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28/05/2014

Covers #25: Genesis vs Disturbed

A seção de Covers traz essa semana uma letra politizada em poder de um som nada radical. O Genesis, já sem Peter Gabriel e com o Phil Collins no comando talvez não tivera notado o potencial que sua letra tinha. A cara oitentista está presente em "Land of Confusion", de 1986, que faz parte do disco "Invisible Touch". O clipe, com bonecos, junto de seu som eletrônico formam um contraste interessante. O clipe ainda faz referência à Ronald Reagan, na época presidente dos EUA, diante de um pesadelo.

Se o Genesis não foi nada ácido em sua performance, o Disturbed fez questão de ser incisivo. Além disso, o timbre de Draiman se encaixa perfeitamente à canção. A música faz parte do terceiro disco, "Ten Thousand Fists", de 2005. Em seu clipe, a banda resolve ser bem mais radical, onde o conceito de massa contra o governo é mostrado, com a massa ganhando o poder. Mas o clipe não podia ser feito sem a participação de "The Guy", o mascote da banda. Ele é o líder da revolução que derruba o governo, mas se aproveita do caos e da luta por melhores condições para ele mesmo obter o poder. O clipe também lembra "Do The Evolution", do Pearl Jam, em sua produção.

Confira as duas versões:



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27/05/2014

Conheça o The Last Shadow Puppets


O ano era 2008. Após estourar com "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", em 2006, e concretizar sua excelência com "Favourite Worst Nightmare", em 2007, Alex Turner resolve se dedicar à outro ramo da música. Por um momento ele tira o foco do Arctic Monkeys e se junta Miles Kane, do Rascals, e James Ford, do Simian Mobile Disco. Nasce o The Last Shadow Puppets. Bem diferente de tudo que o AM já produziu, lançam o único disco da banda. "The Age of The Understatement" inova no som. Um pop barroco, que pode muito bem lembrar a orquestração dos Beatles em "Revolver" e "Sgt. Peppers...". A banda soube como se remeter ao pop/rock sessentista.

A faixa-título logo se tornou #1 na Inglaterra. Outras faixas como "Standing Next to Me" e "My Mistakes Were Made for You" viraram single. "Calm Like You" também teve seu destaque. Sua sonoridade antecedeu o primeiro álbum de Noel Gallagher solo, com seu pop barroco. Vale destacar também que a marca de James Ford foi deixada com suas linhas de baixo.

Após o álbum, Alex voltou a se dedicar ao AM, enquanto Miles voltou sua atenção para sua carreira solo e James voltou a se dedicar à sua banda, mas nunca deixando Alex, e continuando na produção dos últimos 3 discos do AM.

Se não houve mais vontade de resgatar o espírito dos anos 60, temos uma bela demonstração tanto na capa - tirada de uma foto da modelo Gill em 1962 - quanto em seus 35 minutos de álbum.

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16/05/2014

Resenha | Titãs - Nheengatu [2014]


Os "Titãs do Iê-Iê" estão de volta!!!

Dinossauros do Rock brasileiro, após um disco insosso de 2009, "Sacos Plásticos", os Titãs retornam em 2014 com tudo! De lá pra cá muita coisa mudou. Se em "Sacos..." Charles Gavin ainda fazia parte da banda, cinco anos depois, e após ter comemorado seus 30 anos de carreira, ter comemorado o aniversário do "Cabeça Dinossauro", entre outras coisas, o Titãs soube como celebrar suas origens e ver no seu som mais pesado e na sua visão crítica algo mais promissor.

"Nheengatu", ao qual o álbum foi intitulado, se refere à língua criada pelos jesuítas no Brasil para facilitar a comunicação entre os povos indígenas e os colonizadores portugueses. Algo totalmente paradoxal, visto que, ao contrário do título, a capa, inspirada na "Torre de Babel", de Pieter Bruegel, é a imagem da pura falha de comunicação e dos conflitos da humanidade.

Como há muito não se via, o álbum contém 37 minutos de pura acidez. "Fardado" é uma nova "Polícia", tanto em sua crítica quanto em sua estrutura vocal. "Mensageiro da Desgraça" é o retrato da desesperança do cidadão paulistano, praticamente entregue à tudo que assola nosso país e cidade. Em outra comparação ao "Cabeça Dinossauro", a terceira faixa, "República dos Bananas", remete à "Dívidas", penúltima faixa do "Cabeça...".

"Fala Renata" tem o toque nordestino que marca o conceito de brasilidade que o álbum contém, e já vinha sendo tocada há muito tempo nos shows. "Cadáver sobre Cadáver" é a busca pela humildade onde tantas desgraças nos levam ao mesmo fim, independente de classe social. O álbum segue com um bom cover de Walter Franco. "Canalha" conta com um som um tanto experimental, e uma ótima linha de bateria de Mario Fabre.

"Pedofilia" é, talvez, a letra mais interessante do álbum. Um puro relato do crime à que se refere o título, onde a abordagem é o que mais chama atenção, pelo fato de mostrar o relato por parte da vítima e a perturbação sob o molestador. "Chegada ao Brasil (Terra À Vista)" é o andar pra trás da nossa nação em seus pouco mais de dois minutos. "Eu Me Sinto Bem" fala sobre a liberdade, o ir e vir do cidadão. A violência contra a mulher é retratada em "Flores Pra Ela", onde o baixo dá o tom de tensão que se segue na canção.

"Não Pode" fala sobre a burocratização brasileira, e conta com um ótimo solo de Mario Fabre. "Senhor" é um pedido de vida digna na Terra, aceitando qualquer punição por seus pecados, para que se possa viver decentemente nesse país. "Baião de Dois" não é restrita regionalmente ao seu nome. Parece que a faixa foi tirada numa ensaio com a Nação Zumbi. "Quem São os Animais?" é um hino anti-preconceito, e retrata o comportamento antiquado da maior parte da sociedade.

"Nheengatu", é, sem dúvidas, o melhor álbum dos Titãs desde "Titanomaquia", de 1993.

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