Onde se respira música.

30/07/2013

Sepultura: "Greve de banho" e o troco no Sodom

Fonte: Paranoid Zine


Foi em "Beneath the Remains" que o Sepultura trabalhou pela primeira vez com o grande artista Michael Whelan. A ilustração usada para a capa do disco, um trabalho chamado "Nightmare in Red", foi vista por uma amigo da banda, Carlos Sabbath em um livro. Todos da banda gostaram da ilustração, e o departamento comercial da Roadrunner organizou o uso da imagem para a capa de "Beneath the Remains".
Whelan fez outras capas do Sepultura ("Arise", "Chaos A.D", "Roots...") e também já trabalhou com o o Obituary e outras bandas ligadas à Roadrunner, inclusive o próprio Soulfly ("Dark Ages").

Com a considerável máquina promocional da Roadrunner por trás, "Beneath the Remains" vendeu muito bem, abrindo definitivamente as portas do mercado externo para o Sepultura, que finalmente conseguiu fazer a (primeira de inúmeras) tão sonhada tour estrangeira, em setembro de 1989. Nessa 1º tour, o Sepultura tocou por toda a Europa abrindo pro Sodom, que numa atitude inexplicável (e até hoje negada) "tesourou" na grande o Sepultura. No som, nas luzes, nos lugares, no tour bus, e até na cerveja! Em represália nossos amigos fizeram uma horrenda "greve de banho".

Se o Sodom achava que ia ganhar alguma coisa com o boicote, o tiro saiu pela culatra, porque na humildade e com muita "fome" de palco os brazucas "roubavam" o show do Sodom, noite após noite, cidade após cidade! A maioria do público ia embora após o show do Sepultura, que por sua vez sempre enchia a cara com os fãs após os shows! Após essa 1º tour européia o Sepultura partiu para sua 1º tour norte-americana, com o Faith or Fear.
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25/07/2013

Os Paralamas do Sucesso: O esporro de Herbert no Rock In Rio I


"Eu queria falar uma coisinha antes. É que ontem eu tava aqui assistindo os shows... Quer dizer, não é tipo 'tô puto' nem nada, mas eu fiquei chateado com o que alguma parte da plateia fez com o Eduardo Dusek e com o Kid Abelha, de jogar pedra... Eu acho o seguinte: Cada um tem direito de vir ver o grupo que gosta. Vem na hora que vai tocar o seu grupo, e em vez de vir jogar pedra, fica em casa aprendendo a tocar guitarra. Quem sabe na próxima você tá aqui no palco."

E assim, Herbert e cia. se impuseram no Rock In Rio I (1985), em sua primeira apresentação de nível internacional. Isso logo no primeiro minuto. Confira:

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21/07/2013

Ira!: O último suspiro com o "Acústico MTV"


O Ira! aproveitou boa parte da sua fama construída nos anos 80, com músicas como "Envelheço na Cidade", "Dias de Luta" e "Rubro Zorro". Nos anos 90 houve um declínio nas composições, e em 2000 veio o "Ao Vivo MTV" para que a banda não sumisse de vez no mainstream. Mas o que de fato fez o Ira! reviver os bons tempos foi o "Acústico MTV". Com uma fórmula manjada da MTV, baseada em criar novos arranjos para hits de bandas nacionais, o projeto fez o Ira! voltar ao topo, ainda que por pouco tempo, assim como o Capital Inicial, que já foi mencionado em um de nossos posts. Após o acústico, a banda somente lançou mais um álbum, "Invisível DJ", que não causou muito alarde. Em setembro de 2007, Nasi se desentendeu com seu irmão e empresário, Airton Valadão, e logo após, Nasi saiu da banda. E por fim, todos os integrantes resolveram se voltar à seus projetos paralelos, e a banda não voltou mais às atividades. Mas a esperança do retorno sempre ficará...

Destaques na gravação para "Eu Quero Sempre Mais", em parceria com a Pitty, "Tarde Vazia", com Samuel Rosa, e "Envelheço na Cidade", com Os Paralamas do Sucesso.

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15/07/2013

Joias do Youtube #5: Pink Floyd - Live in Venice (1989)



Este foi provavelmente o concerto mais controverso da carreira do Pink Floyd.

Apesar dos protestos locais, eles foram autorizados à tocar em um concerto livre de uma barcaça na lagoa
ao oposto da Praça de São Marcos, onde cerca de 200.000 pessoas assistiram à este concerto.

O concerto foi quase cancelado no dia 13 de julho, quando o superintendente municipal de Monumentos alegou que a vibração podia danificar edifícios. Para pacificar os críticos, a banda teve um volume reduzido, mas ainda havia reclamações de danos nos revestimentos de mármore depois do concerto. Postes de iluminação também foram quebrados por fãs ao escalalá-los para uma melhor visualização. As autoridades da cidade não forneceram instalações para os espectadores visitantes, muitos dos quais dormiam na Praça de São Marcos. Depois de algumas horas, o conselho pediu desculpas aos moradores de Veneza pela inconveniência, prometendo que nenhum show semelhante seria mais permitido.
Portanto, este concerto pode ser colocado nos livros como único.

O vereador responsável pela Comissão da Cultura de Veneza, o Sr.Silvan Ceccarelli, demitiu-se, explicando: "Eu sinto que eu tenho que ir, porque sou uma das pessoas que deram o sinal verde para este concerto."

Apesar de inicialmente se recusar, o resto do conselho fez o mesmo logo depois, deixando a cidade nas mãos de uma administração ad-hoc.

Mais de 100 milhões de telespectadores em 23 países viu o show na TV.

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08/07/2013

Você Sabia? #22: Rush plagiou o Chaves


Mais uma da série 'Bandas que plagiaram o Chaves'. Pra quem não lembra, já postamos aqui que o Dire Straits o plagiou. Dessa vez, foi feita uma descoberta similar. Agora com o Rush. Confira:

No riff final de 'A Farewell to Kings', do álbum homônimo de 1976 do trio canadense, o som é similar à uma das músicas de John Charles Fiddy, que teve parte de suas canções usadas na dublagem brasileira do seriado. Grave o riff que começa aos 5:41 e vai até 5:45.




Agora o compare com o trecho de 0:13 - 0:17 e tire suas conclusões:

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06/07/2013

Covers #20: Chuck Berry vs AC/DC



A seção 'Covers' dessa semana traz um clássico incrível!

'School Days' é a primeira música do primeiro registro, 'After School Session' de ninguém menos que Chuck Berry. Data de 1957, esse talvez seja o primeiro hit da lenda. No vídeo abaixo, já em 1986, Chuck entra apenas com seu Cadillac no palco. O clipe que trata-se de um tributo aos 60 anos de Berry, ainda conta com Keith Richards na guitarra, que foi o idealizador do evento. Um momento épico para o Rock N' Roll. Confira:




E em 1975, Bon Scott, Angus e cia. lançaram um cover. Soa meio óbvio isto, visto que o 'duckwalk', passinho de Angus, tem origem de Chuck Berry. O cover não é idêntico. Muito longe disso. O AC/DC deu uma retrabalhada e uma cara nova à ela, com Angus num solo feroz. Confira:



Como diria o mestre: HAIL HAIL, ROCK N' ROLL!!!
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04/07/2013

Resenha | Queens of The Stone Age - ...Like Clockwork [2013]


E em junho foi lançado o tão aguardado '...Like Clockwork'. O último trabalho de Josh Homme e cia. foi 'Era Vulgaris', de 2007, e por aí podemos ter uma noção do quão ansiosos os fãs estavam. E à espera valeu a pena! Talvez a participação de tantos músicos de peso pudesse tirar um pouco o foco do álbum, mas não foi o caso. Se antes a psicodelia era o alvo do QoTSA, agora eles apostaram em temas obscuros e um som mais sombrio. '...Like Clockwork' soa pop sem ter tal pretensão. E quando digo isso, tomem como exemplo o álbum preto do Metallica, que mesmo ainda soando Metal, angariou tantos fãs pelo mundo e se tornou o disco mais vendido da banda. Certamente este é o melhor registro do QoTSA desde 'Songs for The Deaf'.

O álbum começa com 'Keep Your Eyes Peeled', e o baixo de Michael Shuman dá o tom e ecoa durante a música toda, e os teclados preenchem bem as lacunas da música. 'I Sat by The Ocean' é, talvez, o melhor não-single do álbum. Consistente e com um riff cativante, logo é emendada por 'The Vampyre of Time and Memory', que com o piano e sintetizador Moog de Josh Homme, - além de a bateria também ter sido gravada por ele - transmitem total melancolia, mas melhoram com um ótimo solo de guitarra de Troy Van Leeuwen. Logo em seguida, 'If I Had A Tail' vem com um riff despretensioso, e é recheada de participações, com Mark Lanegan e o ex-baixista da banda Nick Olivieri nos vocais, e Dave Grohl na bateria, além de no fim, a voz do pupilo de Homme, Alex Turner, ecoar.

'My God Is The Sun', o único single até o momento - a música foi inclusive tocada no último Lollapalooza Brasil, em março - tem motivos de sobra para ser considerado como tal. A voz de Homme combina perfeitamente com o riff de guitarra, e contém também um ótimo solo. A bateria também fica por conta do Foo Dave Grohl. Assim como após 'I Sat by The Ocean', após 'My God Is The Sun' há uma mudança brusca de ritmo, e a melancolia volta a tomar conta, agora com 'Kalopsia'. A música conta com a letra composta também por Alex Turner, e o piano de Dean Fertita dita o ritmo da música numa ascendente, até explodir com a distorção das guitarras.

'Fairweather Friends' é cheia de distorção - e nesse caso, ninguém melhor que Trent Reznor - , o que torna a música agradável, juntamente com os backing vocals de Homme, o vocal de Nick Olivieri e a bateria de Dave Grohl, sem contar com o piano pela lenda Elton John. Mas logo em seguida, 'Smooth Sailing', se torna a única a destoar do álbum, numa sonoridade que lembra claramente o Muse, com Matt Bellamy e seus agudos, num pop dançante, fugindo muito do verdadeiro Queens. O riff de guitarra no refrão salva a música de ser um completo desastre.

'I Appear Missing' foi divulgada com antecedência, assim como 'My God...', e mostra Josh em seu auge vocal no álbum, com variações de notas um tanto bruscas, sem perda de qualidade, e contando com um solo de bateria incrível por Dave Grohl. Pra fechar, a faixa-título se assemelha à 'The Vampyre...' e condiz com a proposta da banda para esse registro.

'...Like Clockwork', em resumo, tem tantas experimentações que Josh Homme e cia. corriam riscos de obter fracasso, e poderia até ser um 'tiro no pé', que não foi o caso. O álbum soa diferente do QoTSA sem perder sua essência.

Confiram um show com 8 das 10 músicas do álbum nos estúdios KCRW (exceto 'Kalopsia' e 'Fairweather Friends'):

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03/07/2013

O dom de coverizar (ou ser coverizado) #2: Bob Dylan (Parte II)


Dando continuidade à matéria de covers feitos sobre músicas do mestre Dylan, vejamos mais canções:

Original: 'The Times They Are A-Changin'', do álbum homônimo (1964)
Também coverizada por: Billy Joel, Mountain, Phil Collins, Simon & Garfunkel, The Beach Boys, The Byrds, entre outros.

Aquela música, que mesmo após quase 50 anos de existência, ainda faz muito sentido com uma letra que parece dedicada aos tempos atuais. No cover abaixo, Eddie Vedder mantém a música em alto nível.





Original: 'Ballad of Hollis Brown', do álbum 'The Times They Are A-Changin'' (1964)
Também coverizada por: Nina Simone, Iggy Pop & The Stooges, entre outros.

Mas uma do 'The Times...'. Dessa vez, diferente de Eddie Vedder, a versão foge muito da original, com o punk/melódico hardcore do Rise Against. Não significa que haja uma decadência técnica. Muito pelo contrário! A rouquidão típica de Tim McIlrath, vocalista da banda, combina perfeitamente com a canção. Confira:






Original: 'Chimes of Freedom', do álbum 'Another Side of Bob Dylan' (1964)
Também coverizada por: The Byrds

Enquanto Dylan apostou em seu clássico violão e gaita, Bruce Springsteen apostou em uma versão com teclados...





Original: 'Desolation Row', do álbum 'Highway 61 Revisited' (1965)

Clássico de Dylan com seus épicos onze minutos, o My Chemical Romance resolveu adicionar peso à música e a encurtou para incríveis três minutos. Por ter sido rotulada na época do emocore, talvez a qualidade do cover seja muito questionada. Confira e tire suas próprias conclusões:





Original: 'Like a Rolling Stone', do álbum 'Highway 61 Revisited' (1965)
Também coverizada por: Jimi Hendrix, Mott The Hoople, Green Day, entre outros.

O maior hit de Dylan até hoje, feita justamente em homenagem aos Stones, 'Like A Rolling Stone' foi regravada trinta anos depois pelos próprios dinossauros do Rock...



O dom de coverizar (ou ser coverizado) #2: Bob Dylan (Parte I)
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01/07/2013

Resenha | Dire Straits - Brothers In Arms [1985]


Como definir 'Brothers In Arms', de Mark Knopfler e cia.? Talvez 'o registro de Rock mais jazzístico que se já viu nesse mundo!'.

Com certo apelo comercial, 'Brothers...' é apaixonante. "So Far Away" traduz bem esse sentimento logo de cara, com um riff simples mas cativante. Logo após vem "Money for Nothing", numa parceria sensacional entre Mark e Sting, nessa época já fora do Police.

"Walk of Life" tem uma das intros mais reconhecidas do Rock, e trata-se de um medley de várias canções clássicas, que são: 'I Got A Woman', 'Be-Bop-A-Lula', 'What'd I Say', 'Sweet Lovin' Woman' e 'Mack The Knife'. Em seguida, "Your Latest Trick" capta e transmite o espiríto. Com uma intro maravilhosa de sax se torna a melhor a marca do disco. "Why Worry" vem com um riff choroso. Não chegou a se tornar single, mas qualidades e argumentos não faltam para considerá-lo como tal.

Já no lado B do registro, "Ride Across The River" lembra um pouco "Masoko Tanga", última faixa do primeiro registro do Police. Um ritmo tipicamente africano, mas com trompetes, a letra se refere às guerrilhas. "The Man's Too Strong" soa Johnny Cash com riffs elétricos logo de cara, e vai pr'uma crescente até a 'explosão' do refrão. "One World" talvez seja a mais 'hard', se assim podemos definir, com destaque para seu baixo pulsante. Também é a canção mais curta do álbum. Fechando com chave de ouro, "Brothers In Arms" é um dos maiores lamentos sobre as guerras.

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O dom de coverizar (ou ser coverizado) #2: Bob Dylan (Parte I)


Partindo do princípio de que todo artista tem sua influência, notamos o quão influente Robert Allen Zimmerman, vulgo Bob Dylan, tem sido já nos seus mais de 50 anos de carreira. Há centenas de covers feitos de músicas do mestre do Folk, e aqui vai alguns deles:


Original: 'It Ain't Me, Babe', de 'Another Side of Bob Dylan' (1964)
Também coverizado por: Joan Baez, Johnny Cash, e outros.

A versão de Dylan soa meio descompassada, não deixando de ser boa, é claro. Mas eis que Johnny Cash com seu violão e June Carter emprestando sua voz e ambos mostrando total sincronia fazendo dessa música a perfeição. Confiram abaixo:






Original: 'It's All Over Now, Baby Blue', do álbum 'Bringing It All Back Home' (1965)
Também coverizado por: The Animals, The Byrds, Joan Baez, Van Morrison, Grateful Dead, entre outros.

A partir de 02:27 podemos ver Dylan em um momento descontraído, o som leve pairando e ele 'cuspindo' palavras de sabedoria. O Echo & The Bunnymen foge totalmente à original com uma presença eletrônica e um som ao estilo pós-punk anos 80, apesar de ter sido lançada em 2000. Confira:






Original: 'Knockin' On Heaven's Door', do álbum 'Pat Garrett and Billy The Kid' (1973)
Também coverizado por: Roger Waters, Eric Clapton e outros.

Se nesta versão do G'n'R, 'Knockin' On Heaven's Door' soa meio cru, hard e sem muitos detalhes, a versão original e ao vivo com Tom Petty também se supera, com um compasso único, e com as backing vocals tornando a música perfeita, algumas vezes tocante e pra se refletir.






Original: 'Don't Think Twice, It's Alright', do álbum 'The Freewheelin' Bob Dylan' (1963)
Também coverizado por: Joan Baez, Johnny Cash, Waylon Jennings, entre outros.

Elvis tentou, ao melhor estilo Elvis, mas é difícil superar Dylan com seu ritmo cadenciado e ao mesmo tempo cativante. Só o refrão já passa a segurança de toda a letra...





Original: 'In My Time of Dyin'', do álbum 'Bob Dylan' (1962)

1962: Em seu primeiro CD, Dylan solta seu primeiro petardo. 'In My Time of Dyin'' vem ao melhor estilo Dylan de ser. Apenas acústica e com aproximados três minutos. 1975: Eu seu disco com um pé no Prog Rock, com alguns versos incluídos na letra, ótimos riffs e solo, e três minutos virando onze... Boom! Temos um clássico definitivo do Led Zeppelin!



O dom de coverizar (ou ser coverizado) #2: Bob Dylan (Parte II)
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