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11/11/2013

Resenha | Pearl Jam - Lightning Bolt [2013]


Após quatro anos, um dos sobreviventes da cena de Seattle dos anos 90 está de volta. E como quatro anos fazem diferença. Ao menos para o Pearl Jam. Se em "Backspacer", de 2009, a banda fez um som cru, muito hard rock, a banda apostou dessa vez no experimentalismo e em uma maior elaboração em seu som.

"Getaway" ainda soa a época do "Backspacer", e tem uma busca pela fé e por estabilidade. "Mind Your Manners" é uma mistura de "Do The Evolution" com "Spin The Black Circle", e conta com entrosamento interessante entre Eddie e Matt Cameron. O refrão é daquele tipicamente grudento, mas que não chega a ser pop. "My Father's Son" está longe de ser um dos hits, e mesmo assim, é capaz de prender o ouvinte, apenas pelo fato de haver uma sintonia clara entre Eddie, que cospe palavras, parecendo um prosador, como Johnny Cash ou Bob Dylan, e com Mike McCready no baixo de seis cordas, dando o tom da música, e com as guitarras ecoando.

As baladas são um show à parte em "Lightning...", principalmente por Boom Gaspar fazer a diferença. "Sirens", o carro-chefe, é mais do que pop, por toda sua elaboração, pelo sentimento que o Vedder coloca em cada palavra dita, e pelo final, com Gaspar nos teclados, assim como sempre o fez em "Crazy Mary". A faixa-título começa mansa, mas o refrão faria Joe Strummer ficar orgulhoso, pois se trata de um refrão que remete muito ao estilo punk quase dançante do Clash.

"Infallible" lembra Queens of The Stone Age nos tempos atuais, no final de "If I Had A Tail", uma das músicas do "...Like Clockwork". "Pendulum" pode ser considerada a mais experimental do CD, por sua percussão, pelo ritmo. Talvez seja a única música fraca do álbum.

"Swallowed Whole" tem um riff limpo, que poderia ser confundido com R.E.M. facilmente. Boom Gaspar mais uma vez dá o ar da graça, até chegar o solo de McCready. Logo em seguida vem "Let The Records Play" com seu baixo limpo e guitarras distorcidas, precendo a trilogia de baladas de alto nível.

"Sleeping by Myself", já conhecida por todos desde o trabalho solo do Eddie, "Ukelele Songs", de 2011 ganha uma super produção. Se no álbum solo, Eddie se sustenta com o ukelele e voz, soando um tanto triste e melancólico, aqui o riff de guitarra e a percussão dão uma nova cara, e o ukelele fica em segundo plano. "Yellow Moon" vem, o contato com a natureza se mostra essencial, vida e morte estão à um passo. A lua é apenas uma comparação às tantas mudanças que todos nós passamos.

"Future Days" começa logo com um riff de piano de Brendan O'Brien (sim, o produtor). Acústica, lenta, reflexiva: adjetivos não faltam. A questão é que "Future Days" é até melhor que "Sirens", por sua orquestração, pelo conjunto de acordes, etc. A busca pela paz interior em uma pessoa é o que faz dessa uma canção especial.

Em quatro anos, a mudança foi brusca. Alguém pode prever como o PJ estará em 2017 ou até o lançamento do próximo álbum?

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