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30/07/2014

AC/DC: 1979-80, dois discos e um legado

Na semana que se passou, dois clássicos do AC/DC fizeram aniversário. Tratam-se de "Highway to Hell" e " Back In Black", que completaram 35 e 34 anos, respectivamente.

A começar por "Highway...", pode-se dizer que trata-se da era Bon Scott condensada - ou seria melhor exorcizada? - em 10 canções arrebatadas por riffs incríveis, além de, claro, um Bon Scott afiado. Canções como "Girls Got Rhythm", "Walk Over You" e "Touch Too Much" soam como um Garage Rock que "ganhou corpo". Phil Rudd tem consciência de seu papel e o executa com excelência - mesmo que em seus 40 anos, o AC/DC nunca tenha dado evidência à tal instrumento.

Em "Beating Around The Bush" pode-se notar um Bon endiabrado a cada verso. Em "Shot Down In Flames" e "If You Want Blood..." Scott tem, sem sombra de dúvidas, seu ápice selvagem em seus 5 anos com a banda. Fechando com "Love Hungry Man", que digasse de passagem, conta com uma das melhores linhas de baixo de Cliff, e "Night Prowler", que soa como um blues, que mesmo sendo a maior influência da banda, soa distante, algo não palpável, do que ela produz.

Se esqueci a faixa-título? Apenas não a mencionei por não ser necessário. O primeiro hit que fez da banda australiana visar um novo patamar.

Se havia melhor despedida? Acho que não. Em 19/02/1980, Bon Scott pegou a "estrada para o inferno" e não mais voltou. Morreu de overdose.

Aquilo poderia ser o fim do AC/DC. Porém, os irmãos Young resolveram chamar Brian Johnson, e Brian soube "pegar o bonde andando". O resultado? Talvez o mais importante "álbum de lamento" da história da música. O que dizer do segundo disco mais vendido da história (atrás apenas de "Thriller", do 'Rei do Pop')?

Brian parecia um predestinado. Como um estagiário em todos esses anos que esperava na espreita sua chance de despontar.

"Back In Black", assim como no álbum anterior, produzido por Mutt Lange, mostra um AC/DC revigorado. Se "Highway..." é o mais denso no Hard ou Rock N' Roll, "Back In Black" é o mais denso possível sendo uma ponte entre o Hard e o Heavy.

Se "Hells Bells" parece se arrastar, "Shoot to Thrill" vem à 300 km/h. Até mesmo as canções que poderiam ser B-Sides, como "Have a Drink On Me", "Givin' a Dog a Bone" se mostram com grande potencial. "Let Me Put My Love Into You" parece uma "Whole Lotta Love" bem mais sacana. "What Do You Do for Money Honey" é de uma convicção invejável. Isso sem contar os maiores hits, claro. A ode ao Rock N' Roll em "Rock N' Roll Ain't Noise Pollution" é, de longe, uma das melhores exaltações à um gênero musical.

E como dito por Brian na faixa-título, "I'm glad to be back". E que volta, amigos!




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