Onde se respira música.

25/02/2013

Você Sabia? #18: A história de "Jeremy", do Pearl Jam

Basicamente, "Jeremy" é conhecida por muitos. É inegável que se trata de um dos maiores hits do Pearl Jam. A maioria das pessoas sabe que se trata de um suicídio de um jovem, mas os motivos e como isso aconteceu é novidade para muitos. Por isso vamos detalhar toda a história para vocês.


"Jeremy" é baseada em duas histórias reais. A inspiração principal veio de uma matéria de jornal sobre um garoto de 15 anos, Jeremy Wade Delle, nascido em 10 de Fevereiro de 1975, de Richardson, Texas, EUA, que cometeu suicídio com uma arma de fogo na frente de sua turma de Inglês, na Richardson High School, no dia 8 de Janeiro de 1991, pelas 9:45 horas. Em uma entrevista concedida em 2009, Eddie Vedder disse que sentiu que "precisava pegar aquela pequena notícia de jornal e transformá-la em algo que causasse uma reação, transformar em algo maior."


Delle foi descrito pelos seus colegas de aula como "muito tímido" e era conhecido por sempre aparentar que estava triste. Após chegar atrasado na escola aquela manhã, foi dito a Delle que pegasse uma autorização na direção. Ele saiu da sala e voltou com um revolver .357 Magnum. Delle foi até a frente da classe, anunciou "Senhorita, eu peguei o que tinha ido buscar", colocou o cano da arma na boca, e puxou o gatilho antes que a professora ou alguém de sua turma pudessem fazer alguma coisa.


Jeremy era filho de Joseph R. Delle, com quem ele vivia, e de Wana Crane. O casal se divorciou em 1979. Após o ocorrido, o Sr. Delle não pôde ser achado, enquanto a Sra. Crane, através de um porta-voz, não quis comentar.

O diretor Jerry Bishop disse que Jeremy assistia às aulas esporadicamente, e que tinha se encontrado com o rapaz e seu pai para discutir o problema. A polícia disse que Jeremy havia conversado com seu pai, pedindo ajuda, mas não puderam detalhar.

Segundo a polícia, Jeremy tinha premeditado tudo, pois havia deixado um bilhete suicida com um colega de classe. Os investigadores não quiseram revelar o conteúdo do bilhete. O sargento disse que a polícia não faz a mínima ideia de como o jovem conseguiu a arma nem do porquê de ter se matado em plena sala de aula lotada. Os colegas de Jeremy que presenciaram o suicídio ficaram traumatizados e necessitaram ser recolhidos a uma outra sala para ajuda psicológica.


Quando perguntado sobre a música, Vedder explicou:

"Veio de um pequeno parágrafo em um papel, significando que você se mata e faz um sacrifício como forma de vingança. É só o que você vai conseguir, um parágrafo no jornal. Dezessete graus e nublado numa vizinhança suburbana. Esse é o começo do clipe, que é igual ao final do clipe, nada acontece … nada muda. O mundo continua e você se foi. A melhor vingança é viver e provar que você consegue. Seja mais forte que aquelas pessoas. E aí você poderá voltar."

A outra história na qual a música é baseada, envolve um estudante que Vedder conheceu no ginásio em San Diego, Califórnia. Ele contou mais detalhes em uma entrevista concedida em 1991:

"Quando eu estava no ginásio, em San Diego, Califórnia, eu conheci uma pessoa que fez a mesma coisa, só que ele não se matou, mas acabou dando uns tiros numa turma de oceanografia. Eu me lembro de estar nos corredores e ouvir a respeito, e eu realmente havia implicado com o rapaz no passado. Eu era um quinto-anista bem rebelde e acho que brigamos ou algo assim. Então é um pouco sobre um garoto chamado Jeremy e é também um pouco sobre um garoto chamado Brian que eu conhecia mas não sabia quem era...a música, eu acho que diz muito. Eu acho que chega a algum lugar...e muitas pessoas interpretam de forma diferente e foi só recentemente que comecei a falar a respeito do verdadeiro significado e espero que ninguém se ofenda e acredite em mim, eu penso em Jeremy quando canto."

Abaixo alguns relatos de alunos da turma de Jeremy:

“Ele era muito quieto, e agia estranho algumas vezes. Agia como se tivesse uma tristeza muito grande” 
 Koury Kashiem, 15 anos na época


“A gente ficava trocando bilhetes (na sala de suspensão), e ele falava da vida e coisas assim. Ele assinava todos os bilhetes com ‘Responda’, mas na segunda-feira, ele escreveu, 'Até mais tarde’. Eu não sabia o que pensar daquilo. Mas nunca imaginei que isso fosse acontecer”. 
Lisa Moore, 16 anos na época


“Nunca pareceu que havia algo de errado com ele. Ele sempre fazia piada de tudo.” 
Sean Forrester, 17 anos na época


Brian Jackson, de 16 anos, disse que estava abrindo o seu armário no corredor, quando ouviu um barulho, como o de alguém largando um livro pesado sobre a mesa. “Eu achei que estavam encenando alguma peça pra um trabalho ou coisa parecida. Mas então eu ouvi muitos gritos e uma menina loira saiu da classe chorando desesperada.”

Assustado porém curioso, Brian foi ver dentro da sala o que estava acontecendo quando viu o corpo de Jeremy no chão, sangrando. “A professora estava contra a parede, chorando e tremendo… Algumas pessoas estavam segurando ela, porque ela parecia estar quase desmaiando”.

Outro estudante, Howard Perre Felman, do 3° ano, estava numa aula de política quando ouviu o tiro. No começo os colegas fizeram piada do barulho, imaginando ser alguém aprontando alguma brincadeira. “Mas então escutamos uma menina gritar correndo pelo corredor. Era um grito de desespero, vindo do coração, emocionado.”



Confiram a letra logo abaixo juntamente com o clipe:


Em casa
Desenhando figuras de topos de montanhas
Com ele no topo, sol amarelo limão
Braços erguidos em "V"
Os mortos estendidos em poças de cor marrom embaixo deles

Papai não deu atenção
Para o fato de que a mamãe não se importava
Rei Jeremy, o perverso
Governou seu mundo

Jeremy falou na aula de hoje

Me lembro claramente
Perseguindo o garoto
Parecia uma sacanagem inofensiva

Mas nós libertamos um leão
Que rangeu os dentes
E mordeu os seios da menina na hora do intervalo

Como eu poderia esquecer?
E me acertou com um soco de esquerda de surpresa
Meu maxilar ficou machucado

Deslocado e aberto
Assim como no dia
Como no dia em que ouvi

Papai não dava afeto, não
E o garoto era algo
Que mamãe não aceitaria
Rei Jeremy, o perverso
Governou seu mundo

Jeremy falou na aula de hoje

Tente esquecer isso (tente esquecer isso)
Tente apagar isso (tente apagar isso)
Do quadro negro

Jeremy falou na aula de hoje

Jeremy falou
Falou

Jeremy falou na aula de hoje


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20/02/2013

Oasis: Sua relação com "Octopus's Garden", dos Beatles

Após várias semelhanças (poderiam ser coincidências, mas são propositais mesmo) entre o Oasis e os Beatles, mais uma descoberta!

No final de "The Masterplan", um dos clássicos do Oasis, pode-se ouvir aos 04:49 Noel cantando "I'd like to be under the sea". Isso seria uma referência clara à "Octopus's Garden", dos Fab Four. Trata-se do primeiro verso da música.

Confiram abaixo:



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18/02/2013

Iron Maiden: A história de "Seventh Son of a Seventh Son"




A Lenda

Segundo relatos, o sétimo filho do sétimo filho, seria o todo poderoso, o profeta, o futuro messias ou o anticristo. É dito que quando ele nasce, tem poderes infinitos que vão se aperfeiçoando ao longo do tempo, e tanto o bem quanto o mal tentariam controlá-lo. Se o bem conseguisse manipulá-lo, o mundo viveria em um tempo de paz e prosperidade enquanto ele estivesse vivo. Caso contrário, as trevas tomarão conta e enquanto ele estiver vivo, a destruição e a desgraça serão as contadoras de suas façanhas. Após a sua morte, tudo tenderia a voltar ao normal, porém um grande tempo seria necessário.

Há quem diga que isso só passa de lenda, folclore ou coisa parecida, mas a quem diga que isso é verdade e relatam uma era bem mais antiga que a própria barreira mágica desconhece.

Por se tratar de poderes fora do normal a lenda chegou a ser distorcida, e muitos acreditavam que um sétimo filho de um sétimo filho tinha tendências a se tornar um vampiro. Em outras lendas mais distorcidas ainda, acreditava-se que ele seria um lobisomem.

O livro de Orson Scott Card:

Sobre o livro, o jovem Alvin é o personagem central da história. Ele é o sétimo filho do sétimo filho. Tal nascimento envolve grande poder mágico, sendo que tal garoto está destinado a algo grande, quem sabe até a se tornar um "Criador".

Na idade dos seis anos, Alvin não parece ter nenhum talento especial, a não ser sua habilidade em trabalhar com madeira e pedras, seu jeito com animais, entre outras coisas.

Mas Alvin tem sim algo de especial, e mesmo vivendo em segurança com sua família, forças negras podem atingí-lo com o propósito de destruí-lo.




O álbum:

1. Moonchild

Antes de começar a música propriamente dita, Bruce Dickinson recita um pequeno texto que no meu ver, é muito importante para o desenrolar do cd e no final do álbum o mesmo trecho é recitado com uma pequena mudança, que quando eu chagar lá essa mudança será explicada e melhor entendida.

Antes de começar a falar sobre a música, é necessário também saber um pouco do tema do álbum. Além do título (Seventh Son of a Seventh Son) a palavra Seventh Son se repete por várias vezes em muitas músicas do álbum. Na verdade o 7th son é um menino, que nasceu com poderes semelhantes aos de Jesus, e o capeta quando soube que o menino foi enviado à Terra, procurou de qualquer forma eliminá-lo ou persuadi-lo para o mal caminho.

E é exatamente isso que é falado em Moonchild, primeiro vamos ao trecho que o Bruce canta antes da música, que foi citado anteriormente: "Sete pecados mortais/ Sete maneiras de vencer/ Sete atalhos sagrados para o inferno...e sua jornada começa/(...) Sete são os seus fogos queimantes/ Sete são os seus desejos".

Esse trecho mostra a ganância de uma pessoa (desejos, vencer) e esses são os atalhos para o inferno, ou seja, para a perdição.

Bom, agora a sua jornada começa e então começa Moonchild. Como falado anteriormente, quando o capeta soube do envio do sétimo filho à Terra, a sua intenção de início era eliminá-lo a qualquer custo, então ele mataria todas as crianças nascidas na mesma época que o Sétimo Filho. Isso fica bem claro no começo da música: "Não se importe de salvar o seu filho/ Mate-o agora, e salve os (outros) jovens/ Seja uma mãe de um bebê estrangulado/ Seja o próprio mal, LÚCIFER é o meu nome" (o recado seria para a mãe do 7º filho do 7º filho).

No 1º refrão da música tem um trecho interessante "Moonchild - Abra o sétimo selo", na última música do cd e com o desenrolar das outras músicas esse sétimo selo será explicado melhor.

Na segunda parte da música, Lúcifer continua à sua procura mas não tem muito sucesso, com isso ele faz ameaças ao Sétimo filho e que ele se arrependerá de ter nascido, por assim dizer: "E se você tentar salvar sua alma/ Eu vou te atormentar, você não vai crescer/ A cada segundo e a cada respiração/ Você se sentirá solitário sua alma vai sangrar até a morte".

No segundo refrão é acrescentada mais duas frases: "Moonchild - Você será meu em breve/ Moonchild - Pegue minha mão esta noite". Isso já mostra que Lúcifer quer agora que o Sétimo Filho se alie a ele, devido ao seu insucesso na captura. A partir daí começa uma briga entre o bem e mal, para conquistar o Sétimo Filho: "Sete anjos, sete demônios, batalhando por sua alma..." .

E pra finalizar a música, como a busca de Lúcifer pelo sétimo filho não deu certo, mas ainda assim continua matando crianças inocentes, ele faz a última ameaça: "Mais um morre mais um vive/ Um bebê chora, uma mãe se lamenta/ Para todos os pecados que você irá cometer/ Sua alma pedirá perdão e eu não te darei(...)/ Uma escapada de sorte para você, homem jovem/ Mas eu te vejo amaldiçoado no final da noite". Ou seja o Sétimo filho vai ser conhecido mais pra frente como um pecador e um traidor.

2. Infinite Dreams

O Sétimo filho já nasceu, só que ele ainda não tem conhecimento de seus poderes, até agora. Infinite Dreams mostra o começo de seus poderes, mas eles não estão controlados completamente. Seus poderes de clarividência começam a se manifestar através dos seus sonhos, mas isso para ele é um pesadelo: "Salve-me de minha própria tortura dentro de meus sonhos", pois como ele não consegue controlá-los direito, ele acha que está ficando louco e indeciso: "Sonhos infinitos, eu não posso negá-los/ Infinidade, é difícil de compreendê-la(...)/ Com medo de cair no sono de novo, no caso do sonho começar de novo".

3. Can I Play With Madnnes

Agora que o Escolhido já tem noção de seus poderes de previsão, nada melhor do que procurar um profeta para responder às suas dúvidas. A música já começa com a pergunta de seu título (Posso brincar com a Loucura?).

Como já dito antes o Sétimo filho encarava seus poderes como loucura. E pra tirar suas dúvidas ele já vai falando para o profeta: "Me dê o senso de perguntar, de perguntar se já sou livre/ Me dê o senso de perguntar, para saber se eu já posso comigo". E explica ao profeta sua história bem resumida, e que quer logo tirar esse peso das costas: "Não preciso de uma chave para esta porta trancada/ Quero quebrar os muros/ Sair deste lugar Ruim", e depois faz suas perguntas: "Posso brincar com a loucura? - O profeta parou diante da bola de cristal" então ele pergunta novamente: "Posso brincar com a loucura? - Não há visões afinal" insatisfeito com a resposta do profeta ele pergunta de novo em seguida: "Posso brincar com a loucura? - Ele disse que eu era cego demais para ver!". Depois disso Bruce canta uma parte que não está na letra: "Oh! Ele disse que eu era cego demais para ver" como quem quisesse dizer: "Ele não sabe com quem está falando" seguido de um sussurro: "hummmm", que seria o Sétimo filho pensando: "vou mostrar pra ele quem realmente eu sou".

Como o Sétimo filho tem poderes especiais, foi fácil para ele ver que o profeta estava mentindo, e então ele narra: "Eu gritei alto para o velho/ Eu disse 'não minta, não diga o que não sabe'", e o profeta com raiva da audácia dá o troco, narrado pelo Sétimo filho: "Ele disse - você quer saber a verdade? Eu te direi a verdade, sua alma vai queimar no lago de fogo". Depois vem todo o refrão de novo e Bruce canta outra parte da música que não está na letra: "Me escute! O profeta sou eu!", que seria o profeta respondendo às ofensas do Sétimo filho, ainda com raiva. E como o Sétimo Filho não obteve sua resposta, a música termina com a mesma pergunta do início.

4. The Evil That Men Do

The Evil That Men do é baseada em um romance de Shakespeare, no qual tem uma frase: "A bondade que os homens fazem, são enterradas junto com seus ossos. Mas o mal que os homens fazem, sobrevive eternamente..". Tal frase foi falada por Bruce no Rock In Rio 3 antes dessa música ser executada.

O que caiu como uma luva para a temática do cd, e melhor ainda, ela está justamente na fase em que o Sétimo filho se sente dividido entre o bem e o mal. A música fala sobre como a humanidade pode ser má. Ele se apaixona pela filha do profeta da música passada, e o profeta acaba por assassinar a própria filha, pois tinha medo que ela se juntasse ao Sétimo filho, e como o profeta já sabia do destino dele, resolveu que a filha não poderia entrar no mesmo destino que o dele: "Dormi com a sua filha na lama/ Com seus olhos vermelhos do esquartejamento por sua inocência".

Demonstrando toda a sua paixão pela sua "namorada", o Sétimo filho se lamenta e preferia ter ido no lugar dela "Eu sangraria por ela/ Se eu pudesse vê-la agora". E depois mais uma vez demonstra a sua incerteza sobre seu caminho "Vivendo no fio da navalha/ Balançando no limite".

Isso foi o estopim para que o sétimo filho decidisse de qual lado estaria, e o quase total controle de seus poderes: "Círculo de fogo, parece que meu batismo está chegando ao final(...)/ O livro da vida se abre diante de mim." E ciente de que estava chegando perto de dominar seus poderes, ele faz a última oração à sua amada: "E eu rezarei por você/ Algum dia eu posso retornar/ Não chore por mim/ Foi no além que eu aprendi." Esse 'além' significa que ele atingiu o total controle de seus poderes, ali ele aprendeu a controlá-los, e é aí que a música acaba.

5. Seventh Son of a Seventh Son

Até agora eu não tinha mencionado em nenhuma das músicas anteriores a sua parte instrumental, pois eu estava mais preocupado com a interpretação da letra, mas terei que abrir uma exceção para essa música. Primeiro, porque é a mais longa do álbum, segundo porque ela é um elo de ligação entre as quatro primeiras músicas e as outras três que virão, e terceiro, porque é uma música diferente de todas as outras no álbum, em termos instrumentais.

Bom, a música começa com uma introdução bem simples, mas o teclado (que parece ser um coral de anjos) é que deixa essa introdução linda. Esse clima todo é porque nessa música será feita a realização da profecia, o Sétimo filho finalmente conseguirá controlar seus poderes. As duas primeiras estrofes da música falam respectivamente sobre "Moonchild" e "Infinite Dreams". Ou seja, Bruce dickinson narra a trajetória do Escolhido: "Aqui aguardam o nascimento do filho/ O Sétimo, o abençoado, o escolhido" essa parte da música fala sobre Moonchild. "Nascido o curador, o Sétimo de seu tempo/ Vagarosamente seus poderes vão aparecendo" referência a Infinite Dreams, na qual os poderes do Sétimo filho começa a aparecer em seus sonhos.

A terceira estrofe narra a sua trajetória em "Can i Play With Madnnes?" e em "The Evil that Men Do", os momentos em que ele estava indeciso sobre seus poderes: "Então eles observam o progresso que ele faz/ O Bom e o Mal, que caminho seguirá?/ Ambos tentando manipulá-lo/ O uso de seus poderes antes que seja tarde".

Depois de narrar as várias fazes do Sétimo filho, então é hora de narrar a profecia se concretizando, o total controle sob seus poderes, então depois do refrão a música ganha um clima incrível. O baixo é quem dita a música, as guitarras quase inaudíveis junto com o teclado deixam um clima de que naquele momento a profecia está se concretizando, então Bruce narra:

"Hoje nasceu o Sétimo" - o que nasceu foram os seus poderes
"Nascido de uma mulher, o Sétimo Filho" - nasceu de um humano
"E ele se tornou o Sétimo Filho" - ele finalmente controlou seus poderes
"Ele tem o poder da cura/ Ele tem a presença do segundo sinal/ Ele é o escolhido" - narração do que ele é capaz
"Que assim esteja escrito" - a profecia foi escrita
"Que assim seja feito" - Que a profecia se realize...nas próximas músicas!

Depois dessa narração, o clima da música ainda é tenso, então entra um coral de anjos, como se naquele exato momento o Sétimo Filho estivesse fazendo as suas próprias previsões. Então aí é que entra o solo, que na minha interpretação é como se fosse uma batalha entre o Bem e o Mal. O solo começa rápido e agressivo, os solos de guitarra são rápidos, e toda essa agressividade parece ser todo o poder do Mal, mas em um determinado momento do solo, novamente entra o coral de anjos rebatendo os ataques do mal. O coral é acompanhado das guitarras pesadas, mas o teclado deixa a música mais tranqüila, e a partir desse momento as guitarras entram em harmonia e a música fica mais tranqüila com toda a força do bem. E assim termina essa grande música!


6. The Prophecy

Agora que o Sétimo filho tem o total controle sob seus poderes, é hora de ele próprio fazer suas profecias "Agora que eu sei que meu tempo correto chegou/ Minhas previsões com certeza serão verdadeiras".

Consciente de que vai usar seus poderes para o bem, o Sétimo filho prevê a queda do império e resolve alertar a população. Porem, ninguém acredita nele, achando que ele é apenas mais um falso profeta, o que era muito comum na época "O disastre do império se aproxima/ E toda a vila está ameaçada/ Porque vocês não me escutam?/ Isso é tão difícil de entender?/ Que eu sou o real Sétimo Filho/ Suas vidas ou mortes dependem de mim"

Isso levou ao Sétimo filho ser um pecador, como Lúcifer previu na primeira música Moonchild: "Por todos os pecados que você irá cometer...".

"Lúcifer sorri, olha e espera", essa frase na música indica que Lúcifer já está prevendo a queda o Sétimo filho, que desesperado ainda tenta convencer a população de que suas previsões estão certas: "Eu tenho suas vidas em minhas mãos/ Seus destinos e suas fortunas em minhas visões/ Escute o que eu tenho a dizer e vejam o que acontecerá/ Por favor me escutem!". E então começa o solo da música, como se o desastre que o Sétimo filho previu estivesse acontecendo. Quando o solo acaba, o desastre já tinha terminado e o Sétimo filho sofreu as conseqüências. Essa música é muito simples de interpretar, basta ler: "Agora que eles viram que o desastre está feito/ Todos botaram a culpa em mim/ Eles sentem que eu construí uma maldição", e o Sétimo Filho percebe que foi amaldiçoado por Lúcifer: "Eles não sabem o que é o medo/ Eles não percebem que eu sou o único almadiçoado".

"Agora Lúcifer ri, o inferno aguarda", essa frase agora mostra que Lúcifer tem certeza do que irá acontecer ao Sétimo Filho, suas previsões que ninguém acreditaria nele se concretizaram, e o Sétimo decepcionado com a população, começa a levar seus poderes para o lado do mal: "Eu tive as vidas deles em minhas mãos/ Seus destinos e fortunas em minhas visões/ Ninguém acreditou na minha verdadeira profecia/ Agora é muito tarde".

7. The Clairvoyant

Com a sua última decisão, o Sétimo filho começa a aumentar muito os seus poderes, mas aumenta tanto, que o seu medo em Infinite Dreams e em Can I Play With Madnnes, começa a acontecer de fato. Ele começa a ficar louco e não consegue mais controlar seus poderes direito: "Sinto o suor descendo pela minha testa/ Sou eu ou são sombras que estão dançando nos muros/ Isso é um sonho, ou é verdade?/ Isso é uma visão que normalmente eu vejo ante de meus olhos?". Isso é um sonho ou é verdade. Essa frase mostra o quanto ele está perdendo o controle, não sabe mais distinguir uma visão de uma realidade.

"Eu pergunto porque, eu pergunto como/ Parece que meus poderes estão mais fortes a cada dia/ Eu sinto uma força, um fogo ardente/ Mas estou com medo, eu não controlarei mais isso". Mais uma vez ele se questiona, agora ele perdeu o controle total de seus poderes e a loucura está dominando cada vez mais sua mente, ele tenta lutar contra mas é inútil. O final da música narra tudo o que ele foi capaz, de prever o futuro, ver mentiras e verdades, mas a única coisa que ele não podia prever era a sua própria morte devido aos seus poderes: "Mas para todo o seu poder ele não pode prevê seu próprio legado".


8. Only The Good Die Young

"O demônio na sua mente irá te capturar na sua cama à noite". Reparem se essa primeira frase não bate certinho com a última frase da primeira música "Moonchild" em que Lúcifer fala: "Mas eu te vejo amaldiçoado no final da noite". Com a loucura total o Sétimo Filho está morrendo, a loucura se deve ao fato de ele ter escolhido o lado mal para manifestar seus poderes, devido que ninguém acreditou na sua profecia e como em "Infinite Dreams" ele estava indeciso se iria pro bem ou pro mal, não foi nenhuma surpresa ele ter escolhido o mal. Então ele escolheu a luxúria, como no verso que Bruce Dickinson citou antes mesmo de começar o cd "Sete pecados mortais/ Sete maneiras de vencer/Sete atalhos para o inferno(...)/ Sete são os seus desejos". Ou seja, a banda já tinha contado o futuro do sétimo filho antes de a história ser contada.

Ainda em "Moonchild" no refrão "Moonchild- abra o sétimo selo". Segundo a Bíblia, aquele que abrir o Sétimo selo provocará a paralisação da Terra, e era isso que Lúcifer queria para a total destruição, por isso ele pediu ao sétimo filho que abrisse tal selo. Mas antes do sétimo selo vieram os seis anteriores. Os primeiros cinco selos desceram cavalos à Terra de cores diferentes (Branco, vermelho, preto...) e cada cavalo tinha um anjo que os montavam para paralisar uma determinada parte da Terra (Mares, ventos, terra, etc.). Esses foram os primeiros cinco selos. O sexto selo ao ser aberto começou o Purgatório, e o que aconteceu na Terra foi exatamente isso: "A lua é vermelha e sangrenta/ O sol é preto e queimado/ O livro da vida está silencioso/ Sem volta" que é uma das frases dessa música.

A segunda parte da música (depois dos solos) fica pela visão de Lúcifer, que acha que o Sétimo filho foi um brinquedo que ele cansou de brincar "Misterioso louco, vítima de uma cruel charada/ Um inocente feito no fim do jogo".

"É morte em outro aniversário?/ Um modo de dar um beijo de despedida aos seu sonhos", como foi explicado em "Infinite Dreams", os poderes do sétimo se manifestavam em sonhos, então essa frase relata os seu adeus aos seus poderes e a aproximação de sua morte. E a música finalmente acaba com Lúcifer cantando vitória, como o refrão mesmo diz: "Todo o mal parece viver para sempre", Lúcifer narra onde foi que ele errou e ainda fala mais um pouco de sua total loucura: "Andando na água e todos os milagres que seus olhos podem confiar/ Meça seu caixão, ele é compatível com sua luxúria?/ Então acho que vou deixá-lo/ Com sua culpa e seus bispos/ Então até a próxima vez/ E Tenha um bom pecado". Um final perfeito.

Mas quando acaba a música Bruce Dickinson canta os mesmos primeiros versos que ele cantou antes de começar "Moonchild", mas com uma pequena e importante diferença: "Sete pecados mortais/ Sete maneiras de vencer/ Sete atalhos sagrados para o inferno...". Notem que ele não fala "E sua jornada começa", mas substitui essa fala por uma risada satírica, obviamente porque a jornada do Sétimo filho terminou, e da forma mais cruel possível.

Quem quiser pode ouvir o álbum na íntegra logo abaixo:


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15/02/2013

Storm Thorgerson: O mestre das capas e "6º membro" do Pink Floyd




Pelo menos toda semana, no "Perdidos na História", nós trazemos para vocês o legado de músicos geniais que mudaram o mundo da música. Mas, além desses, existem outras figuras que são essenciais para o universo musical e que, mesmo sem nunca terem tocado uma nota, também conseguiram revolucionar muita coisa nesse meio.

Um belo exemplo do que eu estou falando é um homem chamado Storm Thorgerson – o cara por trás de capas do Pink Floyd, Muse, AC/DC, 10cc, Anthrax, Yes, The Cranberries, e de muitas, muitas outras bandas.

Nascido na Inglaterra em 1944, Thorgerson nunca havia trabalhado com design ou algo do tipo. Ele estudava  em Cambridge , junto com dois jovens chamados Syd Barret e Roger Waters, que mais tarde, formaram uma banda chamada Pink Floyd. Quando eles iam gravar o seu segundo disco, A Saucerful of Secrets (de 1967), Thorgerson foi chamado para fazer a capa do disco. O resultado foi esse:


Daí pra frente, as capas de disco (principalmente do Pink Floyd) nunca mais seriam as mesmas. Isso que eu falei pode soar um exagero, mas não é. Vem comigo que eu te provo.

Em 68, junto com Aubrey Powell, ele fundou o estúdio Hipgnosis – especializado em fazer capas de discos. Sobre esses trabalhos, vou deixar que algumas das capas e o nome que elas carregam falem por si:


É pouca coisa? É! Isso tudo é apenas um pouquinho das mais de 200 capas que os caras fizeram nos 14 anos de estúdio (o resto você pode ver aqui).

No começo, Thorgerson e Powell usavam o estúdio da faculdade para trabalhar. Depois que eles se formaram, começaram a utilizar o banheiro da casa de Powell. Após muitos trabalhos eles finalmente conseguiram comprar um estúdio de verdade.

Vale lembrar que nessa época não existia Photoshop e nenhum software de edição de imagens. Essas loucuras todas eram feitas na unha mesmo, com técnicas super bem elaboradas e uma criatividade genial. A capa de "Momentary Lapse of Reason", por exemplo, é realmente uma fotografia de 700 camas colocadas em uma praia.

E foi nesse pequeno estúdio na Inglaterra, com apenas dois artistas, que foi concebida uma das mais clássicas capas de disco de todos os tempos: a de "Dark Side of the Moon". O sucesso do disco é indiscutível, tal como a qualidade dele. Era óbvio que uma capa tão simples, emblemática e profunda também pegaria uma carona no sucesso do álbum. E não deu outra.


Após o lançamento de "Dark Side of The Moon" vários artistas grandes começaram a procurar o trabalho do Hipgnosis para suas capas. Consequentemente, o estúdio foi crescendo e Powell e Thorgerson contrataram outros grandes designers. Mesmo com todo o sucesso, a dupla sempre manteve a política de que os clientes deveriam pagar apenas o que achassem justo pelo trabalho (o que trouxe sérios problemas financeiros). E assim foram, até que em 83 o clássico Hipgnosis fechou suas portas.

Powell seguiu na área dos vídeos, trabalhando principalmente com o The Who. Enquanto Thorgerson abriu o Storm Studios e continuou produzindo capas de álbum, mas também vídeos e outros materiais. Os seus trabalhos continuam sendo prestigiados e bandas como o Muse ainda procuram Storm Thogerson para produzir suas capas.

Além das capas, Thorgerson já fez alguns clipes bem conceituados, como "Learning to Fly" (Pink Floyd) e "Owner of Lonely Heart" (Yes). Ele também já escreveu vários livros sobre arte, Pink Floyd e sua carreira. Ah! Ele também já gravou uma série de filmes e documentários.






Hoje Storm Thorgerson já está beirando os seus 67 anos. A marca que ele deixou seja para a arte visual ou para a música é imensurável. Como o título do post sugere, com certeza você já apreciou o trabalho dele em alguma capa de algum disco que você já viu na sua vida, mesmo que não soubesse quem era o autor daquela arte.

No Pink Floyd, ele fez quase todas as capas – exceto Pipers at the gates down, Relics, The Wall e The Final Cut. Por isso mesmo, e pela amizade que ele tinha com os membros, Thorgerson é muitas vezes considerado o sexto membro do Pink Floyd.

Mas ele foi além e não ficou só no Floyd. 40 anos depois, seus trabalhos ainda inspiram pessoas de todas as gerações e estão presentes em muitas capas que ainda serão apreciadas por novas cabeças. Enquanto isso, você pode ficar tentando decifrar um prisma de cores ou vários ursinhos de pelúcia enterrados, enquanto assiste um vídeo com um índio que queria voar. É tudo obra da mesma cabeça.

“Quando me perguntam o que eu faço eu respondo de diversas maneiras. Para as tradições de Vossa Majestade, eu sou um fotógrafo; para a imprensa musical, eu sou um designer gráfico; para as pessoas do cinema, eu sou um diretor; para minha mãe eu sou um artista! Para os meus queridos, eu sou uma dor na bunda. Alguns músicos sarcásticos me veem como um cafetão que na verdade não faz muitos trabalhos. Meus funcionários e, pessoas que acreditam em mim, sabem que o que eu faço são apenas imagens. Eu penso em ideias, normalmente com colaboração de outros, e tento concretizar essas ideias – seja por fotografia ou filmes.” – Storm Thorgerson em “Mind of Matter”
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09/02/2013

The Strokes: Até que ponto inovar é positivo?


Nessa última semana que se foi, o centro das atenções foi o novo single dos Strokes, "One Way Trigger", em que há um flerte escandaloso com o tecnobrega. Até Gaby Amarantos, símbolo do Pará e do gênero atualmente, já cogitou fazer cover da música.

Mas a questão é: Até que ponto uma banda inovar ajuda na carreira? Já vimos casos e casos, como o do Metallica, que para os mais aficionados, após "... And Justice For All" não foi mais o mesmo. Após o "Black Album" eles se venderam, e com "Load" e logo em seguida "Reload" passaram a ser questionados frequentemente.

Existe o caso do KISS, que em 1979 lançou "I Was Made For Lovin' You", flertando com a disco music para voltar à mídia. Os mais aficionados torceram o nariz na época. A verdade é que até hoje essa é uma das músicas mais conhecidas da banda.

Ao mesmo tempo são raros os casos que ser sempre o mesmo funciona. O AC/DC, por exemplo, que em toda sua carreira vem mantido sua sonoridade apenas Rock N' Roll, e tem mantido o sucesso.

Mais pros anos 2000, podemos citar o Linkin Park, que estourou nas rádios após "Hybrid Theory", confirmou o sucesso com "Live In Texas", se estabeleceu como um dos símbolos do Nu Metal com "Meteora", mas nos últimos anos vem fazendo uma música cada vez mais experimental.

E você, o que acha da busca das bandas de sempre inovar?

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08/02/2013

Joias do Youtube #2: Pink Floyd - The Wall (1982)


Esta semana nossa seção de grandes achados do Youtube conta com um dos clássicos musicais (se assim podemos chamar): "The Wall", um filme de Alan Parker.

Mais como um megavideoclipe e longe de ser um musical, o filme gira em torno de Pinky, um rockeiro depressivo que sofre na infância com a perda do pai na 2ª Guerra Mundial, que é humilhado na escola por professor e colegas, e que é superprotegido pela mãe. Pinky cresce, e se torna um astro do Rock, mas não consegue suportar o preço do sucesso, e cai novamente em depressão. Há momentos em que ele se considera um líder neo-nazista. O filme ainda aborda o consumismo e o isolamento em busca de soluções para tantos problemas, o que não é eficaz, visto que ele entra em um próprio julgamento em sua mente, em um acerto de contas com o passado, onde seu muro é destruído.

Cheio de animações por Gerald Scarfe, e com Bob Geldof como protagonista, "The Wall" é um filme obrigatório para se ter.

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