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31/03/2014

Pearl Jam: "Black" e a semelhança com "Water", do Who


Se o Nirvana buscava no seu som o lado Punk da música, o Pearl Jam buscava o que havia de mais clássico na história. Já é sabida a influência que o Who exerceu - e exerce - até hoje na única banda de Seattle, das principais, em atividade. Como consta no livro "1001 álbuns para ouvir antes de morrer", nas palavras de Jeff Ament, o baixista, referindo-se à Eddie Vedder em 1993, ""Não sei onde saíam todas aquelas músicas... sei que ele gostava muito de Quadrophenia". Hoje "Baba O'Riley" é tocada em 11 de 10 shows do Pearl Jam. Além, é claro, do cover lançado de "Reign O'er Me", que faz parte do já citado "Quadrophenia". Mas a influência pode ser notada muito antes, logo no "Ten", logo em "Black", um dos maiores hits da carreira, e logo pela intro. A semelhança? Logo o lado B de "Reign O'er Me", "Water", que nunca teve holofotes na carreira da banda britânica, mas que tem grandes qualidades. "Water" veio a fazer parte do "Who's Next" como bônus, mas já era executada desde 1970.

Basta comparar a intro de "Water" (a partir de 2:25) com a intro de "Black" (a partir de 0:05). "Water" parte para um ritmo mais frenético, principalmente nessa versão no clássico show em Isle of Wight, e com um o "lunático" Keith Moon com um apetite invejável em parceria com um Roger Daltrey vigoroso na voz. Já "Black" se mantém estável, uma singela balada, mas com a receita certa para o sucesso.

Confira:



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Titãs: "A Melhor Banda..." e o modismo brasileiro


Durante os anos 80 os "Titãs do Iê-Iê" foram responsáveis por músicas emblemáticas, como "Televisão", todo o álbum "Cabeça Dinossauro", entre outros. Mas após um longo período, a banda soube voltar as origens e compor algo com uma visão bem crítica, de forma clara e contundente.

"A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana" é o "abrir de olhos" que faltava na sociedade brasileira. Se todos - ou a maioria, ao menos - se sustentam com o que o mainstream nos fornece, a canção é o descontentamento pela alienação sofrida ("Cala a boca e aumenta o volume então"). O modismo que o mainstream causa, onde o que hoje é perfeito para sociedade e amanhã não mais, é retratado em "O gênio da última hora, / É o idiota do ano seguinte / O último novo-rico, / É o mais novo pedinte". Os famosos virais também podem ser interpretados nos versos "O ilustre desconhecido / É o novo ídolo do próximo verão". E pra finalizar, a ilusão do brasileiro de que a vida no exterior, em especial EUA, é infinitamente melhor que a vida em seu próprio país, como se nos outros países não existissem problemas, ainda que menos graves que aqui.

Mesmo após 13 anos, a letra não perdeu seu sentido.

Um brinde à cultura inútil cultivada por aqui!

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19/03/2014

Resenha | The Smiths - The Queen Is Dead [1986]


Um dos melhores álbuns de 86, capaz de ser um dos símbolos do pós-punk nos anos 80, "The Queen..." é uma reviravolta, é o espelho de uma banda no auge de sua produtividade e de maturidade, capaz de botar o dedo na cara de quem seja preciso, de cutucar a ferida, assim como é a faixa-título, com seus dizeres "E a Igreja - tudo o que querem é seu dinheiro / A Rainha está morta, garotos / E é tão solitário no purgatório". O baixo pulsante também é um destaque, levando em conta o fato de que influencia até hoje bandas indie, principalmente Kings of Leon nos últimos dois discos ("Mechanical Bull" e "Come Around Sundown").

"Frankly, Mr. Shankly" ridiculariza Geoff Travis, que foi responsável pelo lançamento de todos os discos dos Smiths. Assim como Eric Clapton fez com Pattie Boyd em "Layla", Morrissey adotou o pseudônimo "Mr. Shankly" para Travis. Toda sua ironia é despejada num ritmo sereno, assim como é em todo o disco, porém a letra não reflete bem seu som, principalmente em "Francamente, Sr. Shankly, já que você pergunta
Você é uma dor flatulenta no rabo / Eu não pretendia ser tão grosseiro / Porém, eu devo falar francamente, Sr. Shankly / (Oh, nos dê nosso dinheiro!)". "I Know It's Over" é uma balada de grande lamento de Morrissey que busca um alento em sua mãe. "Never Had No One Ever" segue a linha de "I Know...", mas é menos elaborada em letra, contando com guitarras cheias. "Cemetry Gates" mostra toda a admiração de Morrissey por prosa e poesia, além de sua consideração por Oscar Wilde, lendário escritor irlandês do século XIX. "Bigmouth Strikes Again" é uma resposta à imprensa por toda sua repercussão quanto à uma declaração de Morrissey de que a então ministra Margaret Thatcher "deveria ter morrido quando saiu ilesa de uma ataque sofrido à bomba".

"The Boy With The Thorn On His Side" é mais uma grande réplica da banda, e novamente para a indústria fonográfica que fazia pouco caso do sucesso da banda britânica, mesmo após obterem sucesso. "Vicar In A Tutu" é um conto ao nível de Cash e Dylan, referente à um vigário que curtia se vestir de bailarina, que conta com uma excelente linha de baixo, que remete aos anos 50.

"There Is A Light That Never Goes Out" é - por quê não? - uma das melhores letras românticas da história da música. De forma autêntica, uma visão nunca antes realizada e tendo a morte até citada como exemplo de satisfação vitalícia, "E se um ônibus de dois andares / Colidisse contra nós
Morrer ao seu lado / Seria um jeito divino de morrer" marca o melhor que a poesia britânica pôde oferecer até hoje no Rock. "Some Girls Are Bigger Than Others" fecha o disco, sendo outra grande balada, onde Morrissey pode até ter apenas uma preocupação, mas com seus versos finais deseja procurar outras preocupações.

"The Queen..." é, de fato, um dos discos definitivos dos anos 80 e da história, com The Smiths sendo, talvez, considerado o pai do Indie, e influenciando bandas também no Brasil, em especial Legião Urbana, tanto com suas letras profundas, tanto no romance quanto na crítica sempre feitos por Morrissey e cia.

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14/03/2014

Pearl Jam: O autoplágio de Eddie Vedder?


Alguns artistas passam por momentos que a criatividade para compor se torna um grande problema. Já outros por vezes tem ideias que são tão boas que podem ser reaproveitadas e abrir vários caminhos. Você decide em que quadro essa situação se encaixa.

O artista em questão é o frontman do Pearl Jam, Eddie Vedder. Repare na faixa 6, intitulada "Tuolumne", da trilha sonora de "Into The Wild", do filme de mesmo nome. O dedilhado suave que segue por pouco mais de um minuto lembra totalmente talvez o maior hit da década para a banda de Seattle, "Just Breathe". Aparentemente Eddie apenas pegou "Tuolumne", adicionou letra e uma variação no dedilhado. Talvez Eddie tivesse composto em 2007 pensando em aperfeiçoá-la mais para frente. Tendo ocorrido isso ou não, temos que dar o braço a torcer. Nasceu um clássico do PJ em 2009.

Confira:



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06/03/2014

Afinal, o que seria "música boa"?


Algo que muitos dizem, mas que, na realidade, parece inalcançável. Afinal, o que seria a "música boa"?

Quando essa se torna a resposta de alguém sobre seu interesse musical, sinto de total arrogância, afinal, nada, nem ninguém é capaz de definir a "música boa". Todos nós, sem quaisquer discriminações, podemos não gostar do que deveria ser quase unânime. A história nos pede para reverenciar Beatles ou Stones, por exemplo, mas não significa que ninguém deva curtir. Álbuns como "Dark Side of The Moon", "Sgt. Peppers...", entre outros, deveriam estar na coleção de todos, porém, não é o que acontece. O nosso interesse musical vai não somente do gosto em si. Tampouco do que cada um artista ou banda representam. Vai da visão política, comportamental, social, entre outros âmbitos.

Algo que hoje você venera pode perder espaço e importância em sua vida, assim como algo que hoje não significa nada no seu conceito e estilo de vida pode, aos poucos, ser interpretado com outros olhos, afinal, sua visão sobre qualquer coisa muda com o passar do tempo, quer queira, quer não queira, naturalmente e gradualmente, de tal forma que sua percepção quanto à mudança vêm apenas após alguns meses ou até anos.

Dessa forma, desde que o mainstream musical e até a grande mídia não tenham influências sobre sua visão em todos os aspectos do espaço em que vivemos, você pode simplesmente viver numa bolha, onde sua opinião formada é que direciona o que você procura ouvir e se satisfazer. E a opinião formada só existirá a partir da busca, por todos os meios, de todas as visões possíveis de fatos.

Pois então, o que te faz ouvir suas bandas preferidas?
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