Onde se respira música.

16/05/2014

Resenha | Titãs - Nheengatu [2014]


Os "Titãs do Iê-Iê" estão de volta!!!

Dinossauros do Rock brasileiro, após um disco insosso de 2009, "Sacos Plásticos", os Titãs retornam em 2014 com tudo! De lá pra cá muita coisa mudou. Se em "Sacos..." Charles Gavin ainda fazia parte da banda, cinco anos depois, e após ter comemorado seus 30 anos de carreira, ter comemorado o aniversário do "Cabeça Dinossauro", entre outras coisas, o Titãs soube como celebrar suas origens e ver no seu som mais pesado e na sua visão crítica algo mais promissor.

"Nheengatu", ao qual o álbum foi intitulado, se refere à língua criada pelos jesuítas no Brasil para facilitar a comunicação entre os povos indígenas e os colonizadores portugueses. Algo totalmente paradoxal, visto que, ao contrário do título, a capa, inspirada na "Torre de Babel", de Pieter Bruegel, é a imagem da pura falha de comunicação e dos conflitos da humanidade.

Como há muito não se via, o álbum contém 37 minutos de pura acidez. "Fardado" é uma nova "Polícia", tanto em sua crítica quanto em sua estrutura vocal. "Mensageiro da Desgraça" é o retrato da desesperança do cidadão paulistano, praticamente entregue à tudo que assola nosso país e cidade. Em outra comparação ao "Cabeça Dinossauro", a terceira faixa, "República dos Bananas", remete à "Dívidas", penúltima faixa do "Cabeça...".

"Fala Renata" tem o toque nordestino que marca o conceito de brasilidade que o álbum contém, e já vinha sendo tocada há muito tempo nos shows. "Cadáver sobre Cadáver" é a busca pela humildade onde tantas desgraças nos levam ao mesmo fim, independente de classe social. O álbum segue com um bom cover de Walter Franco. "Canalha" conta com um som um tanto experimental, e uma ótima linha de bateria de Mario Fabre.

"Pedofilia" é, talvez, a letra mais interessante do álbum. Um puro relato do crime à que se refere o título, onde a abordagem é o que mais chama atenção, pelo fato de mostrar o relato por parte da vítima e a perturbação sob o molestador. "Chegada ao Brasil (Terra À Vista)" é o andar pra trás da nossa nação em seus pouco mais de dois minutos. "Eu Me Sinto Bem" fala sobre a liberdade, o ir e vir do cidadão. A violência contra a mulher é retratada em "Flores Pra Ela", onde o baixo dá o tom de tensão que se segue na canção.

"Não Pode" fala sobre a burocratização brasileira, e conta com um ótimo solo de Mario Fabre. "Senhor" é um pedido de vida digna na Terra, aceitando qualquer punição por seus pecados, para que se possa viver decentemente nesse país. "Baião de Dois" não é restrita regionalmente ao seu nome. Parece que a faixa foi tirada numa ensaio com a Nação Zumbi. "Quem São os Animais?" é um hino anti-preconceito, e retrata o comportamento antiquado da maior parte da sociedade.

"Nheengatu", é, sem dúvidas, o melhor álbum dos Titãs desde "Titanomaquia", de 1993.

Share:

Tradução

Feed

Digite seu email abaixo:

Instagram

Twitter