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19/03/2014

Resenha | The Smiths - The Queen Is Dead [1986]


Um dos melhores álbuns de 86, capaz de ser um dos símbolos do pós-punk nos anos 80, "The Queen..." é uma reviravolta, é o espelho de uma banda no auge de sua produtividade e de maturidade, capaz de botar o dedo na cara de quem seja preciso, de cutucar a ferida, assim como é a faixa-título, com seus dizeres "E a Igreja - tudo o que querem é seu dinheiro / A Rainha está morta, garotos / E é tão solitário no purgatório". O baixo pulsante também é um destaque, levando em conta o fato de que influencia até hoje bandas indie, principalmente Kings of Leon nos últimos dois discos ("Mechanical Bull" e "Come Around Sundown").

"Frankly, Mr. Shankly" ridiculariza Geoff Travis, que foi responsável pelo lançamento de todos os discos dos Smiths. Assim como Eric Clapton fez com Pattie Boyd em "Layla", Morrissey adotou o pseudônimo "Mr. Shankly" para Travis. Toda sua ironia é despejada num ritmo sereno, assim como é em todo o disco, porém a letra não reflete bem seu som, principalmente em "Francamente, Sr. Shankly, já que você pergunta
Você é uma dor flatulenta no rabo / Eu não pretendia ser tão grosseiro / Porém, eu devo falar francamente, Sr. Shankly / (Oh, nos dê nosso dinheiro!)". "I Know It's Over" é uma balada de grande lamento de Morrissey que busca um alento em sua mãe. "Never Had No One Ever" segue a linha de "I Know...", mas é menos elaborada em letra, contando com guitarras cheias. "Cemetry Gates" mostra toda a admiração de Morrissey por prosa e poesia, além de sua consideração por Oscar Wilde, lendário escritor irlandês do século XIX. "Bigmouth Strikes Again" é uma resposta à imprensa por toda sua repercussão quanto à uma declaração de Morrissey de que a então ministra Margaret Thatcher "deveria ter morrido quando saiu ilesa de uma ataque sofrido à bomba".

"The Boy With The Thorn On His Side" é mais uma grande réplica da banda, e novamente para a indústria fonográfica que fazia pouco caso do sucesso da banda britânica, mesmo após obterem sucesso. "Vicar In A Tutu" é um conto ao nível de Cash e Dylan, referente à um vigário que curtia se vestir de bailarina, que conta com uma excelente linha de baixo, que remete aos anos 50.

"There Is A Light That Never Goes Out" é - por quê não? - uma das melhores letras românticas da história da música. De forma autêntica, uma visão nunca antes realizada e tendo a morte até citada como exemplo de satisfação vitalícia, "E se um ônibus de dois andares / Colidisse contra nós
Morrer ao seu lado / Seria um jeito divino de morrer" marca o melhor que a poesia britânica pôde oferecer até hoje no Rock. "Some Girls Are Bigger Than Others" fecha o disco, sendo outra grande balada, onde Morrissey pode até ter apenas uma preocupação, mas com seus versos finais deseja procurar outras preocupações.

"The Queen..." é, de fato, um dos discos definitivos dos anos 80 e da história, com The Smiths sendo, talvez, considerado o pai do Indie, e influenciando bandas também no Brasil, em especial Legião Urbana, tanto com suas letras profundas, tanto no romance quanto na crítica sempre feitos por Morrissey e cia.

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