Onde se respira música.

26/12/2014

Você Sabia? #32: A história de "I Don't Like Mondays", do Boomtown Rats

A história de "Jeremy", do Pearl Jam, pode ser assustadora, mas a da canção mais conhecida do Boomtown Rats tem uma pitada de bizarrice. Se "Jeremy" retrata a personalidade - que é notável - da criança em questão, "I Don't Like Mondays" retrata um surto repentino justificado de forma quase sem sentido.

Em 29 de janeiro de 1979, Brenda Ann Spencer, de 16 anos, atirou em várias crianças na escola em que estudava, em San Diego, California, EUA. Dois adultos foram mortos, oito colegas e um policial foram feridos. Questionada em relação à sua atitude, Brenda se justificou: "I don't like mondays", ou "eu não curto segundas-feiras". Pouco menos de um mês após o ocorrido, a música havia sido composta e performada pelo Boomtown Rats, banda de Bob Geldof, que para quem não sabe foi o Pinky, do filme "The Wall", lançado após o álbum homônimo do Pink Floyd.

Questionado na época sobre a canção, Bob Geldof se defendeu: "Não foi uma tentativa de explorar a tragédia, mas apenas ilustrá-la."

Confira abaixo a letra e clipe da canção:

O chip de silício dentro de sua cabeça
Foi trocado para sobrecarregar.
E ninguém vai ao colégio hoje,
Ela vai fazê-los ficar em casa.
E o papai não entende isto,
Ele sempre disse que ela era tão preciosa quanto ouro.
E ele não pode ver nenhuma razão
Porque não existem motivos
Que razão que você precisa para ser mostrado?

Me diga por que
Eu odeio segundas.
Me diga por que
Eu odeio segundas.
Me diga por que
Eu odeio segundas.
Eu quero atirar
O dia todo.

A máquina de telex está tão limpa
Digitando para um mundo de espera.
E a mãe se sente tão chocada,
O mundo do pai ficou de pernas para o ar,
E seus pensamentos voltaram-se
Para sua linda garotinha.
16 não é um tempo fácil,
Não, não está pronta para admitir derrota.
Eles não podem ver razões
Porque não existem motivos
Que razão você precisa para ser mostrado?

Me diga por que
Eu odeio segundas.
Me diga por que
Eu odeio segundas.
Me diga por que
Eu odeio segundas.
Eu vou atirar
O dia todo.

E todos os jogadores pararam agora no pátio de recreio
Ela quer brincar com os brinquedos dela um tempo.
E a turma está fora, e logo nós aprenderemos
que a lição do dia é como morrer.
E então o alto-falante crepita,
E o capitão crepita,
Com problemas do tipo como e por que.
E ele não pode ver nenhuma razão
Porque não existem razões
De que razão você precisa para morrer?

Me diga por que
Eu odeio segundas.
Me diga por que
Eu odeio segundas.
Me diga por que
Eu odeio segundas.
Eu quero atirar
O dia todo.


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27/10/2014

Você Sabia? #31: A história de "P.L.U.C.K.", do SOAD


Alguém engajado em questões sociais e políticas como Serj Tankian, além de seus companheiros de banda, também de origem armênia, não deixariam passar batido fatos que fizeram uma cultura ser dissipada ou extinta. "P.L.U.C.K." é um caso deles. Com sua sigla em português significando "Política, Mentira, Profano, Covardes, Matadores", a canção é dedicada aos mais de 1,5 mi de armênios mortos no chamado Genocídio (ou Holocausto) Armênio de 1915. Tal ato desumano foi causado pelos turcos, que queria exterminar a presença cultural  e econômica dos mesmos no Império Otomano.

Mas o massacre não se restringia aos armênios. Assírios e gregos da região de Ponto também eram vítimas da brutalidade dos turcos, que ocorreu de 1915 à 1917. Geralmente os armênios eram mortos durante o processo de deportação. O massacre ocorreu ganhou força mesmo durante a Primeira Guerra Mundial.

Reza lenda que pouco antes da invasão da Polônia, Hitler teria dito: "Afinal, quem fala hoje do extermínio dos armênios?"

Confira a letra e canção abaixo:

Eliminação... Eliminação... Eliminação...

Morra! Por quê!? Afunde! Afunde!

O genocídio de toda uma raça,
Levou embora todo o nosso orgulho,
O genocídio de toda uma raça,
Levou embora, assista todos eles se arruinarem.

Revolução, a única solução,
A resposta armada de uma nação inteira,
Revolução, a única solução,
Nós pegamos toda sua merda, agora está na hora da restituição.

Reconhecimento, Restauração, Reparação...
Reconhecimento, Restauração, Reparação...
Assista todos eles se arruinarem.

Revolução, a única solução,
A resposta armada de uma nação inteira,
Revolução, a única solução,
Nós pegamos toda sua merda, agora está na hora da restituição.

O plano foi dominado e chamado de Genocídio
(Nunca quero vê-lo por perto)
Levou todas as crianças e então nós morremos,
(Nunca quero vê-lo por perto)
Os poucos que ficaram nunca foram encontrados
(Nunca quero vê-lo por perto)
Tudo em um sistema se arruinou...
Arruinado...!
Arruinado...!
Arruinado...!
Afunde!... ( Afunde!)

(Assista todos eles se arruinarem.)
Revolução, a única solução,
A resposta armada de uma nação inteira,
Revolução, a única solução,
Nós pegamos toda sua merda, agora está na hora da restituição.

O plano foi dominado e chamado de Genocídio
(Nunca quero vê-lo por perto)
Levou todas as crianças e então nós morremos,
(Nunca quero vê-lo por perto)
Os poucos que ficaram nunca foram encontrados
(Nunca quero vê-lo por perto)
Tudo em um sistema se arruinou.


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08/10/2014

Você Sabia #30: A história de "Death On Two Legs", do Queen


O Queen já mostrara desconforto com seu empresário Norman Sheffield em "Flick of The Wrist", do álbum "Sheer Heart Attack". Mas "Death on Two Legs (Dedicated to...)", do "A Night at the Opera" é mais incisiva. Não há sequer um verso que não tenha ódio expresso com veemência.

Musicalmente, assim como "Bohemian Rhapsody", a canção foi gravada tendo início no piano para que Brian May soubesse como deveria ser gravada na guitarra. E o toque de Brian com seu riff é evidente. A canção foi gravada Sarm East Studios em 1975.

Freddie Mercury dizia que até cantar "Death..." o fazia se sentir mal. Eles acusavam Norman de maltratar a banda e abusar de seu poder de gerenciamento da banda. Apesar de essa acusação ser direcionada, mas não mencionar Norman, o próprio se defendeu das acusações, após ouvir uma versão da música durante o lançamento do álbum. O mesmo ficou horrorizado e resolveu levar para a justiça, o que fez com que esse sentido da canção fosse aberto ao público.

Em sua autobiografia em 2013, Norman negou ter maltratado a banda, e inclusive utilizou cópias do contrato que teve com a banda de 1972-75. Sheffield morreu em junho desse ano.

Nas performances ao vivo, Freddie costumava dedicar a música à "um real filha da p*ta de um cavalheiro".

Confira a letra e a canção abaixo:

Você suga meu sangue como uma sangue-suga
Desrespeita a lei e escapole
Aperta minha cabeça até ela doer
Você levou todo o meu dinheiro e ainda quer mais

Sua mula velha desorientada
Com suas regras de teimosia
Com seus comparsas de mente pequena
Que são idiotas da 1ª divisão

Morte sobre duas pernas
Você está acabando comigo
Morte sobre duas pernas
Nunca teve um coração

Desmancha prazer
Bandido
Presunçoso
Pessoa insignificante

Você não passa de um simples bebezão
Já achou um brinquedo novo para me substituir?
Consegue me encarar?
Mas agora você pode dar um beijo
De despedida na minha bunda

Se sente bem? Está satisfeito?
Não tem vontade de se suicidar?
Eu acho que deveria
Sua consciência está bem?
Ela te atormenta à noite?
Você se sente bem? Se sente bem?

Fala como um grande magnata dos negócios
Mas não passa de um balão de ar quente
Por isso ninguém te dá a mínima
Você não passa de um colegial crescido
Deixe-me bronzear teu couro

Cão doente
Você é o rei da sujeira
Põe seu dinheiro onde sua fama é de
Senhor sabe tudo
A barbatana em suas costas
Era parte do trato? (Tubarão)

Morte sobre duas pernas
Você está acabando comigo
Morte sobre duas pernas
Você nunca teve coração (você nunca teve)
(Desde o começo)
Louco, você devia ser internado!
É um rato de esgoto apodrecendo numa cloaca de orgulho
Devia ser despedido
E então se tornar nulo e vazio
Faça eu me sentir bem, me sinto bem


Death on Two Legs (Dedicated to...) by Queen on Grooveshark
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20/09/2014

Detonautas Roque Clube: Por quê tamanho declínio?


Essa é uma das questões do rock nacional que é muito mais ampla que se pensa. Muitos vão torcer o nariz e dizer que o Detonautas Roque Clube, assim inicialmente chamado, nunca foi bom, ou, no máximo, que fez um brilhareco. Mas eu sou daqueles que vê o período 2002-06 da banda como o ápice, e com um grupo que tinha uma visão muito melhor do que a maioria das bandas da época.

Nesse período, a banda lançou seu debut homônimo, com hits como a acústica "Olhos Certos", "Quando o Sol Se For", "Outro Lugar" e a mais politizada "Ladrão de Gravata". Logo veio o ao vivo "Roque Marciano", e com ele os sucessos "O Amanhã", "O Dia que Não Terminou", "Só Por Hoje", "Tênis Roque" e a mais culta "Mercador de Almas". E então, 2004 era o auge.

Mas dois anos depois, acontecera o que, para mim, é a perda da essência do grupo. O guitarrista Rodrigo Netto é morto em um assalto. Se para a maioria, Tico é a mente na banda, Rodrigo era a essência que não buscava transparecer. A morte abalou a banda, que desde então redirecionou sua visão, mudou seu som, diminuiu a distorção e então se entregou ao apelo comercial.

Recentemente a banda lançou "A Saga Continua", um álbum duplo, que conta com grandes críticas em letras ácidas, porém, o som já não tem o mesmo vigor de uma década atrás. Se com Rodrigo seria diferente, ninguém pode afirmar, mas também não pode negar.

O que resta é se contentar com a nostalgia de apenas 10 anos.

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19/09/2014

Covers #29: Irving Caesar vs Louis Prima vs David Lee Roth


Se Louis Prima era mestre no que fazia, e isso pode ser visto em "Just a Gigolo / I ain't Got Nobody", David Lee Roth não fica pra trás e exibe sua performance teatral habitual no cover.

A original data de 1928, escrita por Irving Caesar com Leonello Casucci, adaptada da canção austríaca "Schöner Gigolo, Armer Gigolo" e assim como a maioria das outras músicas de outros artistas, preza muito pela harmonia vocal aliada ao conjunto de metais. Isso se manteve até a versão de Louis, que resolveu fazer um medley com "I ain't Got Nobody", que data de 1915 por Spencer Williams e Roger Graham.

Mas Roth não se contentava com um cover, e então resolveu usar de inovações em seu videoclipe, e assim resolveu abusar de paródias a artistas que faziam grande sucesso em 1985. Sobrou então para Cindy Lauper com "Girls Just Wanna Have Fun", Billy Idol com "Dancing With Myself", o rei do pop Michael Jackson, e Boy George com seus clipes do Culture Club.

Vale a pena conferir as três versões:





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04/09/2014

Geração Z: Deteriorando a forma de ouvir música


Há muito é possível notar como a indústria fonográfica tem sofrido mudanças. As bandas e gravadoras desesperadamente tentam buscar meios de permanecer na mídia, e às bandas urderground, resta buscar notoriedade através de divulgação em redes sociais e Youtube, por exemplo.

Mas para o ouvinte tradicional, a forma de ouvir música tem mudado drasticamente. Se antes era possível apreciar a música através de um vinil com seu grande encarte ou por um CD com encarte contendo as letras e fotos, hoje em dia a enorme maioria se contenta com o MP3. E até as gravadoras e bandas contribuem com essa alienação ao, por exemplo, não colocar as letras das canções em seus encartes. Se antes as bandas conseguiam sobreviver através de seus álbuns lançados, hoje, devido à pirataria, a saída para eles foi aumentar os ingressos para que possam viver mais dos shows, e para bandas clássicas, lançamento de CD virou apenas tática para permanecer no mainstream e não se render ao ostracismo.

E não só a forma de ouvir música mudou, mas também a quantidade. Hoje em dia, por conta da facilidade obtida pela internet, os apreciadores de música se antenam rapidamente à tudo que é lançado. Mas nem sempre quantidade significa qualidade. Quer uma prova? Se tratando de artistas/bandas internacionais, de tudo que você ouve, o quanto de informação você extrai? Mais do que um bom riff ou uma levada de bateria, muitas delas utilizam de grandes letras, politizadas, filosóficas, reflexivas ou históricas. Experimente conhecer mais do que a música em si. Após "estudá-la", perceberá que só a partir daí você encarna o espírito da canção. Somente a partir deste momento é que ela faz sentido pra você. Se antes você a achava incrível, agora ela estará em um novo patamar.
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Joias do Youtube #8: The Who - Live at Isle of Wight Festival (1970)


1970: O Who se consolidava com um show memorável. Naquele ano, a banda já havia dado início à suas obras conceituas, com "The Who Sell Out" e o aclamado "Tommy", além do que viria depois, é claro ("Quadrophenia").

Composto em sua maioria de canções do "Tommy", a grandeza da apresentação pode ser comparada à do concerto lendário "Live at Leeds". Esse é um daqueles casos em que não sabe se a grandeza do festival Isle of Wight é que tornou o Who maior ou se a grandeza do Who fez o festival maior. De qualquer forma, um registro para sempre que possível apreciar.

O set foi completado com outros clássicos, como "Magic Bus", o cover sensacional de Eddie Cochran "Summertime Blues", "My Generation", "Substitute", a ultraenérgica "Water", "Naked Eye", que viria a ser faixa bônus na reedição do "Who's Next", e - pasmém - "Twist and Shout", num medley.

Não dá para ignorar um show lendário com um Keith Moon realmente lunático na bateria, um Roger Daltrey com suas roupas espalhafatosas, um Pete Townshend desengonçado e um John Entwistle sempre com seu semblante indiferente e sua roupa de esqueleto.

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03/09/2014

Você Sabia? #29: A história de "Breaking The Habit", do Linkin Park


Em "Meteora", segundo álbum da banda de nu-metal, já era possível notar que os rumos do grupo estavam mudando. "Breaking The Habit" é, sem dúvida, a que mais representa essa nova direção. Sem guitarras dirtocidas nem vocais cortantes do Chester, a eletrônica paira na canção, que não tem esse nome por pura coincidência.

O que a maioria não sabe é que a canção se refere ao abuso de substâncias por parte de Chester. A ideia da mesma foi concebida seis anos antes, inicialmente com Shinoda retratando um caso parecido com outro amigo.

Ainda em sua concepção, a canção seria apenas instrumental, com nome de "Drawing", mas Shinoda foi convencido de dar mais vida à canção com uma letra. E a fez tão bem que Chester alega que tinha dificuldades de performá-la até um ano depois do lançamento de "Meteora".

Confira a letra e clipe abaixo:

Memórias consomem
Como se abrissem a ferida
Eu estou me criticando de novo
Vocês supõem
Que estou seguro aqui em meu quarto
A menos que eu tente começar de novo

Eu não quero ser o único
Que sempre escolhe as batalhas
Porque, por dentro, percebo
Que eu sou o único confuso

Refrão:
Eu não sei pelo que vale a pena lutar
Ou por que tenho que gritar
Eu não sei por que provoco
E digo o que não quero dizer

Eu não sei como fiquei desse jeito
Eu sei que isso não está certo
Então, estou quebrando o hábito
Quebrando o hábito
Esta noite

Agarrando minha cura
Eu tranco firmemente a porta
Eu tento recuperar meu fôlego de novo
Eu machuquei muito mais
Do que qualquer outra vez antes
Eu não tenho mais opções de novo

Eu não quero ser o único
Que sempre escolhe as batalhas
Porque, por dentro, percebo
Que eu sou o único confuso

(Refrão)

Eu não sei como fiquei desse jeito
Eu nunca estarei bem
Então, estou quebrando o hábito
Quebrando o hábito
Esta noite

Eu vou pintar isso nos muros
Porque eu sou o único culpado
Eu nunca vou lutar de novo
E é assim que isso termina

Eu não sei pelo que vale a pena lutar
Ou por que tenho que gritar
Mas agora eu tenho um pouco de clareza
Para mostrar a você o que eu quero dizer

Eu não sei como fiquei desse jeito
Eu nunca estarei bem
Então, estou quebrando o hábito
Quebrando o hábito
Quebrando o hábito
Esta noite


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14/08/2014

Você Sabia? #28: A história de "Ana's Song', do Silverchair


Não! Não se trata de uma declaração de amor. Ana não existe. Ou existe, mas não tem matéria. No clipe, sim, Ana é representada por uma garota, muito fragilizada, diga-se de passagem. Mas não é nenhuma paixão.

A canção, que entrou nas paradas em 1999, retrata o sofrimento do vocalista Daniel Johns, que logo após o lançamento de "Freak Show", em 1997, passou a "lutar" contra a anorexia. Ana é o apelido dado à anorexia. "Lutar", entre aspas, pois por várias vezes Daniel esteve perto do suicídio. Naquele período, a comida era o pior inimigo do vocalista.

Daniel acredita que o sucesso justamente simboliza esse período em que tudo estava praticamente perdido, em que a sua vida estava por um triz.

A letra confirma sua rendição ao distúrbio:

Por favor, Ana, morra
Pois enquanto você estiver aqui, nós não estaremos
Você faz o som do riso
E as unhas afiadas parecerem macias

E eu preciso de você agora, de algum modo
E eu preciso de você agora, de algum modo

Abra fogo com a carência que me faz
Estar de joelhos por você
Abra fogo sobre as ânsias dos meus joelhos
Como eu preciso de você

Imagine a cerimônia
Na minha cabeça a carne parece mais grossa
Lixa de lágrimas corroem a sujeira

E eu preciso de você agora, de algum modo
E eu preciso de você agora, de algum modo

Abra fogo com a carência que me faz
Estar de joelhos por você
Abra fogo sobre as ânsias dos meus joelhos
Como eu preciso de você

E você é a minha obsessão
Eu te amo até os ossos
E Ana destrói sua vida
Como uma vida anoréxica

Abra fogo com a carência que me faz
Estar de joelhos por você
Abra fogo sobre as ânsias dos meus joelhos
Como eu preciso de você
Abra fogo com a carência que me faz
Abra fogo sobre as ânsias dos meus joelhos
Estou de joelhos por você

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03/08/2014

Covers #28: Bobby Freeman vs Beach Boys vs The Mamas & the Papas vs Ramones


Um clássico, "Do You Wanna Dance?" é muito mais antiga do que costuma aparecer. Se você deduz que ela é de autoria do Ramones, se engana. Trata-se de uma canção com tanto potencial, que toda banda que se preze deveria performar. Foi regravada por The Mamas & the Papas e Johnny Rivers também, mas ganhou notoriedade com os Beach Boys. Ainda assim, a autoria fica por conta de Bobby Freeman, em 1958.

Com Bobby, a canção tem o que o próprio título sugere: uma canção dançante à base de um piano. Com os Beach Boys, ela ganhou aquele toque de surf rock com pop que os tornaram tão autênticos. Com The Mamas & the Papas, foi a vez de dar destaque à harmonia vocal, que sempre característica do grupo, junto, é claro, do folk que sempre lhes era associado. Já com o Ramones, como era de se esperar, a versão foi tomada pelo punk, como já era de se esperar, e foi reduzida.

Confira todas essas versões logo abaixo:

Do You Want to Dance? by Bobby Freeman on Grooveshark

Do You Wanna Dance by The Mamas & the Papas on Grooveshark

Do You Wanna Dance? by The Beach Boys on Grooveshark

Do You Wanna Dance? by Ramones on Grooveshark
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Você Sabia? #27: A história de "Vera", do Pink Floyd


"Vera" faz parte do segundo disco de "The Wall", de 1979. Está longe de ser uma das canções de maior destaque da banda e até do álbum. Ainda assim, contando com cerca de um minuto e meio, a banda conseguiu prestar uma homenagem à uma das principais vozes na década de 40.

Vera Lynn nasceu em 1917, e ganhou notoriedade durante a Segunda Guerra Mundial, ontem fez tours por Egito, Índia, entre outros. Após o fim da guerra, ela se manteve com aparições em rádios e TV.

Na canção do Floyd, Roger Waters faz menção à "We'll Meet Again", uma das principações canções da carreira de Lynn. Já "Vera" tem um tom explicitamente irônico, visto que o verso "Remember how she said that / We would meet again" se refere que no filme, Pinky tinha esperança de reencontrar o pai. Já no verso "Vera, what has become of you", Pinky cobra Vera, para que assim como em sua canção "We'll Meet Again", ela desapareça.

Confira a letra e a canção do Floyd abaixo:

Alguém aqui se lembra de Vera Lynn?
Se lembra como ela disse que
Nos encontraríamos novamente
Num dia ensolarado

Vera! Vera!
O que aconteceu com você?
Alguém por aqui
Sente o mesmo que eu?

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02/08/2014

Joias do Youtube #7: Heaven and Hell - Live from Radio City Music Hall (2007)


Se tem uma dupla responsável por manter o metal em alto nível, mesmo em seus momentos em que foi ofuscado, essa dupla é Tony Iommi e Geezer Butler. Os dois pilares do metal, e mais do que nunca, do Sabbath, principalmente Iommi, nos fazem ter uma nostalgia diferente no meio musical. Diferente de outras bandas do meio Hard, Heavy, a qualidade da dupla em conjunto com Vinny Appice e a maior voz do metal, Ronnie James Dio, no show de 2007 é tão imensa, que pode ser comparada às suas carreiras nos anos 70 e 80.

Iommi decidiu mudar o nome da banda para "Heaven and Hell" apenas para tour e posterior lançamento de álbum. E como não poderia ser diferente, a setlist consiste de canções da era Dio, com os discos "Heaven and Hell", "Mob Rules", "Dehumanizer" e a coletânea "Dio Years".

Em "E5150/After All (The Dead)", Dio consegue manter o clima doom do Sabbath do início de carreira, enquanto em "Mob Rules" a sintonia de Dio com Iommi continua perfeita. A chorosa "Children of Sea" precede todo o misticismo contigo em "Lady Evil", também do "Heaven...". "I", canção de "Dehumanizer", vem Dio cuspindo versos de imponência e com um solo cortante de Iommi. O par misterioso "The Sign of the Southern Cross" e "Voodoo" de "Mob Rules" junto com a inédita "The Devil Cried" completam a primeira parte do show. Essa última sendo uma grande prova de que a banda não se resume em excelência na execução dos clássicos, e ainda sabe compor.

O solo enérgico de Vinny ao final de "The Devil..." conta com a ajuda de um órgão para obter um clima soturno e dar início à "Computer God", de "Dehumanizer". A lenta "Falling Off The Edge of The World" tem uma ascendente impressionante e tem Dio em uma das suas melhores performances. A segunda inédita da noite, "Shadow of The Wind" parece preceder "End of The Beginning", do "13".

Para fechar a noite, quatro canções do "Heaven and Hell", que pode ser considerado o melhor álbum da fase Dio no Sabbath. "Die Young" tem um solo improvisado de Iommi e traz, como sempre, a mensagem de uma vida sem arrependimento, contendo uma das melhores letras da banda. Logo em seguida "Heaven and Hell" com sua famigerada letra cheia de dualidade. O baixo de Geezer sustenta "Lonely is The Word" ao lado de umas melhores interpretações de Dio, encarnando o espírito da canção. Para fechar, "Neon Knights", a melhor canção para fechar um show de tal magnitude, pelo simples fato de representar o início de Dio na mais importante banda de metal de todos os tempos.

Uma das apresentações para a eternidade! Confiram:

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30/07/2014

AC/DC: 1979-80, dois discos e um legado

Na semana que se passou, dois clássicos do AC/DC fizeram aniversário. Tratam-se de "Highway to Hell" e " Back In Black", que completaram 35 e 34 anos, respectivamente.

A começar por "Highway...", pode-se dizer que trata-se da era Bon Scott condensada - ou seria melhor exorcizada? - em 10 canções arrebatadas por riffs incríveis, além de, claro, um Bon Scott afiado. Canções como "Girls Got Rhythm", "Walk Over You" e "Touch Too Much" soam como um Garage Rock que "ganhou corpo". Phil Rudd tem consciência de seu papel e o executa com excelência - mesmo que em seus 40 anos, o AC/DC nunca tenha dado evidência à tal instrumento.

Em "Beating Around The Bush" pode-se notar um Bon endiabrado a cada verso. Em "Shot Down In Flames" e "If You Want Blood..." Scott tem, sem sombra de dúvidas, seu ápice selvagem em seus 5 anos com a banda. Fechando com "Love Hungry Man", que digasse de passagem, conta com uma das melhores linhas de baixo de Cliff, e "Night Prowler", que soa como um blues, que mesmo sendo a maior influência da banda, soa distante, algo não palpável, do que ela produz.

Se esqueci a faixa-título? Apenas não a mencionei por não ser necessário. O primeiro hit que fez da banda australiana visar um novo patamar.

Se havia melhor despedida? Acho que não. Em 19/02/1980, Bon Scott pegou a "estrada para o inferno" e não mais voltou. Morreu de overdose.

Aquilo poderia ser o fim do AC/DC. Porém, os irmãos Young resolveram chamar Brian Johnson, e Brian soube "pegar o bonde andando". O resultado? Talvez o mais importante "álbum de lamento" da história da música. O que dizer do segundo disco mais vendido da história (atrás apenas de "Thriller", do 'Rei do Pop')?

Brian parecia um predestinado. Como um estagiário em todos esses anos que esperava na espreita sua chance de despontar.

"Back In Black", assim como no álbum anterior, produzido por Mutt Lange, mostra um AC/DC revigorado. Se "Highway..." é o mais denso no Hard ou Rock N' Roll, "Back In Black" é o mais denso possível sendo uma ponte entre o Hard e o Heavy.

Se "Hells Bells" parece se arrastar, "Shoot to Thrill" vem à 300 km/h. Até mesmo as canções que poderiam ser B-Sides, como "Have a Drink On Me", "Givin' a Dog a Bone" se mostram com grande potencial. "Let Me Put My Love Into You" parece uma "Whole Lotta Love" bem mais sacana. "What Do You Do for Money Honey" é de uma convicção invejável. Isso sem contar os maiores hits, claro. A ode ao Rock N' Roll em "Rock N' Roll Ain't Noise Pollution" é, de longe, uma das melhores exaltações à um gênero musical.

E como dito por Brian na faixa-título, "I'm glad to be back". E que volta, amigos!




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23/07/2014

Você Sabia? #26: A história de "Down With The Sickness", do Disturbed


Um dos marcos do Nu Metal, "Down With The Sickness", uma das faixas do debut do Disturbed, "The Sickness" alcançou o topo das paradas com uma letra bem controversa para os conservadores, mas que fez voltar a ser discutido um tema já antigo, e que mesmo nos dias de hoje não perdeu sua validade.

A canção, que garantiu à banda um disco de platina, relata o abuso físico de uma mãe em seu próprio, e o mesmo, cansado dos abusos e de uma mãe que nem sequer é capaz de ser um exemplo pro filho, resolve se vingar, devido à tamanha repulsa e total ódio pelas agressões sofridas.

A banda resolveu gravar um clipe com registros ao vivo, porém, seu clímax, o trecho em que o filho resolve praticar a vingança, é cortada, devido ao vocabulário usado.

Abaixo você pode conferir o clipe oficial e o ao vivo, com esse trecho adicionado, além da letra:

(Você pode sentir isso?)
(oh, que merda)
O-WA-A-A-A
O-WA-A-A-A
Se afogando profundamente em meu mar de abominância,
Quebrado, seu criado, eu me ajoelho
(Você cederá ante mim?)
Parece que tudo que sobra do meu lado humano está mudando lentamente ... em mim.
(Você cederá ante mim?)
Olhando meu próprio reflexo, quando de repente ele muda, violentamente ele muda
Oh, não. Não tem volta agora que, você acordou o demônio... em mim.

Se levante, venha junto com a doença!
Se levante, venha junto com a doença!
Se levante, venha junto com a doença!
Abra seu ódio e deixe-o fluir em mim.
Se levante, venha junto com a doença!
Seu filho se levante, venha junto com a doença!
Sua puta se levante, venha junto com a doença!
Insanidade é o dom que foi dado a mim.

Eu posso ver dentro de você, a doença está se alastrando, não tente negar o que você sente.
(Você cederá ante mim?)
Parece que tudo aquilo que era bom está morto e está se deteriorando em mim.
(Você cederá ante mim?)
Parece que você está tendo alguma dificuldade em lidar com estas mudanças, em viver com estas mudanças.
Oh, não. O mundo é um lugar assustador agora que você acordou o demônio... em mim.

Se levante, venha junto com a doença!
Se levante, venha junto com a doença!
Se levante, venha junto com a doença!
Abra seu ódio e deixe-o fluir em mim.
Se levante, venha junto com a doença!
Seu filho se levante, venha junto com a doença!
Sua puta se levante, venha junto com a doença!
Insanidade é o dom que foi dado a mim.

E quando eu sonho...
E quando eu sonho...
E quando eu sonho...
E QUANDO EU SONHO!

Não, mamãe! Não faça isto novamente.
Não faça isto novamente, eu serei um menino bom
Eu serei um menino bom, eu prometo.
Não, mamãe! Não me bata!
Oh, por que você teve que me bater daquele jeito, mamãe?
Não faça isso! Você está me machucando!
Por que você tem que ser tão puta?
Por que você não... Por que você não cai fora e morre?
Por que você não pode sair daqui e morrer?
Por que você não sai daqui e morre?
Nunca acerte sua mão em meu rosto de novo, sua vadia!
VÁ SE FODER!!!
Eu não preciso desta merda!
Sua estúpida, sádica, abusiva, prostituta de merda!
Você não gostaria de ver como é, mamãe?
Aqui, vem! Se prepare para morrer!

O-WA-A-A-A

Se levante, venha junto com a doença!
Se levante, venha junto com a doença!
Se levante, venha junto com a doença!
Abra seu ódio e deixe-o fluir em mim.
Se levante, venha junto com a doença!
Seu filho se levante, venha junto com a doença!
Sua puta se levante, venha junto com a doença!
A insanidade agora me domina!



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21/07/2014

Covers #27: Black Sabbath vs Soundgarden


As bandas são pioneiras e expoentes em seu gênero e isso contribue para que o legado do Sabbath continue transparente através de uma banda do alto escalão ao qual faz parte o Soundgarden.

Um dos hits de seu terceiro álbum, "Master of Reality", "Into The Void", tem o toque de gênio do Riff Lords Tony Iommi, além de uma linha de baixo no mínimo sensacional de Geezer Butler, onde cada instrumento tem o seu show à parte e se complementa no conjunto. Mesmo já em seu terceiro disco, o Sabbath ainda tinha capacidade de soar totalmente doom, lembrando seu primeiro disco.

Já em 1991, o Grunge começava a crescer, e o Soundgarden, já "ganhando corpo na estrada", lança "Badmotorfinger", que conta com clássicos como "Rusty Cage" e "Jesus Christ Pose". Mas em 1992, uma edição limitada do álbum é lançada contendo covers de Stones e, claro, "Into The Void". Instrumentalmente a versão não fica pra trás da original, e além disso, a banda resolveu adicionar uma letra de protesto de Chief Sealth, que foi líder de algumas tribos e viveu no século XVIII e XIX.

Confira as duas versões abaixo:


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21/06/2014

Você Sabia? #25: A história de "Who'll Stop The Rain?", do Creedence


"Who'll Stop The Rain" faz parte do quinto álbum da banda, "Cosmo's Factory". A canção, lado B do single "Travelin' Band", se refere à Guerra do Vietnã que ocorria na época, e tem seu total ponto de vista humano, sendo uma linha de pensamento paralela à de Aristóteles, que tem como crédito a frase "Nós fazemos guerra para que possamos viver em paz".

A chuva a que se referem na canção é uma simples metáfora. As nuvens de mistério são os seres humanos, e a chuva, a guerra em si. Os seres humanos buscam o sol que seria a paz. "Os cantores" presentes em um dos versos, são as pessoas que querem alentar os cidadãos que sofrem com a guerra. Durante seus dois minutos e meio a banda entoa um protesto e um certo cinismo aos políticos da época, que se torna claro nos versos "Planos de cinco anos e novos acordos / Enrolados em correntes de ouro".

A canção alcançou a posição #2 nas paradas americanas, e está na posição #188 das 500+ da Rolling Stone.

Confiram a letra e canção logo abaixo:

"Tanto tempo quanto consigo me lembrar
A chuva caía
Nuvens de mistério jorravam
Confusão no solo
Os homens bons através das gerações
Tentam encontrar o sol
E eu me pergunto, Ainda me pergunto
Quem irá parar a chuva?

Eu fui até a Virgínia
Buscando abrigo da tempestade
Caí naquela velha fábula
Assisti a torre crescer
Planos de cinco anos e novos acordos
Enrolados em correntes de ouro
E eu me pergunto, Ainda me pergunto
Quem irá parar a chuva?

Ouvíamos os cantores tocando
Como nós aplaudíamos por mais!
A multidão se aglomerou
Tentando se manter aquecida
A chuva continuava caindo
Caindo em meus ouvidos
E eu me pergunto, Ainda me pergunto
Quem irá parar a chuva?"

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20/06/2014

Covers #26: The Monkees vs Smash Mouth


Nos anos 60 o pop/rock reinava, principalmente em seu início, com os Beatles e Beach Boys. Foi nessa época que os Monkees surgiram no cenário. Um pop/rock de apelo comercial escancarado, mas que funcionava. "I'm a believer" foi, provavelmente, o mais explícito deles. Com seu baterista Micky Dolenz nos vocais, um mellotron puxando o ritmo, eles tinham a receita para chegar ao topo das paradas. Pela década inteira os Monkees se sustentaram, e hoje, praticamente vivem da produção da época.

Já nos anos 90 o Smash Mouth deu uma bela revigorada na canção. Sem o mellotron, e com um som mais encorpado, fizeram renascer o hit e voltar ao topo. Fato também que no começo dos anos 2000 a canção voltou a ter destaque como trilha do filme Shrek.

Confira as duas versões abaixo:



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14/06/2014

Você Sabia? #25: A história de "Dum Dum Boys", de Iggy Pop

"The Idiot" é o primeiro álbum solo de Iggy, e ainda que a lenda viva tenha buscado seguir seu próprio rumo, nesse primeiro disco o The Stooges, banda com quem lançara 3 álbuns em 4 anos, ainda fazia parte da sua vida. Isso fica claro na faixa 6, do lado B de seu debut.

Zeke Zettner (à esquerda)

Dave Alexander, em 1969
"Dum Dum Boys" é "dedicada" aos ex-membros dos Stooges Zeke Zettner e Dave Alexander - e um alerta para James Williamson. Um lamento pop de sete minutos. Zeke iniciou-se na música como roadie dos Stooges e se tornou baixista da banda justamente a partir da saída de Dave após o lançamento de "Funhouse". Irônico o fato de ambos terem morrido por excessos. Zeke morreu em 1973 por conta de uma overdose em heroína, enquanto Dave faleceu dois anos depois por conta de um edema pulmonar causado pelo alcoolismo.

Numa tradução literal, Iggy os considera como "Os garotos burros". Isso fica evidente já na estrofe inicial:


What happened to Zeke? | O que aconteceu com Zeke?
He's dead on jones, man | Ele morreu de heroína, cara
How about Dave? | E Dave?
OD'd on alcohol | Overdose de álcool
Well what's Rock doing? | Bem, o que Rock está fazendo?
Oh, he's living with his mother | Oh, ele está vivendo com sua mãe
What about James? | E James?
He's gone straight | Ele está se endireitando

Confira:

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12/06/2014

Tenacious D: A referência cult de Jack Black

Do carisma e do talento que Jack Black possui, ninguém discute. Fato é que seu envolvimento no mundo musical e cinematográfico traz uma visão muito mais ampla, e nisso, o que muita gente não sabe é que ele, junto com Kyle Gass, seu parceiro de banda, incluíram em "The Pick of Destiny", filme de 2006, uma referência cult. Em uma de suas músicas que serviram de trilha para o filme, "Baby", eles fizeram uma alusão explícita à primeira cena do filme de Stanley Kubrick, "Laranja Mecânica", de 1971. A referência torna-se notável por conta da aparência pitoresca dos arruaceiros que violentam Jack no filme, assim como são Alex DeLarge e cia. em "Laranja...".

Uma homenagem desse tipo faz reavivar um clássico do cinema, e pode acender o interesse principalmente de jovens que não puderam viver a época desse filme que se tornara um definitivo do cinema (e da literatura, claro).

Confiram:

Trecho de "The Pick of Destiny", do Tenacious D




Trecho de "A Clockwork Orange", de Stanley Kubrick

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28/05/2014

Covers #25: Genesis vs Disturbed

A seção de Covers traz essa semana uma letra politizada em poder de um som nada radical. O Genesis, já sem Peter Gabriel e com o Phil Collins no comando talvez não tivera notado o potencial que sua letra tinha. A cara oitentista está presente em "Land of Confusion", de 1986, que faz parte do disco "Invisible Touch". O clipe, com bonecos, junto de seu som eletrônico formam um contraste interessante. O clipe ainda faz referência à Ronald Reagan, na época presidente dos EUA, diante de um pesadelo.

Se o Genesis não foi nada ácido em sua performance, o Disturbed fez questão de ser incisivo. Além disso, o timbre de Draiman se encaixa perfeitamente à canção. A música faz parte do terceiro disco, "Ten Thousand Fists", de 2005. Em seu clipe, a banda resolve ser bem mais radical, onde o conceito de massa contra o governo é mostrado, com a massa ganhando o poder. Mas o clipe não podia ser feito sem a participação de "The Guy", o mascote da banda. Ele é o líder da revolução que derruba o governo, mas se aproveita do caos e da luta por melhores condições para ele mesmo obter o poder. O clipe também lembra "Do The Evolution", do Pearl Jam, em sua produção.

Confira as duas versões:



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27/05/2014

Conheça o The Last Shadow Puppets


O ano era 2008. Após estourar com "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not", em 2006, e concretizar sua excelência com "Favourite Worst Nightmare", em 2007, Alex Turner resolve se dedicar à outro ramo da música. Por um momento ele tira o foco do Arctic Monkeys e se junta Miles Kane, do Rascals, e James Ford, do Simian Mobile Disco. Nasce o The Last Shadow Puppets. Bem diferente de tudo que o AM já produziu, lançam o único disco da banda. "The Age of The Understatement" inova no som. Um pop barroco, que pode muito bem lembrar a orquestração dos Beatles em "Revolver" e "Sgt. Peppers...". A banda soube como se remeter ao pop/rock sessentista.

A faixa-título logo se tornou #1 na Inglaterra. Outras faixas como "Standing Next to Me" e "My Mistakes Were Made for You" viraram single. "Calm Like You" também teve seu destaque. Sua sonoridade antecedeu o primeiro álbum de Noel Gallagher solo, com seu pop barroco. Vale destacar também que a marca de James Ford foi deixada com suas linhas de baixo.

Após o álbum, Alex voltou a se dedicar ao AM, enquanto Miles voltou sua atenção para sua carreira solo e James voltou a se dedicar à sua banda, mas nunca deixando Alex, e continuando na produção dos últimos 3 discos do AM.

Se não houve mais vontade de resgatar o espírito dos anos 60, temos uma bela demonstração tanto na capa - tirada de uma foto da modelo Gill em 1962 - quanto em seus 35 minutos de álbum.

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16/05/2014

Resenha | Titãs - Nheengatu [2014]


Os "Titãs do Iê-Iê" estão de volta!!!

Dinossauros do Rock brasileiro, após um disco insosso de 2009, "Sacos Plásticos", os Titãs retornam em 2014 com tudo! De lá pra cá muita coisa mudou. Se em "Sacos..." Charles Gavin ainda fazia parte da banda, cinco anos depois, e após ter comemorado seus 30 anos de carreira, ter comemorado o aniversário do "Cabeça Dinossauro", entre outras coisas, o Titãs soube como celebrar suas origens e ver no seu som mais pesado e na sua visão crítica algo mais promissor.

"Nheengatu", ao qual o álbum foi intitulado, se refere à língua criada pelos jesuítas no Brasil para facilitar a comunicação entre os povos indígenas e os colonizadores portugueses. Algo totalmente paradoxal, visto que, ao contrário do título, a capa, inspirada na "Torre de Babel", de Pieter Bruegel, é a imagem da pura falha de comunicação e dos conflitos da humanidade.

Como há muito não se via, o álbum contém 37 minutos de pura acidez. "Fardado" é uma nova "Polícia", tanto em sua crítica quanto em sua estrutura vocal. "Mensageiro da Desgraça" é o retrato da desesperança do cidadão paulistano, praticamente entregue à tudo que assola nosso país e cidade. Em outra comparação ao "Cabeça Dinossauro", a terceira faixa, "República dos Bananas", remete à "Dívidas", penúltima faixa do "Cabeça...".

"Fala Renata" tem o toque nordestino que marca o conceito de brasilidade que o álbum contém, e já vinha sendo tocada há muito tempo nos shows. "Cadáver sobre Cadáver" é a busca pela humildade onde tantas desgraças nos levam ao mesmo fim, independente de classe social. O álbum segue com um bom cover de Walter Franco. "Canalha" conta com um som um tanto experimental, e uma ótima linha de bateria de Mario Fabre.

"Pedofilia" é, talvez, a letra mais interessante do álbum. Um puro relato do crime à que se refere o título, onde a abordagem é o que mais chama atenção, pelo fato de mostrar o relato por parte da vítima e a perturbação sob o molestador. "Chegada ao Brasil (Terra À Vista)" é o andar pra trás da nossa nação em seus pouco mais de dois minutos. "Eu Me Sinto Bem" fala sobre a liberdade, o ir e vir do cidadão. A violência contra a mulher é retratada em "Flores Pra Ela", onde o baixo dá o tom de tensão que se segue na canção.

"Não Pode" fala sobre a burocratização brasileira, e conta com um ótimo solo de Mario Fabre. "Senhor" é um pedido de vida digna na Terra, aceitando qualquer punição por seus pecados, para que se possa viver decentemente nesse país. "Baião de Dois" não é restrita regionalmente ao seu nome. Parece que a faixa foi tirada numa ensaio com a Nação Zumbi. "Quem São os Animais?" é um hino anti-preconceito, e retrata o comportamento antiquado da maior parte da sociedade.

"Nheengatu", é, sem dúvidas, o melhor álbum dos Titãs desde "Titanomaquia", de 1993.

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30/04/2014

Conheça o AFI

Formada em 1991, o AFI (A Fire Inside) tem uma bagagem invejável e coleciona grandes filiações em sua carreira. Inicialmente voltada para o punk, e até com flertes de horror punk, tendo evidente influência do Misfits, a banda tem 9 álbuns de estúdio e 12 EP's lançados.

Como se não bastasse a influência do Misfits, em um de seus EP's, "All Hallow's", de 1999, a composição ficou por conta de Glenn Danzig. Sim, o próprio! Além disso, o EP conta também com um cover do Misfits. E nele, talvez uma de suas melhores músicas dessa fase, "Total Immortal", foi até coverizada pelo Offspring para o filme "Eu, Eu mesmo e Irene". No mesmo ano, em maio, foi lançado o quarto disco da banda, "Black Sails in The Sunset", onde 3 das canções teve participação de Dexter Holland.

Em 2003, a banda ganha mais espaço e lança seu disco de maior sucesso até hoje. "Sing The Sorrow" foi produzido por Butch Vig, aquele mesmo que produziu "apenas" o "Nevermind". A banda se volta para um som mais midiático, saindo um pouco da escuridão de seus lançamentos anteriores. "Girl's Not Grey" e "Silver and Cold" são os maiores destaques.

Desde então, com "Decemberunderground" e "Crash Love" o sucesso não se repetiu. O som permaneceu no Rock Alternativo, perdeu grande parte da influência do Horror Punk que tomara conta da banda nos anos 90. O público-alvo da banda pôde se expandir com essa mudança, é verdade, mas por outro lado, se antes já não conseguiam tanto angariar os fãs do Metal, o ocorrido fez ser enterrada qualquer possibilidade de tal façanha.

O último CD da banda, "Burials", lançado em 2013, tem forte aposta nos teclados, e numa ligeira comparação pode-se notar que a banda soa um novo Placebo. O lado soturno na composição e na aparência que não se reflete tanto no instrumental.

A Fire Inside merece algumas audições, por sua trajetória até aqui.

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17/04/2014

Beastie Boys: Ecoando como o Pink Floyd


Essa vai para um daqueles momentos de surpresa da história da música. Você pode lembrar do cover do Children of Bodom para "Ooops, I did it Again" da Britney Spears, e ter certeza que nada superará tamanha surpresa. Mas, nesse caso, mesmo se tratando dos Beastie Boys, que tiveram - e ainda têm - N influências eu sem som, ver o antes trio (após a morte de MCA) usar uma referência tão clássica e distante da banda, ainda que eles usem o hardcore, o punk (no início eles eram uma banda punk), o rap e a eletrônica, soa ousado a homenagem, ou sátira, feita pela banda. Como se não bastasse imitar o ambiente em que "Echoes", do Pink Floyd, foi gravada, ou seja, no meio do nada, em Pompeii, na Itália, o grupo ainda espalha as caixas de som marcadas com "Pink Floyd" e "London".

O contraste, porém, é perfeito, já que "Echoes" tem seus 24 minutos e se arrasta com tanta idiossincrasia. "Gratitude", entretanto, com seus 3 minutos mostra voracidade capaz de encher os olhos daqueles que não conhecem a banda, que podem crer que se trata de uma banda de rock alternativo dos anos 90, quando, na verdade, não podemos de maneira alguma rotular uma banda como os Beastie Boys.

Enjoy!



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16/04/2014

Joias do Youtube #6: Led Zeppelin @ Kennedy Center Honors 2012


Em pouco mais de uma década ativo, de 1969-1979, o Led Zeppelin deixou um legado irretocável na história da música, através do blues e do folk, sendo capaz de ser influente na invenção do metal ao lado do Black Sabbath. Após 32 anos do seu término, eles foram homenageados na 35ª edição do Kennedy Center Honors.

Após um discurso como sempre bem humorado de Jack Black, inclusive colocando lado a lado o Zeppelin e sua banda, o Tenacious D, um vídeo é mostrado em resumo à história da banda, desde seus anos dourados até à reunião em 2007, com o filho de Bonham, Jason, na bateria. Após isso, o trio é reverenciado pelo público presente, que inclui Barack Obama, sua esposa, e grandes celebridades.

Com um set em homenagem à banda, destaque para a versão capaz de arrancar lágrimas, ainda que tímidas, de Plant, em "Stairway to Heaven". A versão fatalmente não é de emocionar apenas Plant, mas sim o todo o público presente. Um gesto tão simples desse é capaz de nos mostrar que, apesar de lendas da música, eles ainda são capazes de obter, assim como nós, sentimentos tão naturais e humanos.

Dos 22 minutos, cada segundo vale a pena!


Setlist:
Foo Fighters - Rock and Roll
Kid Rock - Ramble On
Lenny Kravitz - Whole Lotta Love
Ann e Nancy Wilson (Heart) - Stairway to Heaven


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14/04/2014

Afinal, o que é a remasterização?


Toda vez que a palavra "remasterização" vem à tona para algum artista/banda, os fãs mais ávidos - como eu e muitos outros - sempre ficam "com um pé atrás". Primeiro porque remasterização sonoramente falando às vezes não muda nada para o ouvinte. Segundo porque sempre parece uma intenção de tentar reviver uma obra que já está esquecida.

No vídeo abaixo, o filho de Elis Regina, e produtor João Marcello Bôscoli, mostra como é feito o processo de gravação, diferente a sonoridade e esclarecendo o que os ouvintes não compreendem numa remasterização. O que sempre pareceu uma jogada de Marketing faz sentido e realmente se trata de uma melhora considerável. O álbum da cantora, "Elis", será relançado agora no dia das Mães.

Confira o vídeo do produtor no link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=HOFh3NoOmIw#t=12

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04/04/2014

Conheça o Jet


No começo dos anos 2000, a imprensa considerava o Strokes como "a salvação do Rock". Praticamente uma década e meia depois e Julian e cia. são alvo de críticas pela mudança brusca de som - e para pior. Enquanto isso, num jeito um tanto acanhado, e com apenas três discos, o Jet foi capaz de resgatar aqueles sons dançantes da era dourada de Elvis, do pop/rock dos Beatles nos anos 60 e o hard dos anos 70. A propósito, o nome da banda tem origem na música homônima de Paul McCartney com os Wings.

Se a banda tem uma semelhança forte com bandas como Beatles, Stones, AC/DC e outras, podemos dizer que eles são como o Led na década de 70, onde pegavam clássicos do blues e folk e performavam do seu jeito. Assim é o Jet. Dando o seu toque no que há de mais clássico.

No primeiro disco, "Get Born", de 2003, a banda já mostra a que veio. Em sua maioria hard, a banda já consegue destaque através de duas músicas: "Are You Gonna Be My Girl?", que faz qualquer um querer "saculejar o esqueleto", e na pieguice de "Look What You've Done", tocada incansavelmente nas rádios.

Três anos após o sucesso do álbum, especialmente por conta desses singles, vêm "Shine On", sem tanto alarde, e sem a euforia sonora do primeiro disco. A crítica esfria a imagem da banda, que não tem tanta exposição na mídia. O álbum soa bem alternativo, fugindo da imagem que a banda havia criado em "Get Born".

Em 2009 vem "Shaka Rock", terceiro e último disco da banda. Bem mais hard, o álbum soa como o primeiro, mas sem um apelo comercial. Um hard que se volta às origens. Faixas como "Start The Show" e "She's a Genius" soam AC/DC de cabo à rabo, principalmente "Start...", onde até o grito inicial parece de Bon Scott. "She's a Genius" e "Black Hearts..." têm relativa exposição, além das composições em piano de "Goodbye Hollywood" e "Walk", com sua mudança de compasso impressionante. Em "La Di Da", a banda parece pegar uma composição do Fleetwood Mac.

"Consistência" talvez seja a palavra que melhor define o Jet. Infelizmente a banda se separou em 2012, mas aguardamos um retorno pelo bem da música.

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31/03/2014

Pearl Jam: "Black" e a semelhança com "Water", do Who


Se o Nirvana buscava no seu som o lado Punk da música, o Pearl Jam buscava o que havia de mais clássico na história. Já é sabida a influência que o Who exerceu - e exerce - até hoje na única banda de Seattle, das principais, em atividade. Como consta no livro "1001 álbuns para ouvir antes de morrer", nas palavras de Jeff Ament, o baixista, referindo-se à Eddie Vedder em 1993, ""Não sei onde saíam todas aquelas músicas... sei que ele gostava muito de Quadrophenia". Hoje "Baba O'Riley" é tocada em 11 de 10 shows do Pearl Jam. Além, é claro, do cover lançado de "Reign O'er Me", que faz parte do já citado "Quadrophenia". Mas a influência pode ser notada muito antes, logo no "Ten", logo em "Black", um dos maiores hits da carreira, e logo pela intro. A semelhança? Logo o lado B de "Reign O'er Me", "Water", que nunca teve holofotes na carreira da banda britânica, mas que tem grandes qualidades. "Water" veio a fazer parte do "Who's Next" como bônus, mas já era executada desde 1970.

Basta comparar a intro de "Water" (a partir de 2:25) com a intro de "Black" (a partir de 0:05). "Water" parte para um ritmo mais frenético, principalmente nessa versão no clássico show em Isle of Wight, e com um o "lunático" Keith Moon com um apetite invejável em parceria com um Roger Daltrey vigoroso na voz. Já "Black" se mantém estável, uma singela balada, mas com a receita certa para o sucesso.

Confira:



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Titãs: "A Melhor Banda..." e o modismo brasileiro


Durante os anos 80 os "Titãs do Iê-Iê" foram responsáveis por músicas emblemáticas, como "Televisão", todo o álbum "Cabeça Dinossauro", entre outros. Mas após um longo período, a banda soube voltar as origens e compor algo com uma visão bem crítica, de forma clara e contundente.

"A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana" é o "abrir de olhos" que faltava na sociedade brasileira. Se todos - ou a maioria, ao menos - se sustentam com o que o mainstream nos fornece, a canção é o descontentamento pela alienação sofrida ("Cala a boca e aumenta o volume então"). O modismo que o mainstream causa, onde o que hoje é perfeito para sociedade e amanhã não mais, é retratado em "O gênio da última hora, / É o idiota do ano seguinte / O último novo-rico, / É o mais novo pedinte". Os famosos virais também podem ser interpretados nos versos "O ilustre desconhecido / É o novo ídolo do próximo verão". E pra finalizar, a ilusão do brasileiro de que a vida no exterior, em especial EUA, é infinitamente melhor que a vida em seu próprio país, como se nos outros países não existissem problemas, ainda que menos graves que aqui.

Mesmo após 13 anos, a letra não perdeu seu sentido.

Um brinde à cultura inútil cultivada por aqui!

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19/03/2014

Resenha | The Smiths - The Queen Is Dead [1986]


Um dos melhores álbuns de 86, capaz de ser um dos símbolos do pós-punk nos anos 80, "The Queen..." é uma reviravolta, é o espelho de uma banda no auge de sua produtividade e de maturidade, capaz de botar o dedo na cara de quem seja preciso, de cutucar a ferida, assim como é a faixa-título, com seus dizeres "E a Igreja - tudo o que querem é seu dinheiro / A Rainha está morta, garotos / E é tão solitário no purgatório". O baixo pulsante também é um destaque, levando em conta o fato de que influencia até hoje bandas indie, principalmente Kings of Leon nos últimos dois discos ("Mechanical Bull" e "Come Around Sundown").

"Frankly, Mr. Shankly" ridiculariza Geoff Travis, que foi responsável pelo lançamento de todos os discos dos Smiths. Assim como Eric Clapton fez com Pattie Boyd em "Layla", Morrissey adotou o pseudônimo "Mr. Shankly" para Travis. Toda sua ironia é despejada num ritmo sereno, assim como é em todo o disco, porém a letra não reflete bem seu som, principalmente em "Francamente, Sr. Shankly, já que você pergunta
Você é uma dor flatulenta no rabo / Eu não pretendia ser tão grosseiro / Porém, eu devo falar francamente, Sr. Shankly / (Oh, nos dê nosso dinheiro!)". "I Know It's Over" é uma balada de grande lamento de Morrissey que busca um alento em sua mãe. "Never Had No One Ever" segue a linha de "I Know...", mas é menos elaborada em letra, contando com guitarras cheias. "Cemetry Gates" mostra toda a admiração de Morrissey por prosa e poesia, além de sua consideração por Oscar Wilde, lendário escritor irlandês do século XIX. "Bigmouth Strikes Again" é uma resposta à imprensa por toda sua repercussão quanto à uma declaração de Morrissey de que a então ministra Margaret Thatcher "deveria ter morrido quando saiu ilesa de uma ataque sofrido à bomba".

"The Boy With The Thorn On His Side" é mais uma grande réplica da banda, e novamente para a indústria fonográfica que fazia pouco caso do sucesso da banda britânica, mesmo após obterem sucesso. "Vicar In A Tutu" é um conto ao nível de Cash e Dylan, referente à um vigário que curtia se vestir de bailarina, que conta com uma excelente linha de baixo, que remete aos anos 50.

"There Is A Light That Never Goes Out" é - por quê não? - uma das melhores letras românticas da história da música. De forma autêntica, uma visão nunca antes realizada e tendo a morte até citada como exemplo de satisfação vitalícia, "E se um ônibus de dois andares / Colidisse contra nós
Morrer ao seu lado / Seria um jeito divino de morrer" marca o melhor que a poesia britânica pôde oferecer até hoje no Rock. "Some Girls Are Bigger Than Others" fecha o disco, sendo outra grande balada, onde Morrissey pode até ter apenas uma preocupação, mas com seus versos finais deseja procurar outras preocupações.

"The Queen..." é, de fato, um dos discos definitivos dos anos 80 e da história, com The Smiths sendo, talvez, considerado o pai do Indie, e influenciando bandas também no Brasil, em especial Legião Urbana, tanto com suas letras profundas, tanto no romance quanto na crítica sempre feitos por Morrissey e cia.

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14/03/2014

Pearl Jam: O autoplágio de Eddie Vedder?


Alguns artistas passam por momentos que a criatividade para compor se torna um grande problema. Já outros por vezes tem ideias que são tão boas que podem ser reaproveitadas e abrir vários caminhos. Você decide em que quadro essa situação se encaixa.

O artista em questão é o frontman do Pearl Jam, Eddie Vedder. Repare na faixa 6, intitulada "Tuolumne", da trilha sonora de "Into The Wild", do filme de mesmo nome. O dedilhado suave que segue por pouco mais de um minuto lembra totalmente talvez o maior hit da década para a banda de Seattle, "Just Breathe". Aparentemente Eddie apenas pegou "Tuolumne", adicionou letra e uma variação no dedilhado. Talvez Eddie tivesse composto em 2007 pensando em aperfeiçoá-la mais para frente. Tendo ocorrido isso ou não, temos que dar o braço a torcer. Nasceu um clássico do PJ em 2009.

Confira:



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06/03/2014

Afinal, o que seria "música boa"?


Algo que muitos dizem, mas que, na realidade, parece inalcançável. Afinal, o que seria a "música boa"?

Quando essa se torna a resposta de alguém sobre seu interesse musical, sinto de total arrogância, afinal, nada, nem ninguém é capaz de definir a "música boa". Todos nós, sem quaisquer discriminações, podemos não gostar do que deveria ser quase unânime. A história nos pede para reverenciar Beatles ou Stones, por exemplo, mas não significa que ninguém deva curtir. Álbuns como "Dark Side of The Moon", "Sgt. Peppers...", entre outros, deveriam estar na coleção de todos, porém, não é o que acontece. O nosso interesse musical vai não somente do gosto em si. Tampouco do que cada um artista ou banda representam. Vai da visão política, comportamental, social, entre outros âmbitos.

Algo que hoje você venera pode perder espaço e importância em sua vida, assim como algo que hoje não significa nada no seu conceito e estilo de vida pode, aos poucos, ser interpretado com outros olhos, afinal, sua visão sobre qualquer coisa muda com o passar do tempo, quer queira, quer não queira, naturalmente e gradualmente, de tal forma que sua percepção quanto à mudança vêm apenas após alguns meses ou até anos.

Dessa forma, desde que o mainstream musical e até a grande mídia não tenham influências sobre sua visão em todos os aspectos do espaço em que vivemos, você pode simplesmente viver numa bolha, onde sua opinião formada é que direciona o que você procura ouvir e se satisfazer. E a opinião formada só existirá a partir da busca, por todos os meios, de todas as visões possíveis de fatos.

Pois então, o que te faz ouvir suas bandas preferidas?
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22/02/2014

Covers #24: The Who vs Rush


"The Seeker" pode não ser um dos maiores hits da carreira do Who, mas é inegável que trata-se de uma grande produção. Desde "Who's Next" ficou evidente que a banda tomaria um novo rumo, se distanciando um pouco da ópera Rock que foi "Tommy", ainda que logo em seguida viesse "Quadrophenia". Mas "Seeker" tem um grande apelo. Significa a sonoridade que talvez defina o som dos anos 70. Algo entre o Southern e o Hard.

Pois bem... Sabemos que apesar de o seu primeiro disco datar de 1974, o Rush também nasceu na década de 60. 1968, pra ser mais exato. Mas sua versão desse clássico data de 2004. Sejamos francos: se o Rush tivesse coverizado "Seeker" na década de 70 soaria como o cover deles mesmos em 2004? O power trio canadense fez uma grande versão para o clássico, reduzindo um tanto a capacidade de Neil Peart, já que até na original Keith Moon não soava genial. Nas duas versões os vocais soam muito bem acompanhados pelo riff de guitarra.

Qual versão é melhor, ou se não há como definir uma versão melhor, você pode concluir abaixo:



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21/02/2014

Momentos do Rock #1 | O Cadillac de Chuck Berry no palco


Essa nova seção foi criada para homenagear todos aqueles que com certas atitudes e performances fazem do Rock N' Roll um gênero muito mais elevado e relevante para a música.

E para começar, nada melhor que um dos pioneiros. Sim, Chuck Berry, hoje com seus 87 anos.

Em 1986, houve um tributo para Berry, em comemoração aos seus 60 anos da lenda viva, intitulado "Hail! Hail! Rock N' Roll". Nele estavam grandes nomes, como Keith Richards, Linda Ronstadt, Eric Clapton, Etta James, entre outros. Mas o que chama mais atenção é a faixa "School Days". Berry, em plena terceira idade, entra de Cadillac no palco com sua guitarra em mãos, e mostrando jovialidade, e agitando o público presente.

Hail! Hail! Rock N' Roll
Hail! Hail! Chuck Berry

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05/02/2014

Covers #23: The Trashmen vs Ramones

Se você acha que "Surfin' Bird" é um grande sucesso do Ramones, está enganado. E se você acha que vem dos surf rockers do Trashmen, também está enganado. Apesar de tendo sucesso nas mãos dos surfers, a melodia de "Papa-Ooo-Mow-Mow" e "The Bird's The World" foi roubada da banda The Rivingtons, o que causou processo, tendo como resultado a entrega dos royalties obtidos pelos Trashmen à banda de soul.

Voltando às duas versões, é difícil superar a interpretação mais do que perfeita dos Trashmen, encarnando um próprio pássaro. Joey Ramone fica bem atrás, tendo em vista que, apesar de mais pesada, a versão dos Ramones não é tão interpretativa. Ainda assim, Joey supera as expectativas na ponte, com um vocal visceral.




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04/02/2014

Resenha | Pearl Jam - Yield [1998]


O ano: 1998. Mesmo após 7 anos e 4 discos, um dos expoentes de Seattle ressurgia. Se desde "Vitalogy" percebia-se um novo rumo no som dos caras, "Yield", que fez 16 anos na data de ontem, foi uma aterrissagem em solos mais firmes. "Brain of J." tem a fúria punk que há muito não se via. Faithfull traz paz de espírito. "No Way" tem o experimentalismo do "Vitalogy" e o lado sombrio do "No Code". "Given to Fly" é capaz de libertar até o ser mais retido que existe nessa Terra. A voz trêmula de Eddie da o tom em "Wishlist". "Pilate" tem uma ascendente impressionante, indo do acústico ao elétrico num piscar de olhos, e sendo - por quê não? - uma das melhores "não-hits".

E o que dizer de "Do The Evolution"? Capaz de agradar gregos e troianos, a canção tem o poder de engolir dezenas de músicas politizadas, tamanha a crítica social e política, principalmente pelo clipe, mencionando o capitalismo, escravidão, dependência tecnológica, violência, e etc. "Untitled" parece influenciada por "Masoko Tanga", do Police, por sua sonoridade africana, e soa mais conto um interlúdio. "MFC" faz jus à seu nome. Curta como um MFC, ainda é capaz de chamar atenção. A percussão e a espiritualidade de "Low Light" são invejáveis. O riff de McCready e a participação de Boom Gaspar é perfeita em "In Hiding", e com Eddie gritando à plenos pulmões o título, o mesmo se torna um paradoxo.

"Push Me, Pull Me" parece desordenada, confusa, o que a torna uma das poucas músicas fracas do disco. Pra fechar, vem "All Those Yesterdays", manhosa, mas sem deixar de ser cativante. E mesmo após seu fim, vem a faixa escondida "Hummus", que não decepciona, apesar de soar mais uma tiragem de som num dia qualquer em que resolveram incluir no disco.

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27/01/2014

5 provas de que Humberto Gessinger > Roger Waters


Que ambos são expoentes do Rock não temos dúvidas. Mas o que você verá daqui para frente são argumentos muito bem embasados e concisos capazes de comprovar o quão o líder do Engenheiros é mais brilhante que Roger Waters.

1. Rogerinho Águas precisou de nada menos que três versões de "Another Brick In The Wall" para poder exprimir todo o conceito de repressão que existia. Já Humberto, malandro, conseguiu condensar sua genialidade em apenas duas versões de "Exército de Um Homem Só".

2. Rogerinho Águas para por aí, enquanto Humberto ainda encontra um resquício - pra ser modesto - de genialidade, e compõe músicas com melodia e ritmo iguais, mas as nomeia sem nenhuma relação. Surgem "O Papa É Pop" e "Perfeita Simetria".

3. O Sr. Roger Águas exprime a sexualidade em "Young Lust" com as palavras: "Uh, I need a dirty woman / Uh, I need a dirty girl". Já Humberto é muito mais direto e objetivo, e

4. Cite um membro do Pink Floyd além de Roger Waters. Ok. Agora cite um membro do Engenheiros além de Humberto Gessinger. Ah, você não é capaz?

5. "The Wall" retrata a história de Pinky, que perdeu seu pai na Segunda Guerra Mundial. Já em "Era um Garoto...", Humberto cita um garoto de identidade não revelada, que participa da Guerra do Vietnã. Agora me diga: O que foi a 2ª Guerra perto da Guerra do Vietnã?

Após esses argumentos, Sr. Águas virou Lama.




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03/01/2014

Def Leppard: A superação de Rick Allen

Apoio: Playa del Nacho / Muda Rock

No dia 16 de Agosto de 1986, no Monsters of Rock inglês de Donington Park, o baterista Rick Allen afrontava a natureza ao retornar à função de baterista de sua banda, o Deff Leppard, mesmo na ausência de um braço, amputado dele 20 meses antes.

Na noite de 31 de Dezembro de 1984, Allen envolveu-se em um acidente automobilístico em seu Corvette a caminho de uma festa de família em Sheffield, Inglaterra. Quando um Alfa Romeo o ultrapassou. Allen afirmaria depois que o motorista do Alfa vinha bulindo com ele já fazia algum tempo naquela noite e decidiu que não deixaria uma ultrapassagem barata. Ao acelerar e emparelhar-se ao bólido italiano, Allen não percebeu uma curva logo adiante, e seu veículo voou sobre um paredão de rocha e aterrissou de cabeça para baixo em um descampado, arremessando-o para longe do cockpit, com um braço já dilacerado pelo cinto de segurança, que não estava devidamente ajustado. A namorada do músico, Mirian Baredsen, sofreu ferimentos leves, e os dois foram prontamente acudidos por um casal que passava pelo local [felizmente uma enfermeira e um policial de folga]. O braço de Allen fora reimplantado, mas devido a uma infecção – que poderia levar à amputação de ambos os membros superiores – os médicos optaram por retirá-lo definitivamente.

Ele teve alta do hospital três semanas e meia depois, e depois de duas semanas, estava com o Def Leppard na Holanda, começando a conceber, com a ajuda de engenheiros, um kit que o permitisse tocar apenas com o braço direito. O ex-baterista do Status Quo, Jeff Rich, colaborou com Allen na elaboração de um rig eletrônico, que acabou sendo fabricado pela marca Simmons.

O vocalista da banda, Joe Elliott, diria em um vídeo promocional da banda anos depois:

“Na maior parte do tempo, eu fico de costas pra ele, então, consequentemente, eu só o ouço. E eu esqueço. Ele manda muito bem e um braço, três braços, dois braços, quem é que se importa, né?”

Ouça a um stream de áudio com a reapresentação de Allen ao público em 1986 abaixo.






Ao lado da artista Lauren Monroe, Rick fundou a The Raven Drum Foundation, que ajuda, por meio de aulas de bateria, pessoas com problemas físicos e traumas emocionais, como no caso de ex-guerrilheiros.

Não bastando ser um baterista com apenas um braço, Allen decidiu transformar a forma como interpreta seu som, sua música, em arte abstrata que envolve desenhos, fotografias e diversas formas de expressão em tela: a mostra Eletric Hand:Rhytm and Change. Diferentemente de outros artistas, Rick Allen decidiu vender suas obras não em uma exposição, mas pela internet em seu site oficial rickallenart.com.



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