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29/09/2013

Pearl Jam - "Do The Evolution": As desgraças do mundo em 4 minutos


Para os tr00s, a única música boa do Pearl Jam. Mas "Do The Evolution" transcende as barreiras dos gostos musicais e dos gêneros. A mensagem atinge à todos. Ou melhor, "as mensagens", pois isso é o que não falta nela. São cerca de quatro minutos com todas as desgraças causadas pela humanidade até hoje.

"Do The Evolution" faz parte do quinto álbum de estúdio da banda de Seattle, "Yield". Além de num momento de plena maturidade, essa canção pode ser considerada o auge de composição de Eddie Vedder e cia.

Vocais cortantes, riff consistente e peso constante, além de uma letra "soco no estômago" fazem dessa uma das melhores canções dos anos 90 e da história do Rock.

O clipe começa com a famigerada "lei da sobrevivência", e mostrando que o ser humano quer ser dominante, mas nunca é racional. Isso desde a Idade Média. A escravidão que assolou o mundo há pouco mais de dois séculos é retratada, assim como a matança de animais, que existe até hoje. Temas como a indústria bélica e o nazismo também são abordados. A Ku Klux Klan (associação extremista em favor do racismo) aparece. A selva de concreto em que o planeta se transformou é citada. A violência sempre está presente. Os experimentos em animais são mencionados com repúdio.

"I'm a thief, I'm a liar / There's my church, I sing in the choir" ("Eu sou um ladrão, eu sou um mentiroso / Essa é minha igreja, eu canto no coro"é uma ótima forma de satirizar a igreja, que é tratada como um negócio. É um "te cuida, Edir Macedo".

Aos 2:04, uma garota corre pelo campo, aparentemente assustada, e pisa num formigueiro, seguido de explosões, como se isso fosse um aviso de que você está acabando com a Terra, e nem percebe. Há também o indício de que em breve a tecnologia vai nos dominar de vez, mas em proporções absurdas. A garota durante todo o clipe seria a tentação materializada, e também o Diabo, que de tudo vê e apenas ri. Mas a principal mensagem é de que tudo isso é causado pelo capitalismo, e posterior consumismo. Nota-se isso aos 3:11, com os bebês sendo carimbados com códigos de barra.

Confira o clipe a letra logo abaixo:




"Eu estou a frente, eu sou o homem
Eu sou o primeiro mamífero a usar calças, yeah
Eu estou em paz com minha luxúria
Eu posso matar pois em Deus eu confio, yeah
É a evolução, baby!

Eu estou em paz, eu sou o homem
Comprando ações no dia da quebra
No frouxo, eu sou um caminhão
Todas as colinas rolantes, eu irei aplanar todas elas, yeah
É comportamento de rebanho,
É a evolução, baby!

Me admire, admire meu lar
Admire meu filho, ele é meu clone
Yeah yeah, yeah yeah
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu faço o que eu quiser, irresponsavelmente
É a evolução, baby!

Eu sou um ladrão, eu sou um mentiroso
Esta é minha igreja, eu canto no coro
(Aleluia, Aleluia)

Me admire, admire meu lar
Admire meu filho, admire minhas roupas
Porque nós conhecemos, apetite por banquete noturno
Esses índios ignorantes não tem nada comigo
Nada, por quê?
Porque é a evolução, baby!

Eu estou a frente, eu sou avançado,
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos, yeah
Eu rastejei pela terra, mas agora eu estou alto
2010, assista isso ir para o fogo
É a evolução, baby!
É a evolução, baby!
Faça a evolução
Venha, Venha , Venha"
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25/09/2013

Covers #22: Thin Lizzy vs Anthrax



A seção dessa semana traz uma lenda pouco valorizada e um dos quatro gigantes do thrash. Phil Lynott era um frontman com um espírito único. Em "Live and Dangerous", que para sempre estará entre os melhores "ao vivo" da história do Rock, mesmo com os polêmicos overdubs, ele deixa isso claro. Mas o Anthrax, que já é sabido que coveriza como ninguém, e mesmo com a mudança de vocalista na época, de Belladona para John Bush, lançou como bônus "Cowboy Song" em "Sound of White Noise". E sem nenhum desapontamento, conseguiram manter a energia que Lynott e cia. conseguiam com ela. Se o cover não é melhor, é, no mínimo, tão bom quanto o original.

Confira:




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16/09/2013

Covers #21: Morris Albert vs The Offspring


O cover dessa semana é uma verdadeira mudança da água pro vinho.

Trata-se de "Feelings", lançada por Morris Albert em 1975. Para quem não conhece, apesar do nome em inglês, Morris é brasileiro, e seu nome verdadeiro é Maurício Alberto Kaisermann. E isso não é o mais inusitado. Morris foi acusado de plágio por "Feelings" em 1988. A Suprema Côrte da Califórnia declarou que o plágio foi feito em cima de "Pour Toi", de composição do francês Loulou Gasté.

Agora se a versão de Morris parece um hit digno de Alpha FM, o Offspring deu uma roupagem incrível, com uma intro de guitarra e solo maravilhosos. Confira:




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09/09/2013

Resenha | Arctic Monkeys - AM [2013]


Como tem feito desde 2007, após dois anos desde "Suck It and See", Alex Turner e cia. liberarão nesta terça "AM", o quinto disco da banda. Um dos mais aguardados do ano, "AM" começou a causar ansiedade em muita gente após a divulgação de "Do I Wanna Know?".

E é justamente com ela que se dá início ao disco. Talvez o carro-chefe do álbum, "Do I Wanna Know?" mostra um Alex em sintonia com Jamie Cook na guitarra, além de Nick O'Malley dando o tom no baixo. Logo em seguida vem a manjada "R U Mine?", que já não é surpresa pra ninguém desde fevereiro de 2012, mas que não fica pra trás em nenhum momento. Mais agressiva, o riff de guitarra é muito bem elaborado, e novamente o baixo tem certo destaque, sem esquecermos, é claro, da incrível ponte e sintonia de Alex e Jamie nas guitarras, e das viradas de Matt Helders na batera.

"One for The Road" chega como uma troca de favores. Se Alex participou de "...Like Clockwork" na faixa "Kalopsia", é a vez de Josh Homme colaborar. Os famosos agudos de Josh predominam a canção, e o ritmo lembra um pouco o que é o último disco do Queens... "Arabella" flerta com um som mais dançante, apesar de o solo final ser incrível.

"I Want It All" 'sai da estrada' do disco, com um riff repetitivo e distorções. "No. 1 Party Anthem" lembra "Cornerstone", do "Humbug", só que mais lenta e com certa orquestração. "Mad Sounds" vem com um backing vocal grudento, sendo tão lenta quanto "No. 1...". "Fireside" vem com pouca inspiração, uma bateria monótona, mas os teclados amenizam a pouca qualidade da canção.

"Why'd You Only Call Me When You're High?", também já divulgada pouco antes do lançamento, sobe o nível novamente, com a voz de Alex em harmonia com o riff simples e adequado de guitarra. "Snap Out of It" tem qualidade pra ser uma das melhores "não-hits" do álbum, com teclados preenchendo bem o ritmo, em certos momentos parecendo "Hardest Button to Button" do White Stripes, e com o dom de Alex de fazer certas músicas soarem sessentistas, assim como o fez no único disco do Last Shadow Puppets.

Em "Knee Socks", o baixo comanda o tempo todo, e Josh Homme volta pra fazer os vocais com Alex, além dos ecos na ponte com os vocais femininos. A canção se salva pela junção de vocais no final. "I Wanna Be Yours" fecha o álbum com melancolia.

Que o Arctic Monkeys já não é mais o mesmo, isso é fato. Não dá para comparar "AM" com "Whatever People Say I Am", mas falta um pouco do rock de garagem de início de carreira. Falta aquela pegada que tanto fez surgir a banda. É perceptível que Alex está seguindo os caminhos do seu mestre Josh Homme, mas que siga pelo que Josh foi no início dos anos 2000, com um Stoner Rock, e não pelo que ele está se tornando agora.

Abaixo o álbum em streaming:

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