Led Zeppelin, Stephen Stills, Jack Bruce e outros. Ele abriu para os Stones nos anos 70. Mas sem o sucesso comercial que B.B. King teve com músicas como "3'Clock Blues", "Every Day I Have The Blues" e "The Thrill Is Gone", Guy foi mais influente do que popular. Mr. Clapton diria, "Buddy Guy foi para mim o que é Elvis é para os outros."

A popularidade veio depois, por volta de 1990, quando Mr. Clapton o pôs no show dos all-star blues "24 Nights" no London's Albert Hall. O que se seguiu foi uma corrida de álbuns vitoriosos no Grammy em Silverstone: "Damn Right, I've Got The Blues" (1991, com Clapton, Jeff Beck e Mark Knopfler), "Feels Like Rain" (1993) e "Slippin' In" (1994).

Nos últimos anos, ele foi indicado ao Rock and Roll Hall (2005), ganhou outro Grammy (2010, por "Living Proof") e foi premiado em 2012 pelo Kennedy Center Honors.

Mas ele duramente tem relaxado e celebrado seu legado. Ele soa mais vivo do que nunca, e tornou sua guitarra ardente em "Rhythm & Blues", um álbum duplo que lançou em 2013. Ele seguiu com um novo álbum, "Born to Play Guitar", que será lançado agora em 31 de julho, no qual conta com participações especiais de Joss Stone, Kim Wilson, BIlly Gibbons e Van Morrison - num tributo à B.B. King chamado "Flesh & Bone".

A última canção do álbum, "Come Back Muddy", mira um dos caras que o colocou em seu rumo.

"Eu me preocupo muito sobre o legado de Muddy, Wolf, e todos os caras que criaram isso", ele disse recentemente. "Eu quero que as pessoas lembrem deles. É como o carro Ford - Henry Ford inventou o carro Ford, e sem levar em consideração quanta tecnologia eles têm agora, você ainda tem aquela noção que diz "Ford" antes de tudo.

"Uma das últimas coisas que Muddy Waters me disse - quando descobri como ele estava, eu liguei para e disse, 'Estou a caminho da sua casa.' Ele disse, 'Não venha aqui, eu estou bem. Apenas mantenha o Blues vivo.' Todos eles me disseram que se partisse antes de eu fazer isso, então tudo estaria sobre meus ombros. Então, enquanto eu estiver aqui, eu farei o que puder para mantê-lo vivo."

Ainda no palco

Nós não veremos Otis Clay nesse festival de Blues, mas veremos Duke Robillard, que produziu "This Time for Real", esse aclamado encontro do ano de Otis Clay e Billy Price.

O cantor de R&B de Pittsburgh Price se juntará a The Duke Robillard Band no palco, tocando ao lado do guitarrista de Rhode Island conhecido por seu trabalho com Roomful of Blues, The Fabulous Thunderbirds, Bob Dylan e Tom Waits.

Mr. Robillard está se recuperando de uma cirurgia no punho, e passará os deveres da guitarra para Dave Gross e Norman Nardini.

"Nós escolhemos umas cinco ou seis canções do álbum e Norman está aprendendo", diz Mr. Price. "Os dois guitarristas, eles resolverão quem toca o quê."

Aquela conta de sexta, no qual é grátis com uma sacola de itens não-perecíveis para o Greater Pittsburgh Food Bank, também contará com um tributo local para B.B. King com Mr. Price com cantores de Pittsburg, como Chet Vincent, Guy Russo, Clinton Clegg e Jimbo Jackson.

O headliner da noite de domingo Bobby Rush é um tipo diferente de lenda do Blues.

Ele é o "Rei do Circuito de Chitlin'", diz Mr. Esser.

Mr. Rush, nascido em Louisiana em 1933, e criado no Arkansas, fez uma mudança similar para Chicago, onde teve uma aproximação com Muddy Waters, Jimmy e Reed e a gangue. O cantor e tocador de harmonica fez turnê no Sul no Circuito de Chitlin', e alcançou as paradas de R&B no começo dos anos 70 com a canção "Chicken Heads", que apareceria no filme "Black Snake Moan".

"Bobby tem agora pouco mais de 80", diz Mr. Esser. "Eu não quero ser sinistro aqui, mas pode ser a última vez [ele e Buddy] que tocam juntos, ou definitivamente em Pittsburgh."

"Bobby Rush é ótimo e ele está entretendo extremamente", diz Mr. Price. "Ele está bem como dançarinas. É um híbrido perfeito de Blues e funk."

Em outro lugar, o festival, que tem arrecadado mais de dois milhões para o Food Bank nos últimos vinte anos, apresenta o New Breed Brass Band, um grupo de New Orleans co-agenciado por Trombone Shorty; a cantora e pianista de Texas Marcia Ball; e o marcante acordeón de Dwayne Dopsie and the Zydeco Hellraisers, além de outros.

"Nós temos algumas bandas jovens e algumas velhas", diz Mr. Esser. "Será um verdadeira educação para qualquer um que queira uma incursão no Blues."


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25/07/2015

Coheed and Cambria: "Good Apollo..." de um jeito diferente

Faz cerca de 10 anos que "Good Apollo, I'm Burning Star IV, Volume One: From Fear Through the Eyes of Madness", terceiro álbum de estúdio da banda de prog rock Coheed and Cambria, foi lançado. E mesmo uma década depois, o álbum e a banda ainda passam despercebidos no Brasil. Mesmo após terem feito parte do lineup do Rock In Rio IV, em 2011, o som do grupo não caiu nas graças dos brasileiros. Talvez pelo fato de em sua noite no festival ter sido ofuscado por nomes como Motörhead, Slipknot e Metallica.

Fato é que "Good Apollo..." é o melhor disco da banda, - se não o ouviu, ouça aqui - sendo conceitual, como a maioria dos álbuns que são de prog rock; sendo longo - tendo 1h11 de duração - como característica do subgênero, entre outros detalhes. Mas algo tão audacioso e longo merece uma audição minuciosa, o que nem sempre é fácil. E então, da melhor forma possível, Matthew Chastney, ao que parece, entusiasta da banda, disponibilizou no YouTube um novo arranjo para o álbum. Algo totalmente orquestrado, suavizado e contendo muitos elementos, trazendo novas texturas, e o tornando mais "digestível", ao encurtar o álbum de 1h11 para menos de meia hora. Um trabalho brilhante e impecável. Muito diferente do que o Apocalyptica fez com o songbook do Metallica, por exemplo.

Matthew também fez outros arranjos de outros álbuns da banda, e você pode conferir no canal dele.

Confira:
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23/07/2015

Como a classe, os vídeos e a aparência fizeram o Arctic Monkeys gigante na América do Sul


Fonte: Pitchfork

No último inverno, o Arctic Monkeys excursou na América do Sul, um lugar que muitas bandas não podem se dar ao luxo de visitar. Eles já haviam visitado o continente duas vezes antes da turnê, mas na última turnê de seis datas eles tocaram, pela primeira vez, nas mesmas arenas que Miley Cirus, Metallica e Justin Bieber recentemente lotaram.

Os altos custo de ir lá e então resolver o transporte tem tornado as turnês de rock na América do Sul algo raro e que somente as maiores bandas e artistas podem se dar ao luxo, mas uma combinação interessante de avanços econômicos e interesse maior do público está mudando o cenário e tornando o continente uma válvula de escape para a indústria da música.

O público latino dos Monkeys foi atingido quando lançaram seu vídeo para "Snap Out of It", com a atriz Stephanie Sigman. A atriz, que também apareceu no agora cancelado programa da FX "The Bridge", tem uma grande presença na América Latina. Esse elenco é uma parte da linguagem cifrada que os Monkeys têm aproveitado para se comunicarem com a público latino.



Para promover seu álbum "AM", o vocalista Alex Turner criou um personagem para suas performances, um homem com cabelo penteado para trás e um olhar rockabilly, que veste couro, tem aparência hiper-masculina, e canta músicas altamente emocionais. A maioria das letras refletem uma disfunção em relacionamentos. O professor de Literatura e Cultura Latino-Americana Jason Borge, da Universidade de Texas, diz que "essa imagem de soturno, de escárnio, gótico e rebelde" tem trazido apelo aos latino-americanos de volta ao século XX. Mas os brasileiros, em particular, têm um único relacionamento cultural com a banda e o rock em geral.

Quando os Arctic Monkeys tocaram no Rio de Janeiro, eles lotaram o HSBC Arena, onde acontecerão os jogos de basquete das Olimpíadas 2016. O ginásio tem capacidade para mais de 18 mil pessoas para shows, mas essa fração, diz Borge, consiste provavelmente de uma parte específica da sociedade brasileira.

"Crianças [brasileiras] de classe média, pessoas jovens e intelectuais, em sua maioria brancos, estabelecem credibilidade atrávés de sua busca pelo cultura popular estrangeira", explica Borge. "Os permite a tocar ou mostrar rejeição ao status quo, particularmente eles estão abraçando a aparência rebelde de celebridades como James Dean, Elvis ou Mick Jagger."

Melhorias na infra-estrutura de telecomunicação, aumento nas vendas de smartphones, e a notícia de uma lei de neutralidade na internet adotada recentemente no país contribuiu para a grande popularidade no uso de serviços de streamings, como iTunes, Deezer, Spotify, Rdio e VEVO, todos eles trazidos ao Brasil nos últimos três anos. Clipes têm se tornado uma ferramenta popular para descoberta de música no Brasil, de acordo com o advogado de entretenimento Martin F. Frascogna. "O Brasil é um mercado muito visual. Muitas pessoas estão encontrando novos artistas globais via YouTube e outras plataformas," diz Frascogna. "Não é necessariamente como nos outros mercados, como Argentina ou México. Por conteúdo interessante no YouTube, junto com o recurso "tip jar", no qual não tem sido abraçado completamente pela indústria ainda, permitirá aos artistas muito mais o streaming em regiões específicas."

Há muitos poucos mercados desenvolvidos onde as vendas digitais estão crescendo. Nos EUA elas caíram em 2013, em favor do streaming que cresceu 39%. Brasil, um país que só teve sua loja da iTunes no fim de 2011, é um dos poucos países capazes de gerar uma boa receita de um mercado em declínio para gravadoras.
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Como as crianças reagem aos Beatles


O som de uma uma década eternizado, e que já passa de meio século. Você pode não curtir, ou simplesmente curtir os maiores hits ou ouvir a discografia num único dia. Não importa. Os garotos de Liverpool sempre devem ser reverenciados.

Se você curte muito, provavelmente deve ter um período favorito, seja ele o primeiro, mais pop, romântico e doce (1962-66), seja a positividade e a descoberta do LSD no segundo período (1967-70). Mas, musicalmente falando, a primeira era dos Beatles foi capaz de angariar mais fãs, não diria entusiastas, mas o tipo de apreciador mais casual, enquanto o legado da segunda era pode ser considerado mais duradouro. Mas que tal conferir a reação das pessoas em sua fase mais espontânea? Sim! As crianças! Nada melhor que isso. Elas demonstram todo seu amor, se assustam ao ver a segunda era da banda, dizem quais são seus membros favoritos, etc. A mudança de semblante é o que mais surpreende.

Confira:

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17/07/2015

Wilco lança novo álbum surpresa de graça


Fonte: Pitchfork

O álbum está disponível agora no Youtube; confira abaixo. A banda também anunciou que o álbum estará grátis até 13/08, com o lançamento do CD em 21/08 e vinil em 27/11.

Wilco teve o lançamento-surpresa de seu 11º primeiro álbum de estúdio de graça por meio do seu website. É chamado "Star Wars", e o download será grátis por um período limitado. Baixe aqui.

"Star Wars" é o sucessor de "The Whole Love".

De acordo com o Twitter da banda, o novo lançamento conta com 11 canções originais. Confira a tracklist abaixo:

  1. EKG
  2. More...
  3. Random Name Generator 
  4. The Joke Explained
  5. You Satellite
  6. Taste the Ceiling
  7. Pickled Ginger
  8. Where Do I Begin
  9. Cold Slope
  10. King Of You
  11. Magnetized

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16/07/2015

Cinefilia Musicaholic | Watchmen [2009]


Um filme de 2009, que é, na real, uma adaptação dos quadrinhos de 1986/87, mas tem sua trilha ambientada basicamente nos 60s e 70s. Soou confuso para você? Pois saiba que o contraste é dos mais incríveis já vistos.

O primeiro petardo é o maior hit de Nat King Cole, "Unforgettable", sendo a primeira cena do filme. A violência da cena parece mitigada diante da suavidade em Cole. "The Times They Are A-Changin'", do Bob Dylan, é uma síntese das mais adequadas para o filme, retratando sua essência. A harmonia vocal de Simon & Garfunkel sempre apreciada aparece na icônica "The Sound of Silence", e se mostra-se a escolha perfeita diante de sua cena - e nem é preciso dizer porque se você captar a mensagem da canção (sem spoilers por aqui).

A imortal voz rasgada de Janis Joplin está presente em "Me and Bobby McGee". Analisando friamente a trilha oficial, o peixe fora d'água é, sem dúvida, a disco "I'm Your Boogie Man", do KC & The Sunshine Band, o que não necessariamente se mostra uma escolha errada para o filme. A graciosidade do jazz volta com Billie Holiday em "You're My Thrill", mesmo que a origem da canção seja de uma música popular de 1933.

A dramaticidade fica por conta das faixas excêntricas da trilha, as eruditas "Pruit Igoe" e "Prophecies", do compositor Philip Glass, além da Orquestra de Budapest com "Ride of The Valkyries". E se você ainda acha questionável a trilha, o filme conta com "Hallelujah", a original, na voz de Leonard Cohen, uma das músicas mais performadas em todo mundo até hoje, inclusive. Além da incendiária "All Along The Watchtower". Um daqueles raros casos que uma versão original boa - nesse caso a de Dylan - conta com um cover tão fantástico com a lenda Jimi Hendrix. E pra fechar, nada mais nada menos que a inquieta e tão convicta Nina Simone com "Pirate Jenny".

A faixa final é controversa. O My Chemical Romance foi capaz de reduzir "Desolation Row", original de Dylan, de 11 para menos de 3 mins. Ganhou peso, e polêmica, claro.

Tracklist:

  1. My Chemical Romance - Desolation Row (3:01)
  2. Nat King Cole - Unforgettable (3:28)
  3. Bob Dylan - The Times They Are a-Changin' (3:14)
  4. Simon & Garfunkel - The Sound of Silence (3:07)
  5. Janis Joplin - Me and Bobby McGee (4:31)
  6. KC and the Sunshine Band - I'm Your Boogie Man (4:03)
  7. Billie Holiday - You're My Thrill (3:24)
  8. Philip Glass - "Pruit Igoe" and "Prophecies" (8:37)
  9. Leonard Cohen - Hallelujah (4:37)
  10. The Jimi Hendrix Experience - All Along the Watchtower (4:01)
  11. Budapest Symphony Orchestra - Ride of the Valkyries (5:22)
  12. Nina Simone - Pirate Jenny (6:39)

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13/07/2015

A origem do Dia Mundial do Rock



O Dia Mundial do Rock virou uma tradição há alguns anos, mas ainda assim, muitos não sabem a origem. O Rock é sexagenário já, podemos dizer, mas o Dia Mundial do Rock ainda está em sua crise de meia idade.

A comemoração da data vai muito além do som com guitarras cheias. O ideal está acima de tudo. Sua origem veio em 1985, por meio do Live Aid, evento beneficiente em prol da fome na Etiópia, assim como houve no mesmo ano o USA for Africa, conhecido pela canção "We Are The World", com Michael Jackson à frente de todos.

O Live Aid contou com apresentações na Inglaterra, EUA, além de mais alguns shows na Austrália e no Japão. Entre os artistas e bandas, nomes como Phil Collins, Led Zeppelin em reunião, Sting, Sade, Status Quo, Elton John, David Bowie, Dire Straits, Joan Baez, Black Sabbath, The Who, B. B. King, Madonna, e por aí vai.





Confira nossa playlist especial para a data:

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04/07/2015

Covers #31: The Police vs Matisyahu


Em seu pouco tempo de existência, ainda assim foi possível notar a forte influência que o Police sempre teve sobre o reggae e o ska. O exemplo mais evidente sempre será "Roxanne", claro, em que nota-se que o abalo sísmico que Bob Marley causou na época. Mas "Message In A Bottle" já não se mostra assim, entretanto, foi capaz de influenciar artistas dos gêneros acima citados. O hit - talvez o maior ao lado de "Every Breath You Take" - faz parte do álbum "Reggatta De Blanc", de 1979. A música conta com aquela linha de bateria sempre previsível de Stewart Copeland. Previsível, mas essencial, vale lembrar. Além, é claro, do riff quase sem variações, mas que jamais se torna maçante.

Do outro lado, a versatilidade de Matisyahu é admirável, e a fidelidade ao original é enorme, apesar de ele fazer um medley antes do solo final, o que não significa que o músico americano que prega o judaísmo se esconda fazendo mais do mesmo. A autenticidade se encontra em seu timbre, o que já é suficiente para dar uma nova cara a canção.

Confira as versões:

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03/07/2015

Cinefilia Musicaholic: American Hustle [2013]


Baseado em fatos, "American Hustle", ou "Trapaça" no Brasil, conta com um elenco de peso - sem trocadilhos com Christian Bale no longa. Portanto um elenco desse nível merece uma trilha a altura, da mais alta qualidade. E não é diferente. Da forma mais abrangente que se pode imaginar, a trilha oficial do filme que se passa em 1978 conta com canções propícias a sua época, incluindo a disco, R&B, jazz, além de artistas que marcaram mais de uma geração, como Paul McCartney e Elton John.

Entre o meio jazz está Duke Ellington, no qual é muito bem citado, servindo até de influência para a nova geração que conhece pouco do gênero, com uma frase marcante do personagem de Bale sobre 'Jeep's Blues': "Quem começa uma música assim?". Donna Summer e as lendas do Bee Gees dão o toque disco, apesar de esse último soar mais pop com alto grau de lamento, e ainda assim contando com a harmonia vocal característica do grupo. O Electric Light Orchestra colabora com duas canções, sendo "10538 Overture" parecendo ter seu riff usado em "Light It Up", do Rev Theory, em 2008.

"I Feel Love", da Donna Summer é, em contraste com a cena, uma ótima escolha, com sua música disco praxe, mas que tem um bom toque psicodélico. Harold Melvin & The Blue Notes colaboram com "Don't Leave Me This Way", que soa como aquele R&B e Soul que a Motown popularizou no fim dos anos 60, apesar de essa canção ter sido lançada pelo selo Philadelphia. A orquestração e a influência mexicana em "Delilah", de Tom Jones, dá o tom sessentista essencial ao longa. Sem falar no clássico "A Horse With No Name", do America, que já foi usada tantas vezes na cultura pop, mais recentemente em uma cena da série Breaking Bad.

Tracklist

1. Jeep's Blues - Duke Ellington
2. Goodbye Yellow Brick Road - Elton John
3. White Rabbit - Mayssa Karaa
4. 10538 Overture - Electric Light Orchestra
5. Live And Let Die - Wings
6. How Can You Mend A Broken Heart - Bee Gees
7. I Feel Love - Donna Summer
8. Don'T Leave Me This Way - Harold Melvin & The Blue Notes
9. Delilah - Tom Jones
10. I'Ve Got Your Number - Jack Jones
11. Long Black Road - Electric Light Orchestra
12. A Horse With No Name - America
13. Stream Of Stars - Jeff Lynne
14. Live To Live - Chris Stills
15. Irving Montage - Danny Elfman


Abaixo você pode conferir no Youtube a trilha oficial, além de canções no Spotify que são tocadas no filme, mas não foram inclusas.


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28/06/2015

Resenha | Neil Young + Promise The Real - The Monsanto Years [2015]


Se há alguém na música em que se pode fazer uma metáfora com vinho, esse alguém é Neil Young. O lendário músico canadense, que neste ano completa 70 anos, lançou nesse último mês seu 36º álbum de estúdio, intitulado "The Monsanto Years", em parceria com o Promise The Real, banda que conta com dois dos filhos da lenda do country Willie Nelson. Provando que ainda há muita lenha para queimar, Neil fez do disco mais um álbum conceitual, dessa vez em protesto à multinacional Monsanto, uma das maiores no ramo agrícola. Mas não somente se trata da Monsanto o álbum.

"A New Day for Love" é uma grande faixa de abertura, e demonstra-se inconfundível diante da voz de Young e de um riff lento, mas que se encaixa perfeitamente. A canção é um chamado em defesa dos oprimidos, que vivem sob suas terras ameaçadas por grandes corporações. Totalmente acústica, "Wolf Moon" traz uma voz mais cansada de Young, - o que por vezes se torna inevitável diante de sua idade - além de ser a faixa mais curta do disco. O álbum tem uma grande elevação novamente com "People Want To Hear About Love", mais um riff executado com excelência com uma letra completamente direta que, se interpretada por completo, pode-se notar que vai na contramão do que diz a clássica "All You Need Is Love", dos Beatles. Young ironiza, ao sempre expor que as pessoas só se importam com o amor, como se fosse ele a solução de tudo, e que se isso for feito, vários âmbitos sempre serão deixados de lado.

"Big Box" é mais um dos protestos veementes, uma acusação aos quatro cantos do globo do egoísmo corporativo que assola a Terra. Um dos acusados é a rede de hipermercados Walmart, e, mais uma vez, Neil ironiza, ao dizer "Corporations have feelings, corporations have soul [...] Too big to fail, too rich for jail" ["Corporações têm sentimentos, corporações têm alma [...] Grandes demais para falhar, ricos demais para serem pegos"]. A faixa também se torna a mais longa do disco, contendo pouco mais de oito minutos.

"Rock Star Bucks A Coffee Shop": De uma vez só, e em cinco minutos, o canadense detona duas das maiores marcas mundiais: a rede de café Starbucks e, novamente, a Monsanto, numa tentativa de boicotá-la. Como um tapa na cara para os CEO's das duas marcas, ele diz: "Mothers want to know what they feed their children" ["As mães querem saber como eles alimentam seus filhos"], utilizando de um pensamento simples que poderia, de alguma forma, conscientizar os fiéis clientes de ambos.

"Workin' Man" tem uma ótima linha de baixo, que se remete ao ritmo cinquentista, em músicas como as de Johnny Cash em seu começo de carreira, mas não deixando de lembrar de Bob Dylan em "Highway 61 Revisited". Como não poderia deixar de ser, há mais uma acusação caindo sobre a Monsanto, dessa vez com Neil contestando o fato de a Supreme Corte ter aprovado uma lei que favorecia a multinacional. Diferentemente de "Workin'...", "Rules of Change" é mais cadenciada, como num pedido leve do músico, ao dizer "Seeds are life it can't be owned [...] Life cannot be owned" ["Sementes são vida, não podem ser dominadas [...] A vida não pode ser dominada"].

Na faixa-título a crítica se estende ao fato de a Monsanto destruir a vida. Um dos pontos é o uso de venenos. "Monsanto..." se desenrola até entrar em uma parte final com um riff bastante decente.
A última faixa, "If I Don't Know", é a mais chorosa do álbum, se arrastando e brandando por trazer de volta tudo aquilo que sempre foi nosso, tudo que sempre foi dos cidadãos.

Não é a primeira e provavelmente não será a última vez que Neil Young usará de protesto em suas canções, o que sempre foi um marco na sua carreira. Mas talvez esse seja o protesto mais veemente que já se viu do artista. Algo admirável, bem fundamentado e esclarecido, com potencial para se tornar um clássico em não muito tempo.


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26/06/2015

Resenha | James Taylor - Before This World [2015]


Foi uma longa espera. 47 anos até que um álbum de James Taylor, agora com 67 anos, conseguisse o #1 da Billboard. "Before This World", lançado no último dia 15, é o que se espera do veterano. "Before..." é soft rock, marca registrada da carreira do cantor americano, mas por vezes também country. É o primeiro disco de inéditas em 13 anos.

"Today Today Today" é vagarosa e conta com um conjunto de cordas que agrega muito, além, é claro, da gaita. O violoncelo é parte essencial para dar o tom em "You and I Again", além do eufônio e clisforne. "Angels of Fenway" é sustentada pela voz de Taylor ainda caindo nas graças do público, e tem apoio de Caroline Taylor. "Stretch of The Highway", é, talvez, a canção mais doce do disco. Grande parte desse status se deve à introdução dos metais, com um sax vigoroso e pontual, que faz um belo conjunto com as cordas. Lenta em sua estrutura, "Montana", sem nenhum destaque instrumental, se mostra um tanto aquém da média de nível que o álbum apresenta.

Já no segundo lado do disco, "Watchin' Over Me" é animada, e demonstra um dinâmica interessante aliada à harmonia vocal. O jogo de palavras faz "Snowtime" soar ótima, numa crescente fazendo novamente a harmonia vocal ganhar destaque. A faixa-título, junto com "Jolly Springtime" conta com uma harmonia entre violoncelo e violão impecável. "Far Afghanistan", como o próprio nome indica, é uma canção de protesto. É direta em sua mensagem. Sem rodeios, Taylor conta os efeitos da guerra e o quanto os EUA ainda não aprenderam a lição. O 9/11 é citado, além o de o cantor dizer: "Eu estava pronto para ser aterrorizado e pronto para ficar louco." Pra fechar, vem "Wild Mountain Thyme", usando da natureza como metáfora, fazendo um paralelo com o amor.

Ouça o álbum completo:

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19/06/2015

Dire Straits: Quando "Sultans of Swing" não era um hit

Matéria traduzida da UDiscover Music

Sendo parte da história do rock, agora é estranho pensar que “Sultans of Swing” não entrou nas paradas mesmo quando foi pela primeira vez lançada há 37 anos pelo Dire Straits, em 19/05/1978.

A composição de Mark Knopfler era, de alguma forma, parte da curva ascendente da banda naquele ano. Eles foram apoiados pela BBC Radio London, notavelmente no show para rádio do escritor e locutor Charlie Gillett, e foram rapidamente ganhando reputação como uma das bandas mais quentes no palco – quase vivendo fora da vida da banda funky descrita na letra da música.

“Sultans...” não somente continua a tocar nas rádios, TV, propagandas de varejo e muitos outros lugares nos dias de hoje, mas teve influência no novo álbum solo de Knopfler, “Tracker”, especialmente na canção “Beryl”. ‘Eu acho que há um aceno claro ao antigo Straits’, diz Knopfler.  ‘Aquilo era algo deliberado, indo à um período porque parecia vestir a canção. Eu tirei uma parte de “Sultans of Swing” por essa razão, porque alguma coisa você associaria àquela época.”

Knopfler também lembra os dias passados de suor e trabalho quando o Dire Straits realmente estava fazendo o papel descrito em “Sultans of Swing”. ‘Você apenas ia de show em show esperando manter todos juntos,’ ele diz, ‘e esperando entrar na turnê, na qual nós gerenciávamos para fazer. Você só leva a partir daí.’


No mês que o single foi lançado no Reino Unido (a primeira vez), os Straits entraram em turnê com o Climax Blues Band, e fizeram shows europeus abrindo para o Styx. Em junho, eles tocaram seu primeiro show na turnê britânica como headliners, mas “Sultans...” não se tornou um hit até o novo ano de ’79, quando a banda entrou nas paradas norte-americanas com seu debut auto-intitulado e depois o single, o qual alcançou o #4. De volta ao Reino Unido, alcançaram o #8, e eles estavam bem e verdadeiramente em seu caminho.

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18/06/2015

Joias do Youtube #10: Chico Science e Nação Zumbi @ Central Park


De Pernambuco para o mundo!!! Há exatos 20 anos, Chico Science liderava a Nação Zumbi, com participação especial de Gilberto Gil, numa apresentação épica no Central Park, em Nova York. Até aí, um grupo brasileiro tocar no exterior não é nenhuma novidade. Os Mutantes, por exemplo, fizeram muito sucesso lá fora. Raul Seixas também era visto com bons olhos na gringa. Mas a questão é mais profunda: o som pelo qual a Nação ficou famosa não é como a Bossa Nova de João Gilberto, Tom Jobim e outros. O manguebeat sempre foi regional. Não chegou a fazer com que surgissem grupos de alto escalão do gênero em outras regiões Brasil afora. Mas Chico Science foi capaz de unir o Maracatu ao Rock, conquistar o Brasil nos anos 90 e exportar sua sonoridade autêntica aos EUA.

Foi o primeiro show do grupo no exterior, em abertura para o próprio Gilberto Gil. Eles vieram a tocar em outros locais lendários, como CBGB, além de outros bares conhecidos dos EUA. A atual formação da Nação tocará no mesmo local, em homenagem aos 20 anos desse marco.

Essa é uma conquista não somente de Science e da Nação Zumbi, mas da música brasileira.

No vídeo abaixo, você pode conferir a apresentação, bem como entrevistas do Gil, o músico Arto Lindsey, Fred 04, além do próprio Chico.

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16/06/2015

Resenha | Faith No More - Sol Invictus [2015]


Dezoito anos de espera. DEZOITO! A expectativa não poderia ser mais alta. Muito aconteceu com todos os integrantes do Faith No More. Mike Bordin trabalhou com Ozzy Osbourne; Roddy Buttom entrou em vários projetos; Billy Gould idem; Mike Patton trabalhou com o Fantômas, Tomahawk e outros. Mas juntos eles são capazes de algo realmente grandioso. Todos sabemos disso. E a espera valeu. O FNM trouxe à tona a sintonia que sempre tiveram.

"Sol Invictus", nome em latim para "Sol não-conquistado", mostra o eterno lado experimental da banda dessa vez unido com o clima soturno. E isso já fica evidente na faixa-título, primeira do disco, totalmente ritmada. "Superhero", divulgada antes do lançamento, foi uma escolha perfeita para single, tendo papel fundamental de Billy Gould, com uma linha de baixo vistosa, e tornando a canção, ao lado dos teclados de Buttom, completamente urgente; a letra retrata o poder em mãos erradas na sociedade e a megalomania. "Sunny Side Up" conta com uma vocal cortante de Patton, além de total sintonia entre ele e o riff e Jon Hudson.

"Separation Anxiety" é pouco inspiradora, e, em sua essência, bem executada por Billy. A letra é bem fundamentada, evidenciando a dificuldade de lidar com a crescente violência e de outros males, com a angústia como uma entidade, causando trauma. "Cone of Shame" é lenta, mas ascendente, e põe em questão as falsas aparências. Pode-se notar nela uma influência de horror punk na narrativa de Patton. "Rise of The Fall" soa um tanto dançante, com uma linha simples de bateria de Mike Bordin. "Black Friday" expõe o consumismo exacerbado e a ilusão, como o próprio nome diz [a liquidação americana pós-Dia de ação de graças, que nos últimos anos tem sido feita também no Brasil]. A canção conta com violões desembocando no peso das guitarras no refrão.

"Motherfucker", outra que virou single e foi divulgada antes do lançamento do CD, teve sua letra composta com maestria, cheia de metáforas, mostrando um cenário de uma sociedade indefesa. "Matador", a faixa mais longa do álbum, tem um Mike Patton inspirado no doom em alguns momentos, mais precisamente Candlemass em "Samarithan". "From The Dead" é ritmada como "Black Friday" e tem contribuição do violão, mas não progride como na outra faixa.

O retorno do FNM não poderia ser melhor. "Sol Invictus" é diferente sem deixar de ser Faith No More, tendo os pés no chão.

Tracklist:
  1. Sol Invictus
  2. Superhero
  3. Sunny Side Up
  4. Separation Anxiety
  5. Cone of Shame
  6. Rise of The Fall
  7. Black Friday
  8. Motherfucker
  9. Matador
  10. From The Dead


Membros
Mike Bordin - Bateria
Roddy Buttom - Teclados e Vocais
Mike Patton - Vocais
Billy Gould - Baixo
Jon Hudson - Guitarra

Produção
Billy Gould - Produtor e Engenheiro de Gravação
Matt Wallace - Engenheiro de Mixagem
Maor Appelbaum - Engenheiro de Masterização

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15/06/2015

Resenha | Muse - Drones [2015]


O Muse volta às paradas e lança o sucessor de "The 2nd Law", de 2012. "Drones" já havia ganhado forma há algum tempo, diante das tantas músicas divulgadas antes de seu lançamento, na última semana. Produzido por ninguém menos que Robert "Mutt" Lange, responsável por "Highway to Hell" e "Back In Black", do AC/DC, além de nomes como Def Leppard, Shania Twain e Nickelback, o disco conta com uma mudança moderada de som com relação ao seu antecessor. "The 2nd Law" soa completamente pop de forma experimental, sendo que em "Drones" a guitarra de Bellamy é mais evidente em alguns pontos do álbum.

Apesar de musicalmente comercial, o disco tem seu viés politizado. "Dead Inside", divulgada anteriormente, conta com uma batida pop que em seu fim se acelera e ganha melhor forma, além de contar com um riff de guitarra curto. A letra fala sobre a vida de aparências que vivemos. "Drill Sergeant", um discurso de sargento, vem como um interlúdio para "Psycho", uma das melhores faixas do disco, retratando a lobotomia e o desejo de controle que a humanidade demonstra, um ao outro, como se você se tornasse uma marionete - não poderia ser mais atual que isso.

Os sintetizadores permeiam "Mercy", uma verdadeira chamada para o que assola o planeta atualmente, e os recursos eletrônicos nela são muito bem utilizados. "Reapers" tem um início à la "Eruption" do Van Halen, porém mais eletrônico, a guitarra se torna evidente e com um riff bem linkado, porém a voz de Bellamy com os efeitos acaba por tirar o apreço que a música poderia causar. "The Handler" vem com, talvez, o riff mais consistente de guitarra. A seguir, mais um interlúdio, o discurso de John Kennedy em "JFK" dando abertura à "Defector", com uma referência clara ao Queen no que diz respeito à harmônia vocal, fazendo alusão à lendária "Bohemian Rhapsody".

"Revolt" é, de fato, uma das canções mais diretas do álbum. Em seus quatro minutos há pouco experimentalismo, e um riff em conjunto com o vocal de Bellamy sóbrio. Cadenciada e mergulhada nos sintetizadores diante de um dedilhado na guitarra, "Aftermath" se mostra eficiente sem muito alarde. "The Globalist" mostra a eterna influência que o grupo tem dos anos 70, especialmente Rush. Épica, a canção começa com um clima western e em ritmo crescente até explodir no meio da faixa e voltar a diminuir o ritmo lentamente. O disco se encerra com a faixa-título, ao estilo música sacra, um lado que até hoje o Muse não havia mostrado.


Tracklist:
  1. Dead Inside
  2. [Drill Sergeant]
  3. Psycho
  4. Mercy
  5. Reapers
  6. The Handler
  7. [JFK]
  8. Defector
  9. Revolt
  10. Aftermath
  11. The Globalist
  12. Drones


Membros
Matthew Bellamy - guitarra, vocais, piano e sintetizadores
Critsopher Wolstenholme - baixo e vocais
Dominic Howard - bateria

Produção
Robert John "Mutt" Lange - Produtor
Tommaso Colliva - Engenheiro de Gravação
Rich Costey - Engenheiro de Mixagem
Giovanni Versari - Engenheiro de Masterização (exceto faixa 1)
Bob Ludwig - Engenheiro de Masterização (faixa 1)
Matt Mahurin - Arte do álbum; Ilustrações das músicas

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14/06/2015

Covers #30: Pink Floyd vs Shadows Fall


Incorporar o som de uma banda do nível do Pink Floyd não é fácil. Musicalmente falando, a essência progressiva do Floyd é difícil de ser encarnada. Especialmente se for uma banda de metal. O Shadows nasceu em 1995, mas ainda no começo resolveu incluir um cover de "Welcome to The Machine", do clássico "Wish You Were Here" do Floyd. A versão cover faz parte do disco The Art of Balance", de 2002. Um tanto quanto cauteloso, o Shadows Fall resolveu ser fiel ao original, mantendo os vocais e acrescentando um arranjo e um riff de guitarra. Até os sintetizadores foram mantidos. Ainda assim, a banda confessou que a música foi "ilhada" diante do segmento que o álbum em si representava, fazendo com que a mesma ficasse sem a devida visibilidade. Uma decisão que claramente pode não agradar nem o lado prog nem o lado metal. Confira você mesmo e nos diga o que achou:


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12/06/2015

Os 50 álbuns que (quase) tiveram surpreendentes nomes (Parte 4)



4ª e última parte da nossa matéria. Confira também as outras partes:

1ª parte
2ª parte
3ª parte

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10/06/2015

06/06/2015

Os 50 álbuns que (quase) tiveram surpreendentes nomes (Parte 1)

Matéria traduzida da NME


Uns intrigantes. Outros até melhores que o que foi escolhido. Forme sua opinião conosco!

Confira a série completa:
2ª parte
3ª parte
4ª parte




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05/05/2015

Dire Straits: Como foi feito o "Brothers In Arms"

Fonte: Matéria traduzida da Classic Rock


Em seu 30º aniversário, olhamos de volta para o álbum que transformou o Dire Straits em uma das maiores bandas de rock britânicas dos anos 80.

Em novembro de 1984, Mark Knopfler se juntou ao Dire Straits no Air Studios na ilha caribenha de Monserrat para fazer seu quinto álbum de estúdio. Posteriormente liberado em 13 de maio de 1985, "Brothers In Arms" provou ser um fenômeno consistente. Alcançou o topo das paradas pelo mundo e deu ao Straits dois Grammys e um Brit Award. Indo de encontro, chegou a marca de 30 milhões de cópias, nada mal para um álbum alavancado por um vídeo com um lamento de cara gordo em desenho animado sobre a MTV e "Money for Nothing". Esse é um retrato de como a história de um dos álbuns oitentistas mais vendidos na Grã-Bretanha foi feita...

Ed Bicknell [Gerente do Dire Straits]: "O tempo inteiro eu trabalhei com ele, eu nunca pedi ao Mark quando deveria ser a próxima gravação. Ele me disse quando queria. Em paralelo com 'Brothers In Arms' ele estava fazendo a trilha sonora para o filme 'Cal'. Nós estamos indo para o estúdio um dia e ficamos presos no trânsito. Ele virou para mim e me pediu para alertar os caras que ele queria obter algumas músicas juntos. Eu me lembro de ir para os ensaios e escutar 'Money for Nothing' pela primeira vez. Quando eu era agente tinha uma turnê com o ZZ Top e era um grande fã do estilo frizado de guitarra que o Billy Gibbons usava. Eu posso estar errado, mas eu tenho um sentimento de que Mark pode ter escutado um pouco de ZZ Top. Eu pensava que a canção dele tinha um quê de hit, mas ninguém poderia ter previsto o que viria a acontecer com aquele álbum."

John Illsley [baixista]: "Nós gastamos muito tempo em ensaios tocando com diferentes ideias, então nós estávamos bem preparados pelo tempo que fomos para Monserrat para começar a gravar. Então nós tivemos um problema com a fita depois de três semanas de estadia lá. Durante a noite, a fita digital resolveu apagar algo como 70% das coisas que tínhamos gravado. Foi nos primeiros dias da era digital e nós tínhamos que começar a gravar tudo de novo."


Alan Clark [tecladista]: Naquele momento, Monserrat foi como Shangri-La. Era o mais lindo, pacífico lugar que você poderia possivelmente querer visitar. Nós acabamos conseguindo Omar Hakim na bateria para aquele álbum e nós finalizamos as faixas de backing em uma semana. Mark queria ouvir a faixa de bateria primeiro e então nós construímos o resto da música a partir dela. 'Ride Across The River" e 'Why Worry' foram feitas assim. Nós tínhamos uma intuíção de que 'Money for Nothing' viria a ser um riff clássico de guitarra desde a primeira vez que Mark a tocou."

Ed Bicknell: "Eu também lembro de ouvir 'Your Latest Trick' em Monserrat, no qual é a única música deles que eu nunca tive qualquer envolvimento. Foi originalmente tocada como um número de bee-pop jazz e não estava funcionando, não havia groove. Eu sugeri a Mark que ele tentasse como uma bossa nova e tirasse uma das batidas, e foi o que eles fizeram. 'Walk of Life' não entraria no disco. Eu estava no estúdio em Nova York quando Mark e [produtor] Neil Dorfsman estavam mixando a faixa e eu não tinha a ouvido. Mark disse que seria uma b-side. Eu disse a ele que era um hit em uma b-side e ela deveria estar no álbum. Foi realmente um single de vendagem maior no mundo que 'Money for Nothing'. Mark era um grande fã do Animals quando era criança e ele costumava ir e vê-los no Newcastle City Hall. Alan Price costumava tocar um órgão Farfisa e Mark estava olhando para recriar o som daquilo na abertura de 'Walk of Life'."


John Illsley: "A turnê de 'Brothers In Arms' foi enorme, com certeza. Foi uma realização em que a banda alcançou um ponto que foi único e que aproveitamos. Nós fizemos a canção 'Brothers In Arms' como um bis e tinha um arrepio na espinha toda noite que nós tocávamos. Eu estava falando sobre aquele tempo com Mark outro dia. Você não pode voltar e repetir aquilo tudo de novo: é o melhor deixar aquelas boas memórias intactas." 

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18/04/2015

Joias do Youtube #9: The Doors - Live at Bowl '68


Chame de insano, poético, teatral, furioso... As performances de Jim Morrison no palco são louváveis de mil adjetivos. A verdade é que a inquietude de suas letras se refletia nos shows. Como prova disso, nada melhor do que mostrar um dos melhores registros da banda. Em 1968, já com o debut lançado, o Doors fez um show sensacional no Hollywood Bowl.

Diante do "Verão do Amor" e da psicodelia de '67, o Doors trouxe uma abordagem paralela à tudo isso. A bateria jazzística de John Densmore e o órgão de Ray Manzarek traziam uma densidade nunca antes vista.

Se naquele ano o mundo não tinha conhecimento de canções como "Touch Me", "Roadhouse Blues", "L.A. Woman", "Love Her Madly" e "Riders On The Storm", no ao vivo a banda ainda foi capaz de deixar de fora, por exemplo, "Love Me Two Times".

No repertório, clássicos como "Hello, I Love You", "Alabama Song", "Light My Fire", e, de encerramento, a icônica "The End".


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Black Sabbath: A produção da capa de "13"


Todos nós estamos no aguardo do que pode ser o último álbum do Sabbath, mas enquanto isso, ficamos com o making of para a capa de "13", mais recente álbum da banda inglesa. A capa, fotografada por Jonathan Knowles, não teve nenhuma computação gráfica. Feita pela agência Zip Design, a foto foi tirada na paisagem de Buckinghamshire, no sul da Inglaterra, ao anoitecer, com o número feito de vime.

O vídeo você pode conferir logo abaixo:

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04/03/2015

Covers #29: Tears for Fears vs Disturbed


O Tears for Fears dominou os anos 80, é bem verdade, com o toque certo de pop em conjunto com outras influências musicais, como o jazz, por exemplo. "Shout" foi, e é até hoje, um dos maiores sucessos, com seu refrão grudento, tendo sido número 1 das paradas por algumas semanas. Não é pra menos. Cheia de elementos e com Orzabal dando 110% de si, a canção teve seu devido reconhecimento. Uma verdadeira canção de show em estádio.

A homenagem veio 17 anos depois. Em seu debut, o Disturbed a performou. Sem todos aqueles elementos e um apelo vocal digno de coro em estádio, a banda foi simples, como numa tentativa de não causar polêmica por mudar completamente o que a canção representa, e sim apostar num cover seguro - diferente do que viria depois, lançando "Land of Confusion", do Genesis.

O resultado você pode conferir abaixo:



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28/02/2015

Resenha | A autobiografia de Johnny Cash


Nascido em Kingsland, Arkansas, em 1932, John R. Cash, popularmente conhecido como Johnny Cash, foi o homem de preto. Morreu sempre lutando pelo "fraco e derrotado", como diz em "Man In Black". Viveu intensamente, cheio de excessos, mas sempre se preocupava por aqueles que o rodeavam.

Franco, impiedoso consigo mesmo, como numa tentativa de auto-julgamento final. Assim é "Cash - A autobiografia de Johnny Cash".

Reflexivo, John R. Cash conta sua infância e sofrimento que toda sua família passou, com o peso de 65 anos em seus ombros, e um olhar aguçado de quem há muito conhece a si próprio e todos que estiveram ao seu redor.

Às vezes cruel, Cash retrata também o início de sua vida na música, seu casamento conturbado com Vivian, como conheceu June Carter, além de, essencialmente, relatar sua vida diante das anfetaminas e seu uso pesado, no qual afetava sua vida por inteira, seja na família, seja em seus shows, seja com seus amigos. Mas Cash não vivia só de anfetaminas. A vida insana da lenda por vezes estava ligada ao uso de remédios em excesso e de álcool. Um verdadeiro drama que passou por mais de 20 anos, e que, provavelmente, sem a ajuda daqueles que o amavam, não teria resistido por tanto tempo.

Desde seu nascimento, Johnny sempre foi religioso, e nos momentos de maior dificuldade, via sinais divinos como forma de tentar resgatar sua vida ao lado de quem amava. A fé restaurava à ele a possibilidade de retomar o que perdeu, o tempo que perdeu, e as mágoas que deixou. Mais do que nunca, Cash mostrou que as lendas são mortais e humanas, como qualquer outra pessoa, e que não se pode perdurar vivendo sozinho.

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23/02/2015

Jeff Buckley: A morte prematura de um talento


Nascido em '66, em Memphis, EUA, Jeffrey Scott Buckley, ou Jeff Buckley, viveu sob influência do jazz, blues e rock. Dono de uma bela voz, preferiu seguir para a guitarra para não ser comparado com seu pai Tim Buckley. Jeff não teve vida fácil, participando de bandas de vários gêneros, mas sem obter grande sucesso.

Em 1994, lançou seu único álbum solo. "Grace" continha uma preciosidade: "Hallelujah", cover de Leonard Cohen, além da própria faixa-título, e "The Last Goodbye". O álbum foi bem recebido.

Mas na noite de 29 de maio de 1997, a banda de Buckley viajou para Memphis a fim de se juntar em estúdio para gravação de um novo material escrito. Na mesma noite, Buckley foi nadar em Wolf River Harbor, um canal do Rio Mississippi, enquanto vestia botas e suas roupas, e cantando o refrão de "Whole Lotta Love", do Led Zeppelin. Buckley havia nadado muitas vezes antes. Um roadie da banda de Buckley, Keith Foti, permaneceu na margem do canal. Depois de mover um rádio e guitarra para longe de uma trilha de um barco, Foti viu que Buckley havia sumido. Buckley permaneceu desaparecido até 04 de junho, quando localizaram seu corpo no Wolf River próximo à um barco.

Após sua morte, várias tributos e homenagens foram feitos. Faça-se a justiça. Um grande talento foi perdido muito cedo.

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14/02/2015

Conheça o Anarchy Club



Keith Smith
Formado em Boston, Massachussetts, EUA, em 2004, o Anarchy Club consiste de dois membros em estúdio. Sim! Keith Smith, vindo da banda C60, cuida dos vocais e guitarra, enquanto Adam Von Buhler cuida também da guitarra (inclusive solos), baixo, bateria, e outros instrumentos. Mas o som é mais denso do que se imagina. Juntando a eletrônica ao Rock Industrial, Rock Alternativo e Metal Alternativo, o resultado é algo como um Prodigy com maior equilibrado entre eletrônica e instrumentos de cordas. Ao vivo a banda conta com Caleb Wheeler na bateria e Daniel Chace no guitarra, com Adam indo para o baixo.
Adam Von Buhler




Conseguiram ter um sucesso inicial a ponto de participar da franquia "Guitar Hero", com as músicas "Behind The Mask", do álbum "The Way and It's Power", Collide" e "Blood Doll", do álbum "A Single Drop of Red", e "Get Clean" do disco "The Art of Power".

Mesmo sendo um duo, o poderio do grupo é grande, e eles têm noção disso. Infelizmente o reconhecimento é bem pequeno, tanto que toda a discografia deles é independente. Também não seria nada fácil abraçar o projeto deles, pois a mistura de sonoridade é algo que pode não agradar nem os fãs de metal nem os de eletrônica, mas para quem é busca um som autêntico, a banda é um prato cheio.

Discografia:

The Way and It's Power (2005)
A Single Drop of Red (2007)
The Art of War (2009)
Life in The Underground [EP] (2012)

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30/01/2015

O plágio do The Killers diante do Green Day

Três anos separam as canções em questão, mas as intros de ambas se conectam perfeitamente. Se foi plágio ou influência músical inconsciente? Só os integrantes do Killers podem dizer.

"Runaways" é o carro-chefe do disco mais recente da banda, "Battle Born", lançado em 2012. Mas três anos antes, o Green Day lançava "21st Century Breakdown", o sucessor do famigerado "American Idiot", de 2004.

A faixa-título do Green Day conta com uma intro de 30 segundos em apenas duas notas. Já na "Runaways", o Killers faz um synth-pop com uma leve variação, tendo 3 notas, e repetindo a sequência inversa.
















Você pode conferir as canções abaixo:



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Resenha | Foo Fighters @ Morumbi [23/01/2015]

Foto: Fábio Tito / G1
Nem a chuva, nem o vento foram empecilho para a noite do dia 23/01/2015. Com certo atraso - cerca de 15 minutos - os Foos entraram no palco no estádio do Morumbi.

A espera valeu. Nitidamente com cerca de 90% do público que foi apenas pela banda de Grohl e cia (aberturas por conta de Raimundos e Kaiser Chiefs), o Foo Fighters inicia o show com a primeira faixa do novo disco, "Sonic Highways". Apesar de ser a tour do mesmo, a banda inclui com timidez as novas canções, contendo apenas três, sendo as outras "Congregation" e "Outside". Particularmente, eu trocaria uma dessas por "The Feast and Famine", a mais rápida e hard do disco, talvez.

A trinca "The Pretender", "Learn to Fly" e "Breakout" inflamam o público, principalmente a última, cantada a capella num belo coro. O show segue com o hit "Arlandria", do disco "Wasting Light", a clássica "My Hero", a em parte country "Congregation" e o maior hit dos últimos anos "Walk". A constante nos setlists "Cold Day In The Sun", com Taylor nos vocais, marca presença, num medley de "Tom Sawyer", do Rush, e "War Pigs", do Black Sabbath, que diria que provavelmente não agradou aos fãs das respectivas bandas. "War Pigs" mal foi cantada por Dave, que parecia mais ter feito de improviso o cover, nem cantando nem cantarolando, mas enrolando as palavras. além da solitária "I'll Stick Around", do primeiro disco.

Em "Monkey Wrench", sem dúvidas o melhor momento do show. A música é prolongada com relação à versão de estúdio, e em uma das paradas da canção, praticamente todo o público presente acende as lanternas dos celulares, tornando uma experiência visual sem igual. Após esse momento, as acústicas "Skin and Bones", "Wheels" e "Times Like These" jogam água no incêndio, tendo como sequência um mini-set de covers - que particularmente poderia ser diminuído ou até evitado - de bandas como Kiss, Faces e Queen.

No set final, as escolhas foram seguras. Os hits "All My Life", "These Days", junto da nova "Outside", vieram para misturar o que sempre deu certo na banda com a proposta do novo disco. Pra fechar, "Best of You" e "Everlong" são impossíveis de ficar de fora, por serem duas das mais importantes da carreira. Provavelmente sem elas, os Foos não seria uma banda de renome hoje.

Setlist:

1. Something from Nothing
2. The Pretender
3. Learn to Fly
4. Breakout
5. Arlandria
6. My Hero
7. Congregation
8. Walk
9. Cold Day In The Sun (com "Tom Sawyer", do Rush, e "War Pigs", Black Sabbath)
10. I'll Stick Around
11. Monkey Wrench
12. Skin and Bones
13. Wheels
14. Times Like These
15. Detroit Rock City (KISS cover)
16. Stay With Me (Faces cover)
17. Tie Your Mother Down (Queen cover, com Grohl na bateria e Taylor nos vocais)
18. Under Pressure (Queen & David Bowie cover, com Grohl e Taylor nos vocais)
19. All My Life
20. These Days
21. Outside
22. Best of You
23. Everlong


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