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04/07/2013

Resenha | Queens of The Stone Age - ...Like Clockwork [2013]


E em junho foi lançado o tão aguardado '...Like Clockwork'. O último trabalho de Josh Homme e cia. foi 'Era Vulgaris', de 2007, e por aí podemos ter uma noção do quão ansiosos os fãs estavam. E à espera valeu a pena! Talvez a participação de tantos músicos de peso pudesse tirar um pouco o foco do álbum, mas não foi o caso. Se antes a psicodelia era o alvo do QoTSA, agora eles apostaram em temas obscuros e um som mais sombrio. '...Like Clockwork' soa pop sem ter tal pretensão. E quando digo isso, tomem como exemplo o álbum preto do Metallica, que mesmo ainda soando Metal, angariou tantos fãs pelo mundo e se tornou o disco mais vendido da banda. Certamente este é o melhor registro do QoTSA desde 'Songs for The Deaf'.

O álbum começa com 'Keep Your Eyes Peeled', e o baixo de Michael Shuman dá o tom e ecoa durante a música toda, e os teclados preenchem bem as lacunas da música. 'I Sat by The Ocean' é, talvez, o melhor não-single do álbum. Consistente e com um riff cativante, logo é emendada por 'The Vampyre of Time and Memory', que com o piano e sintetizador Moog de Josh Homme, - além de a bateria também ter sido gravada por ele - transmitem total melancolia, mas melhoram com um ótimo solo de guitarra de Troy Van Leeuwen. Logo em seguida, 'If I Had A Tail' vem com um riff despretensioso, e é recheada de participações, com Mark Lanegan e o ex-baixista da banda Nick Olivieri nos vocais, e Dave Grohl na bateria, além de no fim, a voz do pupilo de Homme, Alex Turner, ecoar.

'My God Is The Sun', o único single até o momento - a música foi inclusive tocada no último Lollapalooza Brasil, em março - tem motivos de sobra para ser considerado como tal. A voz de Homme combina perfeitamente com o riff de guitarra, e contém também um ótimo solo. A bateria também fica por conta do Foo Dave Grohl. Assim como após 'I Sat by The Ocean', após 'My God Is The Sun' há uma mudança brusca de ritmo, e a melancolia volta a tomar conta, agora com 'Kalopsia'. A música conta com a letra composta também por Alex Turner, e o piano de Dean Fertita dita o ritmo da música numa ascendente, até explodir com a distorção das guitarras.

'Fairweather Friends' é cheia de distorção - e nesse caso, ninguém melhor que Trent Reznor - , o que torna a música agradável, juntamente com os backing vocals de Homme, o vocal de Nick Olivieri e a bateria de Dave Grohl, sem contar com o piano pela lenda Elton John. Mas logo em seguida, 'Smooth Sailing', se torna a única a destoar do álbum, numa sonoridade que lembra claramente o Muse, com Matt Bellamy e seus agudos, num pop dançante, fugindo muito do verdadeiro Queens. O riff de guitarra no refrão salva a música de ser um completo desastre.

'I Appear Missing' foi divulgada com antecedência, assim como 'My God...', e mostra Josh em seu auge vocal no álbum, com variações de notas um tanto bruscas, sem perda de qualidade, e contando com um solo de bateria incrível por Dave Grohl. Pra fechar, a faixa-título se assemelha à 'The Vampyre...' e condiz com a proposta da banda para esse registro.

'...Like Clockwork', em resumo, tem tantas experimentações que Josh Homme e cia. corriam riscos de obter fracasso, e poderia até ser um 'tiro no pé', que não foi o caso. O álbum soa diferente do QoTSA sem perder sua essência.

Confiram um show com 8 das 10 músicas do álbum nos estúdios KCRW (exceto 'Kalopsia' e 'Fairweather Friends'):

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