Onde se respira música.

26/12/2012

Capital Inicial: A redenção com o "Acústico MTV"






Fonte: Wikipedia

1998: Há 5 anos parado, e sem seu vocalista, Dinho Ouro Preto, o Capital Inicial resolve voltar à ativa. Em 1999, a banda se dedica à turnê brasileira e, ao longo dos shows, a banda, além dos antigos fãs, encontra um novo público, adolescentes que não conhecem seus primeiros discos. Então surge a ideia de fazer um disco ao vivo, juntando novos e antigos sucessos. Rapidamente esta ideia se transforma no projeto de um disco acústico, em parceria com a MTV. O último ano do século XX começa com a banda se preparando para a gravação do "Acústico MTV", que acaba ocorrendo em março com a participação do cantor e compositor Kiko Zambianchi. Vale lembrar que Zambianchi participou do acústico porque não havia ninguém na banda que soubesse tocar violão.

O disco é lançado dia 26 de maio, e a primeira tiragem rapidamente se esgota nas principais lojas do Brasil. A primeira música escolhida para tocar nas rádios, "Tudo Que Vai", de Alvin L., Toni Platão e Dado Villa-Lobos, é amplamente executada em todo o país, e a banda vê reconhecido o seu empenho em fazer um disco acústico de rock simples, despojado, mas com a mesma atitude dos seus melhores discos. Isso fica claro em 2001 (ano da participação do grupo no terceiro Rock in Rio), quando o sucesso "Natasha" explode entre as músicas mais executadas nas rádios de todo o Brasil e faz com que as vendas do disco alcançassem mais de 1 milhão de cópias, colocando assim o Capital Inicial como uma das maiores bandas do rock brasileiro.

Em 2002, após a turnê "desplugada" o Capital volta com força total às guitarras fazendo um disco totalmente rock n' roll e com vocal mais agressivo. Saída do Loro Jones, para carreira solo e fazendo ponta em Cinema em Brasília. Com Yves Passarel assumindo o posto de guitarrista, é lançado Rosas e Vinho Tinto. Os hits "A Sua Maneira" (um cover da música "De Música Ligera" da banda argentina Soda estereo) e "Mais" explodem nas rádios e o disco já alcança a marca de 200 mil cópias vendidas.

Segue o link com o show completo:

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25/12/2012

Covers #17: Jane's Addiction vs The Prodigy






Esta semana, a seção "Covers" traz duas versões de uma música não tão clássica, mas um grande hit, e também uma comparação um tanto quanto incomum.

Trata-se da pérola "Been Caught Stealing", do Jane's Addiction, encontrada no álbum "Ritual de Lo Habitual", de 1990, talvez o mais badalado álbum da banda, por também conter "Stop!".

O cover fica por conta de Liam Howlett, do Prodigy, em um trabalho solo de remix. Você pode conferir as duas versões logo abaixo:

Para conferir o remix de Liam, ouça dos 04:03 aos 05:00.



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20/12/2012

Você Sabia? #16: Os mistérios de "Hey Jude"






Descobri através de uma página do facebook outro dia, mas desconheço o autor.

A famigerada "Hey Jude", já nos seus milhares de "na na na", aos 05:36, preste atenção, pode-se ouvir uma voz dizendo "pega o cavaquinho, hein!?"

Ouça:

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15/12/2012

Led Zeppelin: As seis capas de "In Through The Door"






O último álbum de estúdio com John Bonham, o "Bonzo". Um álbum cheio de teclados e sintetizadores de John Paul Jones. O único hit do álbum sendo "All My Love".  Uma fase criativa fraca de Jimmy Page por estar dependente de heroína.

Assim é mais conhecido "In Through The Door", de 1979.

Mas esta publicação não é uma resenha do álbum. A intenção aqui é apenas mostrar a parte gráfica do álbum, que nos aguça a curiosidade pelo fato de ter 6 ângulos (ou 6 capas). Vejamos cada uma delas:

Perspectiva da mulher encostada à parede.


Perspectiva do homem com a carteira


Perspectiva do Barman.


Perspectiva da mulher ao balcão.


Perspectiva do pianista.


Perspectiva da mulher junto à jukebox.
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19/07/2012

Covers #16: Paul McCartney & Wings vs Foo Fighters






A sessão de covers dessa semana traz um dos ex-membros de uma banda que marcará para todo sempre o Rock N' Roll, e uma que está atualmente deixando sua marca no gênero.

"Band On The Run" faz parte do terceiro álbum homônimo de Macca com os Wings, que é considerado um dos melhores - senão o melhor - álbum solo de Macca até hoje.

Já a versão de Dave Grohl e cia. faz parte de uma compilação da Radio 1, intitulada "Radio 1 Established 1967".

Confira as versões logo abaixo:



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16/07/2012

Dire Straits plagiou o Chaves






Não é para se levar a sério, maaaaas...

Confira, sobretudo a levada da bateria:






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01/07/2012

"Sweet Home Alabama": o mito Lynyrd Skynyrd x Neil Young

Fonte: Southern Rock



Sweet Home Alabama

Graças a Neil Young, o Lynyrd Skynyrd foi inspirado a escrever a canção "Sweet Home Alabama".
"Sweet Home Alabama" tem uma longa história. A música é muito popular e tem uma história extremamente complexa. Raramente uma canção popular foi tão amplamente mal compreendida por tantos durante tanto tempo.

As músicas de Young, que eram críticas as atitudes racistas e segregacionistas do sul, serviram de inspiração para a banda produzir uma música que continua a ser escutada incessantemente pelos fãs da banda 39 anos depois de seu lançamento.

Mas a ironia de "Sweet Home Alabama" é que, para muitos, a música não foi concebida como uma critica a Neil Young, e o trecho da música que diz "Hope Neil Young will remember, a southern man don't need him around anyhow” ajuda a evidenciar essas opiniões. Esse trecho pode ser entendido de forma ambígua, pois pode ser visto como repúdio a Young ou um elogio a sua postura anti-racismo.

Letra e Análise

"Sweet Home Alabama" muitas vezes é interpretada como racista, principalmente por causa de certas partes de sua letra, como: "In Birmingham [onde uma igreja negra foi bombardeada e matou quatro jovensthey love the governor [George Wallace que foi um segregacionista]". Depois de cantar essa parte, Ronnie canta "Boo, boo, boo!" como uma desaprovação a Wallace e suas políticas racistas. Quanto à "Boo, boo, boo!" alguns o rejeitaram. Muitos ainda a consideram como um símbolo do "descaso do Sul" para o movimento dos direitos civis.


George Wallace foi o governador do Alabama, quando a música foi lançada - aparentemente – ele amava a parte "Em Birmingham eles amam o governador". Na melhor das hipóteses, isto é ambíguo. O que é pior, isso pode ser visto como um endosso da política racista do estado do Alabama.

Talvez Van Zant resuma isso melhor. "Nós não estamos na política, não temos nenhuma educação e Wallace não sabe nada sobre rock n’ roll".

Em 1975, Van Zant disse: “A letra sobre o governador do Alabama foi mal entendida. O público em geral não percebeu as palavras ‘Boo! Boo! Boo!’, depois dessa linha em particular, e a mídia pegou apenas a referência do povo amando o governador.” “A linha ‘We all did what we could do’ é, de certa forma, ambígua”. Kooper avisa: “Nós tentamos colocar Wallace pra fora é como eu sempre interpretei a letra”. O jornalista Al Swenson argumenta que a canção é mais complexa do que geralmente pensam, sugerindo que simplesmente parece um apoio à Wallace. “Wallace e eu temos muito pouco em comum,” disse o próprio Van Zant, “Eu não gosto do que ele diz sobre as pessoas de cor.”

O trecho: "Montgomery’s got the answer". Para essa parte da música encontrei duas explicações e ambas levam a entender que o trecho é contra o racismo:
“Alguns dos membros originais da banda revelaram em uma entrevista de rádio há alguns anos atrás, que possivelmente faz referência à famosa marcha de Selma para Montgomery, Alabama, liderada pelo líder dos direitos civis Martin Luther King.” Essa é uma referência aoboicote aos ônibus da Montgomery, que levou a Suprema Corte a declarar as leis de segregação racial, em ônibus no Alabama, inconstitucionais.”
O verso "Well, I heard Mr. Young sing about her", pode-se ouvir ao fundo o que soa como a frase"Southern Man". Muitos acreditam que foi a gravação original de Young sendo tocada. No entanto, outros afirmam ser o produtor do álbum, Al Kooper, representando Young.

Além disso, o trecho "Now Watergate does not bother me", dependendo da interpretação, pode mostrar a falta de preocupação com a corrupção, que teve no caso Watergate, um dos maiores escândalos de corrupção dos Estados Unidos.

Alguns fãs reivindicam a banda como anti-racista, apontando para a letra da canção "The Ballad of Curtis Loew", uma música que Van Zant escreveu professando seu amor por um homem negro que tocava blues.

“Old Curt was a black man with white curly hair
When he had a fifth of wine he did not have a care
He used to own an old dobro, used to play it across his knee
I'd give old Curt my money, he'd play all day for me
(chorus)
Play me a song Curtis Loew, Curtis Loew”

Neil Young e Lynyrd Skynyrd: Amigos ou Inimigos?

A canção foi inspirada por duas canções de Neil Young, "Southern Man" e "Alabama". Mais especificamente, por "Southern Man":

“Better keep your head
Don't forget
what your good book said
Southern change
gonna come at last
Now your crosses
are burning fast
Southern man
I saw cotton
and I saw black
Tall white mansions
and little shacks.
Southern man
when will you
pay them back?
I heard screamin'
and bullwhips cracking
How long? How long?”

Alabama:

“Oh Alabama
Banjos playing
through the broken glass
Windows down in Alabama.
See the old folks
tied in white ropes
Hear the banjo.
Don't it take you down home?”

No encarte do álbum "Decade", Young escreveu sobre a "Southern Man" de modo irônico:
"Esta canção poderia ter sido escrita em uma marcha pelos direitos civis após parando para assistir "Gone With The Wind" em um teatro local. Mas eu não estava lá então eu não sei ao certo."

Em um artigo na Glide Magazine, Ross Warner, diz o seguinte:
"Embora a música seja percebida como um hino do orgulho sulista, "Sweet Home Alabama", foi realmente uma intenção, não apenas como lembrança da banda da sua primeira vez em um estúdio de gravação, mas como uma lembrança para o resto da América de que nem todos os sulistas foram rednecks. Quando o Skynyrd critica Neil Young por causa de"Southern Man", foi por causa da generalização de que todos os sulistas são caipiras. Não condeno os sulistas pelo que seus antepassados fizeram. "Pensamos que Neil estava fotografando os patos para matar um ou dois", disse Van Zant. "Somos os rebeldes do sul, mas mais do que isso, sabemos a diferença entre certo e errado". De fato, a banda foi bastante sincera sobre o seu desdém para as políticas de Wallace."

O mito da rixa foi reforçado com a canção "Ronnie and Neil" do álbum "Southern Rock Opera" do Drive-By Truckers:

“And out in California, a rock star from Canada writes a couple of great songs
about the bad shit that went down
"Southern Man" and "Alabama" certainly told some truth
But there were a lot of good folks down here and Neil Young wasn't around
Now Ronnie and Neil became good friends
their feud was just in song
Skynyrd was a bunch of Neil Young fans and Neil he loved that song
So He wrote "Powderfinger" for Skynyrd to record
But Ronnie ended up singing "Sweet Home Alabama" to the lord”

O guitarrista Patterson Hood explica:
"Eu escrevi essa canção para dizer da amizade mal compreendida entre Ronnie Van Zant e Neil Young, que foram amplamente acreditados para serem adversários ferrenhos, mas eram na verdade muito bons amigos e admiradores mútuos..."

Quanto à reação de Neil Young sobre tudo isso? A faixa "Walk On" “parece” ser bem clara:

“I hear some people been talkin' me down,
Bring up my name, pass it 'round.
They don't mention happy times
They do their thing, I'll do mine.”

Mas boa parte das pessoas acreditam que essa faixa foi uma resposta aos ex-companheiros de Young, Crosby, Stills e Nash. Assim, foram Neil e Skynyrd realmente amigos ou inimigos? Se você olhar atentamente para a foto da capa do último álbum do Lynyrd Skynyrd "Street Survivors", você pode ver Ronnie Van Zant vestindo uma camiseta com a capa do álbum "Tonight's the Night" de Neil Young.

Bento Araújo, em um artigo sobre o assunto, publicado na revista Poeira Zine, diz que:
“Ronnie declarou que as letras de sua polêmica canção não passavam de uma piada. Elas simplesmente “apareceram” daquele jeito na sua cabeça e foram passadas para o papel. Van Zant deixou ainda bem claro: “Nós amamos Neil Young, realmente amamos sua música...””
O que pouca gente sabe é que Neil Young chegou a oferecer uma de suas canções para o Lynyrd Skynyrd gravar, a pedido da própria banda. Numa entrevista na revista inglesa Mojo, Young explicou melhor: “Eles queriam gravar uma das minhas canções, então mandei para eles uma demo com a música Powderfinger! Por muito pouco eles não a lançaram antes da minha versão (que está no disco "Rust Never Sleeps", lançado em 1979).” Young ainda confirmou que o Lynyrd gravou“Powderfinger”, mas nunca a lançou oficialmente...”

Além da canção "Powderfinger", Young, disse que também cedeu Sedan Delivery e "Captain Kennedy" para o Skynyrd gravar.

Em uma entrevista a MOJO Magazine, Young disse:
"Ah, eles realmente não me colocaram para baixo! Mas, novamente, talvez eles fizeram! (Risos) Mas não de uma maneira que importa. Merda, eu acho que "Sweet Home Alabama" é uma grande canção. Eu realmente executei ela ao vivo algumas vezes."

Mais uma vez Bento Araújo, em um artigo publicado na revista Poeira Zine, diz que:
"Depois do acidente aéreo, Neil Young fez um show em Miami (no dia 12/11/1977) que contou com a inclusão de sua música “Alabama” (ele raramente tocou essa música ao vivo). No refrão, ao invés de cantar Alabama, Neil emendava a frase “Sweet Home Alabama”, uma justa homenagem aos integrantes mortos no acidente. E as homenagens não pararam por aí; no filme do show "Rust Never Sleeps", o baixista do Crazy Horse, Billy Talbot, aparece vestindo uma camiseta do Lynyrd Skynyrd, mais especificamente aquela baseada no rótulo da Jack Daniel’s. No vídeo de "Weld", é a vez de um fã de Young exibir uma tatuagem em homenagem ao Lynyrd Skynyrd. Tudo isso sem contar as vezes que Neil Young tocou “Sweet Home Alabama” em suas tours..."

Em uma entrevista no programa de rádio Rockline (23 de novembro, 1981), quando perguntado sobre "Swee Home Alabama" e Lynyrd Skynyrd, Neil Young disse: "Grande banda, Ronnie disse certa vez que eu vou ser maduro sobre o assunto de um jeito ou outro. Ele estava certo. "

Ainda dizem que Young estava presente no enterro de Van Zant, tendo até carregado o caixão do vocalista do Skynyrd. Como pode ser visto nesse trecho da faixa "Ronnie and Neil" do Drive-By Truckers:

"And Neil helped carry Ronnie in his casket to the ground
And to my way of thinking, us southern men need both of them around"

Este é outra “lenda urbana” do caso Neil Young/Lynyrd Skynyrd, que é desmascarado em um ensaio interessante do Tone and Groove. Quanto ao boato de que Ronnie Van Zant foi enterrado vestindo uma camisa de Neil Young, novamente, parece ser outro exemplo de um mito para propagar o fato. Ainda mais estranho, são os rumores de que alguns fãs do Skynyrd cavaram o túmulo de Ronnie para provar que Van Zant foi enterrado com uma camisa de Neil Young. Alguns dos fãs/coveiros dizem ter visto o corpo de Van Zant com a camisa negra de Neil Young com a capa de "Tonight's the Night", porém os relatórios policiais indicam que o caixão nunca foi aberto. Independentemente da sua motivação para a profanação de um túmulo, os restos mortais de Van Zant e Gaines foram transferidos para um local não revelado. A transferência foi motivada por um arrombamento em 29 de junho de 2000 ás criptas de Van Zant e Gaines no Jacksonville Memory Gardens, em Orange Park, Florida, onde os fãs se reuniram para prestar homenagem à banda.

E os mitos e as lendas em torno do fato Neil Young/Lynyrd Skynyrd são novamente abordados pelo Drive-By Truckers na canção "Three Great Alabama Icons":

"Speaking of course of the Three Great Alabama Icons
George Wallace, Bear Bryant and Ronnie Van Zant
Now Ronnie Van Zant wasn't from Alabama, he was from Florida
He was a huge Neil Young fan.
But in the tradition of Merle Haggard writin' Okie from Muskogee
to tell his dad's point of view about the hippies in Vietnam,
Ronnie felt that the other side of the story should be told.
And Neil Young always claimed that Sweet Home Alabama was one of his favorite songs.
And legend has it that he was an honorary pall bearer at Ronnie's funeral -
such is the Duality of the Southern Thing.
One that certainly exists, but few saw beyond the rebel flag…
And this applies not only to their critics and detractors, but also from their fans and followers.
So for a while, when Neil Young would come to town, he’d get death-threats down in Alabama…”

Quanto aos perigos enfrentados por Neil no sul, a que aludem o Drive-By Truckers, Young fez declarações sobre não querer tocar no sul. Existem apenas duas datas a partir de 1973, onde Neil tocou no estado do Alabama. E enquanto suas excursões pelo sul têm sido limitadas, isso é uma provável decisão econômica, em vez de uma fuga deliberada.

Assim como o assassinato de John Lennon no fim a década de 1960 ou a morte de Kurt Cobain, marcou o fim da era grunge, a morte de Ronnie Van Zant, terminou um capítulo na história do Southern Rock.

A "falsa disputa" entre Neil Young e Ronnie Van Zant parece fornecer fascínio interminável para seus fãs. Sempre existirá a dúvida, se Neil Young e o Lynyrd Skynyrd eram inimigos ou amigos, tanto os fãs do Skynyrd e Young terão que tirar suas próprias conclusões diante os fatos apresentados. 
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17/06/2012

Resenha | Titãs e o "Cabeça Dinossauro" em SP [06/2012]


Neste último sábado, dia 16, os Titãs após 30 anos de carreira, ainda foram capazes de dar uma aula do verdadeiro Rock N' Roll para os presentes no Credicard Hall, zona sul de São Paulo.

O repertório já é conhecido de todos. "Cabeça Dinossauro" é o álbum que não sai de moda. Foi lançado em 1986, mas poderia ter sido lançado em 2012, e nada mudaria. Retratando a violência, o estado, a polícia, a religião, entre outras coisas, não haveria forma melhor de celebrar seu trigésimo ano de existência.

Apesar de cerca de 15 minutos atrasados, os Titãs brindaram os presentes com o melhor que o Rock Nacional poderia oferecer.

"Cabeça Dinossauro" se inicia com um solo espetacular de bateria de Mário Fabre, que logo mostra a que vieram. "AA UU" vem com aquela energia insuperável de Sérgio Britto. Ao executar músicas como "Igreja", "Estado Violência" e "Dívidas", era visível que a maioria do público não conseguia acompanhar por falta de conhecimento, mas "Polícia" (executada no melhor estilo Ramones), "Bichos Escrotos", "Família" e "Homem Primata" compensavam tudo e superavam quaisquer momentos do show. "A Face do Destruidor" mostrou como sempre um Paulo Miklos endiabrado, cuspindo palavras nunca compreensíveis. Sim, se você acha difícil certos trava-línguas, tente cantar essa música.

Terminado o "Cabeça..." as canções foram quase todas as mesmas tocadas na Virada Cultural desse ano. E foram mais alternadas entre os álbuns "Televisão", "Titanomaquia", "A Melhor Banda de Todos os Tempos..." e "Titãs". Mas todas elas seguiram de perto o nível de peso do "Cabeça...".
Em "Sonífera Ilha", eles repetiram os chutes pro ar sincronizados que fizeram em um programa de TV em 1984.

Enfim, uma banda exemplo, que mesmo após 30 anos e com metade da sua formação original já fora, não perdeu - e pelo visto nunca perderá - sua grandeza.
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30/04/2012

Conheça o The Gaslight Anthem


É pouca moral ser apadrinhado por ninguém menos que Bruce Springsteen?

Esse é o The Gaslight Anthem, banda formada em New Jersey, EUA, em 2006 por Brian Fallon na guitarra e vocais, Alex Rosamilia na guitarra e backing vocals, Alex Levine no baixo e backing vocals e Benny Horowitz na bateria e percussão.

A banda tem um som semelhante a Springsteen. Uma mistura de heartland rock com folk punk, e um estilo indie, a banda tem carisma e já obtém sucesso em terras americanas.

Até o momento, a banda tem três álbuns lançados, "Sink or Swim", de 2007, "The '59 Sound", de 2008, e "American Slang", de 2010. Esses dois últimos foram muito bem recebidos pela crítica e fizeram a banda ganhar certa fama. No Brasil, quase não é conhecida, tendo fama, em boa parte, pelo fato de Springsteen já ter participado de vários shows deles (como o abaixo).

Além disso, o Gaslight está para lançar seu quarto álbum, que já tem nome. "Handwritten" será lançado no dia 24 de julho.

Para se recomendar: Já hits, como "The '59 Sound", "Great Expectations" e "American Slang".


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29/04/2012

Oasis: Mais uma referência aos Beatles descoberta


Estava eu dando uma olhada no encarte do clássico álbum "(What's The Story?) Morning Glory", quando notei que os Gallagher citavam John Lennon e Paul McCartney - só pra variar um pouco. Não é 100% esclarecedor, mas muito do que se encontra no encarte tem sentido com toda a influência que sempre foi polêmica para o grupo.

A tradução pode não estar perfeita, mas já ajuda para posterior compreensão:


"Descendo a nova em algum lugar próximo ao ovo cozido que é o Royal Albert Hall, nós assistimos o sol de Paul cruzar com a estrela de John segurando sorvete nas mãos. Alguém escorregou sobre um cassette enquanto o que você pretendia partia com mais alguém, mas de alguma forma era legal, porque enquanto a música cobria as sombras, se ouvia um som que estava à milhões de milhas de distância da falsificação e à um passo de distância de seu coração.


Apenas como sempre foi, esse som pôs sua arrogância de volta ao seu lugar, a agitação dentro de seu sangue de alguma forma, e eu não sei como, se tornaram profundos, amplos, cheios de sentimentos, melhor na arte deles, inspirado por tantas coisas igual à um mundo que está inclinando quem sabe onde e os aplausos eles sempre souberam que era deles, mas esperaram tão impacientemente para receber. Palavras te cortam de todos os ângulos, apoiados por um som monumental que cresce mais e mais até explodir contra suas defesas e mudanças, majestosamente e magicamente para acalmar as feridas internas.


Enquanto você está amarrado nessa armadilha abandonada, você ouve um conselho cantar em seu coração, você ouve o ressoar de disparo mudar o que nunca é suficiente para comprar o que se necessita, tédio e miséria, horas gastas com uma guitarra queimada, pubs sujos e pavimentações desmoronadas, violência e amor, tudo misturado, e agora tudo isso.


No fim você vira e começa de novo, porque não está isolado. Eles se foram para trabalhar, então você pode ir para casa. Além de o dia ficar rosa e você sentir seus pés se elevarem acima do chão como novas estradas abertas na sua frente. Nessa cidade, o júri sempre está protegido, mas as pessoas sabem. Elas sempre sabem a verdade. Acredite. Fé. Além. Sua manhã gloriosa."



O que evidencia essa forte influência é principalmente o trecho "se ouvia um som que estava à milhões de milhas de distância da falsificação e à um passo de distância de seu coração.", ou seja, não seria um plágio, mas eles sempre compuseram canções ao ponto de encantar o público.
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01/04/2012

Resenha | Rush - 2112 [1976]


À beira da desistência em 1976, "2112" foi o "agora ou nunca" do Rush. Após três discos sem muito alarde ("Rush", "Fly by Night" e "A Farewell to Kings"), era preciso um lançamento de muito impacto. Mas como é de praxe, é necessário um disco ruim para que surja uma obra-prima. Em "A Farewell to Kings", o letrista principal da banda Neil Peart já havia apostado em epopeias, mas sem obter algum sucesso. Porém, já "2112", o que levou o trio canadense ao ápice foi a faixa-título épica com seus mais de vinte minutos, desde a intro espacial até o "Grand Finale". Só ela foi capaz de ocupar um lado inteiro do LP. A faixa é dividida em sete partes.

No lado B do LP, vem "A Passage to Bangkok", em que Geddy Lee mostra sua potente e famigerada voz, na época muito criticada - e talvez até hoje - pela imprensa. Em "The Twilight Zone", Alex vem com um riff, refrão e solo suaves, mas é apenas um momento de descanso, porque logo vem "Lessons", onde se vê um Geddy Lee agressivo e um riff marcante de Lifeson. "Tears" faz jus ao nome. Totalmente acústica, a canção parece que precede o que viria a ser um dos poucos discos de prog rock brasileiros de tamanha influência. Estou falando de "V", do Legião Urbana, mas em especial a música "Metal Contra As Nuvens", que tem o mesmo ritmo de "Tears". Pra fechar, "Something for Nothing" vem para Geddy Lee mostrar sua voz e completa harmonia com seu praticamente irmão Alex Lifeson.

Não é à toa que o álbum faz parte do livro "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer", Mesmo 35 anos depois, "2112" não perdeu seu valor e nunca perderá, sendo uma das maiores provas - senão a maior - de o porquê o Rush ser considerado por muitos, a "maior banda cult do mundo".
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31/03/2012

Covers #15: Trust vs Anthrax






O cover dessa semana traz uma banda que deveria ser observada com um pouco mais de atenção pelo seu desempenho. Trata-se da música "Antisocial", da banda francesa Trust. Essa música abre o segundo álbum de estúdio da banda, intitulado "Répression", de 1980. Além disso, é cantada toda em francês. Oito anos mais tarde, o Anthrax a incluiu no seu quarto álbum, "State of Euphoria", de 1988. Porém, a versão da banda americana é cantada totalmente em inglês, não deixando a desejar, entretanto.

Confira as versões:




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21/03/2012

"O Rock das Aranhas": Uma homenagem ao não-contato das coisas






Dando uma olhada em alguns vídeos no Youtube, o VPR acabou garimpando esse incrível vídeo do mestre Raul Seixas, que aliás, terá um documentário lançado agora no dia 23 de março, intitulado "O início, o fim e o meio", obviamente retirado da letra de "Gita". No vídeo, ele explica o porquê de "O Rock das Aranhas" ter sido censurada e qual o seu conceito verdadeiro.

Segue a reprodução em texto da sua entrevista, além do vídeo com a entrevista e um clipe da polêmica canção:

- Por que o Rock das Aranhas foi proibido?
- É censura moral, bicho! Passou uma música chamada "Aluga-se o Brasil". "Aluga-se o Brasil. Se eu fosse Delfim Neto, eu alugava o Brasil". Aí eu pensei, vi numa coluna de jornal: "Aluga-se... aluga-se apartamento não sei onde". Aí quando olhei: "Aluga-se o Brasil"... Mentira. Vou fazer uma música sobre isso. E deixei passar a música. Mas "Rock das Aranhas"? O problema é o seguinte: a censura moral não deixa passar. O Rock das Aranhas são duas aranhas. Quer dizer... Tomada com tomada dá algum curto-circuito? Tomada com tomada não dá nada. Plug com plug também não dá nada. O mundo foi feito com tomada, com plug. Aí uma sequência ao que Deus fez. Ao que Deus mandou a gente fazer, tá entendendo? Porque essas duas não dão contato, tá entendendo? Então "Rock das Aranhas" é uma homenagem ao não-contato das coisas.


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07/03/2012

Capas de álbuns polêmicas






Fontes: Terra / Blog Interligado




Black Sabbath - Heaven and Hell (1980)


Talvez essa capa não seja tão polêmica, mas hoje em dia, com certeza haveria alguma restrição. Ela faz parte de todo um conceito, já que o título sugere que seja a aproximação do paraíso com o inferno. Por isso, os anjos fumando.










Van Halen - 1984 (1984)

A capa do "Heaven & Hell" me fez lembrar dessa. O álbum mais comercial do Van Halen. Foi outra capa que não chegou a ser censurada, mais provavelmente porque cigarro estava passando a fazer parte da cultura dos adultos e até de adolescentes durante a década de 80.










The Beatles - Yesterday and Today (1966)

Lançado em 1966 somente nos EUA e no Canadá, o disco carregava uma foto tirada pelo fotógrafo Robert Whitaker, mostrando o quarteto de Liverpool coberto de sangue, pedaços de carne e partes de bonecas. Apesar de ter dominado as paradas americanas na época de seu lançamento, a capa de Yesterday and Today foi duramente criticada. A gravadora Capitol ordenou que todas rádios que possuíssem o disco com a foto sangrenta o destruíssem. Hoje, é um dos discos mais raros e valiosos dos Beatles.




Jimi Hendrix - Electric Ladyland (1968)

O terceiro disco do deus da guitarra Jimi Hendrix causou rebuliço em outubro 1968 não apenas pelo seu repertório genial que mudou o rumo rock, mas também por causa da ousadia de sua capa. Uma fotografia de um grupo de belas mulheres nuas estampava Electric Ladyland. Recusada pela gravadora, a capa original acabou sendo substituída por uma foto da cabeça de Hendrix.





Rolling Stones - Beggars Banquet (1968)

A idéia dos Stones era de que a capa de Beggars Banquet, lançado em 1968, levasse a fotografia de um banheiro sujo e repleto de pichações. As gravadoras Decca e London, responsáveis pelo disco, fizeram a banda adiar o lançamento do álbum para que a banda pudesse providenciar uma nova arte: uma imitação de um cartão de convite. A capa original só veio à luz em 1984, quando Beggars Banquet foi lançado em CD pela primeira vez.









Blind Faith - Blind Faith (1969)

O primeiro e homônimo trabalho do super grupo de Eric Clapton, Steve Winwood e Ginger Baker provoca controvérsia até hoje. O autor da imagem na capa, que exibe uma garota nua segurando um avião prateado, alega que a menor foi fotografada com o consentimento dos pais. Apesar do disco hoje manter a capa original, na época de seu lançamento ele foi recolhido e a imagem da garota substituída por uma foto em preto e branco da banda.








Roxy Music - Country Life (1974)

Estampar seus discos com belas mulheres já tinha se tornado um hábito dos ingleses do Roxy Music em 1974. Mas a nudez das modelos Constanze Karoli e Eveline Grunwald na capa de Country Life foi um pouco demais para os padrões morais de alguns países. A capa acabou sendo censurada nos EUA, Espanha e Holanda.












Lynyrd Skynyrd - Street Survivors (1977)

O quinto álbum de estúdio dos reis do southern rock tomou as prateleiras das lojas em 17 de outubro de 1977. Na capa, a banda inteira posava envolvidos por várias labaredas de fogo. Poucos dias depois do lançamento de Street Survivors, uma acidente aéreo matou dois integrantes e feriu gravemente os restantes. Depois da tragédia a capa foi retocada e as chamas removidas.










Guns N' Roses - Appetite for Destruction (1987)

A arte inicial do primeiro disco do Guns N' Roses, banda acostumada a controvérsias, trazia uma pintura que retratava um robô estuprador prestes a ser atacado por um monstro de metal. Apesar do imenso sucesso comercial (20 milhões de cópias vendidas), os escritórios da gravadora Geffen foram inundados com reclamações e comentários de indignação. Só restou ao selo recolher as capas e substituí-la por uma versão mais amena.









Black Crowes - Amorica (1994)

Uma foto tirada das páginas da revista masculina Hustler, exibindo uma virilha feminina vestindo um biquíni com a bandeira dos EUA, era ostentada na capa do terceiro disco dos americanos do Black Crowes. O visual de Amorica não causou uma boa impressão nas redes de lojas que vendiam o disco, resultando numa devolução quase total dos cópias.












Type O'Negative - The Origin of Feces (1992)

A banda de metal de Nova York Type O' Negative colocou o close de um ânus na capa do álbum "The origin of feces", depois substituído por esqueletos dançantes. O orifício da foto é do vocalista Peter Steele.













David Bowie - Diamond Dogs (1974)

Acredite se quiser, este Bowiedog foi muito elogiado no lançamento de ''Diamond dogs'' em 1974, mas os guardiões da moral implicaram com a genitália exposta. Resultado: foi coberta, violando a obra do artista Guy Peellaert.





Dio - Holy Diver (1983)

Um padre sob ataque do diabo foi a capa de "Holy diver'', de 1983, o primeiro álbum solo de Ronnie James Dio, depois de deixar o Black Sabbath. Ele respondeu às críticas com ironia: ''Como sabem que não é um religioso atacando o demônio?''















Jane's Addiction - Nothing's Shocking (1988)

A capa do Segundo disco do Jane’s Addiction de Perry Farrell é de mau gosto, duas gêmeas siamesas com os cabelos em chamas. Não à toa o disco se chama "Nothing’s shocking". Bizarro.

















John Lennon e Yoko Ono - Unfinished Music N°. 1: Two Virgins (1968)

Na primeira noite em que assumiram seu amor e foram às vias de fato em maio de 1968, John Lennon e Yoko Ono gravaram '‘Unfinished Music Nº.1: Two Virgins'’ no estúdio da casa de campo de John na Inglaterra, um disco experimental com esta capa que, cá entre nós, é ridícula.














Megadeth - Youthanasia (1994)


A capa do sexto álbum do Megadeth (note a senhora pendurando bebês no varal) ficou por conta de Hugh Syme, o mesmo designer de álbuns de artistas como o Rush, Iron Maiden, Dream Theater e outros.

A capa polêmica foi banida de países como Malásia e Singapura, por seu conteúdo.












Regurgitate - Carnivorous Erection (2000)

O grupo sueco de grindcore Regurgitate lançou em 2000 o Segundo disco, "Carnivorous erection" com essa capa vomitante, um pênis atacando a lingua que lhe aplica um agrado. Nojento.





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22/02/2012

Conheça o Bang Camaro


O Bang Camaro é uma banda pouco conhecida no Brasil. Talvez você a conheça só por intermédio do Guitar Hero e do Rock Band e no máximo, já ouviu uma ou duas músicas da banda. Mas você não pode dar sua opinião sobre uma banda após ouvir um álbum, quanto mais ao ouvir uma ou duas músicas...

Eles poderiam fazer parte do que chamamos de "banda cult", já que tem apenas dois álbuns na carreira, fazem um som totalmente descompromissado, nunca nem chegaram perto do mainstream, e, ao que parece, não fazem nem questão.

Formada em 2005 em Boston, EUA, pelos guitarristas Bryn Bennett e Alex Necochea, a banda é, na verdade, um supergrupo, composto por vários ex-integrantes de bandas de indie rock. O caso peculiar é que a banda é composta por um baterista, um baixista, dois guitarristas (solo e rítmico), e acredite: 13 vocalistas. Isso mesmo! O que deixa o som da banda ainda mais interessante. O gênero da banda está mais próximo do hard rock, em especial setentista, e livre de qualquer rótulo. Hard Rock no seu estado bruto.

"Bang Camaro" e "Bang Camaro II", lançados em 2007 e 2008, respectivamente - influência clara do Led Zeppelin, que lançou de "Led Zeppelin" à "Led Zeppelin IV", desistindo desse formato apenas no quinto álbum - tem como destaques as canções "Push Push (Lady Lightning)", "Pleasure (Pleasure)" e "Nightlife Commando", do primeiro álbum, e "Night Lies", "Revolution" e "Life Is Hard On The Road", do segundo.

Se você gosta de um hard rock setentista sem rótulos, tá aí uma boa sugestão.

Ouça "Revolution", do álbum "Bang Camaro II", e veja se vale a pena conhecer um pouco mais esse grupo:

E repare toda a potência vocal do grupo...

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21/02/2012

CPM 22: "CPM 22" traduz 100% a banda






Você talvez não tenha curtido o lançamento de "Depois de Um Longo Inverno", pois o CPM mudou radicalmente sua sonoridade. Mas convenhamos: Ainda sim, há muitos pontos positivos neste álbum. E era evidente: Eles sempre declararam ter grandes influências de The Clash, uma banda conhecida por fazer a fusão do punk com diversos estilos, como Ska, Jazz, Rockabilly e etc. Logo não seria novidade se o eles lançassem um disco mais voltado para o Ska-punk (como fez!).

Há pouquíssimas bandas que não precisam mudar seu estilo para continuar fazendo sucesso. No momento, a única banda que me vem à cabeça é o AC/DC. Isso me faz lembrar uma - célebre - declaração do gênio Angs Young: "Temos sido acusados de fazer o mesmo álbum uma dúzia de vezes. Mas isto é uma mentira suja. A verdade é que fizemos o mesmo álbum 14 vezes". Enfim... Na maioria dos casos, inovar não é importante, é fundamental. E foi o que o CPM fez, - muito bem, por sinal - não se prendendo ao passado hardcore. Mas voltemos ao foco do post... 

Um dos pontos altos do álbum é a faixa "CPM 22", que a banda compôs como um grande "obrigado" aos fãs. A música resume o que foram esses 15 anos de carreira, - até aqui - desde o underground - até o início dos 00s, passando por momentos de dificuldade, como a falta de verba para investimento no começo da carreira até problemas mais recentes, como a saída de integrantes da banda - Wally e Fernando -. A canção contém um riff simples, não muito elaborado, porém cativante. Vale a pena conferir a letra e a música...

CPM 22
CPM 22

"Então, escute esse som
Que não fala de amor
Mas, com certeza
O sentimento é real

Me lembro como foi bom
Durante 15 anos lutando por um mesmo ideal
Expor os meus pensamentos nunca foi fácil
Acertando ou errando é normal

Mas voltei, estou aqui
Pra te escrever talvez, ou melhor, te dizer
O que vivemos desde a Caixa Postal
E, quando olho pra trás

A luta foi leal
Temos motivos para comemorar
Depois de muitas viagens, calotes, roubadas
E muita incerteza no ar

Não cansei, estou aqui mais uma vez
Mais uma vez, de uma vez
Mais uma vez

Por vocês que nos seguem
Agradeço pela força pra chegar até aqui
Ter um reconhecimento nacional
Ver de perto todo o povo brasileiro
Com uma banda de verdade pra tocar
Viver em paz

E aqui estamos de novo
Esse é o sétimo disco
Nossa trajetória tem seu valor
Agora é cair na estrada pra matar a saudade

Das cidades que já fizemos show
Depois de tanta amizade, tapetes puxados
A chama ainda não se apagou

Por vocês que nos seguem
Agradeço pela força pra chegar até aqui
Ter um reconhecimento nacional
Ver de perto todo o povo brasileiro

Não viemos para revolucionar
Só que agora não tem como ignorar
Uma banda de verdade pra tocar
Viver em paz"

Confira a música:

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19/02/2012

Resenha | Boston - Boston [1976]

Primeira impressão de "Boston": "Uma capa com um disco voador? Como assim?". Discos voadores nas capas se tornariam frequentes. Daquele momento em diante, seria melhor você estar com o ouvido apurado para apreciar o melhor do hard rock.

Eis que se inicia "More Than A Feeling", e até este momento você não dá muito valor. Afinal, "é uma baladinha hard. E só." Seria o que os leigos diriam. Logo começa "Peace of Mind", com um desejo universal ("All I want is to have my peace of mind."). Uma das melhores canções do álbum e pouco valorizada até os dias de hoje. Em seguida vem "Foreplay/Long Time", e você já tem uma certeza: a capa resume muito bem o que é o álbum. Um hard rock do outro mundo. São pouco mais de dois minutos muito intensos - com um adicional de órgão que pouco ou nunca se viu no rock até hoje - que são seguidos de uma pausa para um nova explosão. Talvez a melhor - e mais elaborada - música do álbum.

"Rock and Roll Band" vem como um clichê, é bem verdade. Afinal, qual banda de hard rock nunca fez uma música dedicada ao Rock N' Roll? Mas é bom lembrar: Naquele tempo, talvez ainda não fosse clichê. O que importa é que estamos diante de uma música fantástica.

Logo vem "Smokin'", para abalar as estruturas, e pra mostrar talvez o melhor momento de Brad Delp, com seus vocais que até arrepiam, entrando numa linha Geddy Lee, do Rush... Mas lembrando que Tom Scholz é o grande responsável pelo sucesso do disco, sendo dele toda a produção e a maior parte das gravações.

As três últimas, apesar de menos conhecidas, mantêm o nível - diga-se de passagem alto - do álbum.
"Hitch A Ride", vem pra acalmar os ânimos por um momento, mas logo vem "Something About You" cheia de energia. Provavelmente a música mais animada do disco. E "Let Take You Home Tonight", numa linha totalmente romântica, fecha um disco incrível, modelo pra qualquer banda que queira começar no hard rock.

Não por acaso o Boston alcançou 17 milhões de cópias com esse disco.

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16/02/2012

The Clash: O Rancid teria os plagiado?






Seria difícil perceber esse possível plágio por um simples motivo: Nenhuma das canções chegou perto de se tornar um hit das bandas. Mas as influências do Clash no som do Rancid são evidentes. O Clash teve sua glória musical com "London Calling", um disco que tinha uma mistura autêntica do Rock com o Rockabilly, com o Jazz, com R&B, Ska, entre outros estilos. E o Rancid entrou na onda do Clash em sua fase "London Calling". Com seu também som único, o Ska-punk, o Rancid chegou ao mainstream e por lá permaneceu por um tempo. Agora ouça "Police On My Back", música que não faz parte do "London...", e logo em seguida "The 11th Hour", do álbum "...And Out Come The Wolves", do Rancid. Mas se atente exclusivamente no riff das duas músicas. Não dá pra negar que os dois são muito parecidos.

Confira e deixe seu comentário logo abaixo:




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13/02/2012

John Lennon: O significado de "Cold Turkey"






Fonte: O Baú do Edu / Som Vinil


Em 20 de outubro de 1969, John Lennon lançava seu segundo compacto em carreira solo, “Cold Turkey”, com a Plastic Ono Band, que tinha na sua formação, Eric Clapton, Klaus Voorman, Yoko Ono e Ringo Starr.

De acordo com Peter Brown, em seu livro The Love You Make, a canção foi escrita em uma explosão criativa como uma expressão do vício de Lennon e Yoko em heroína. Lennon chegou a apresentá-la a Paul McCartney como uma possível gravação do Beatles, mas foi recusada. Logo, Lennon gravou a canção, na qual aparecia como o único autor, ao contrário de seu primeiro single, “Give Peace a Chance”, atribuido a parceria entre ele e McCartney.

A referência direta da canção é o vício da heroína que o casal curtia naqueles tempos. “Cold Turkey”, na gíria dos junkies, é a chamada crise de abstinência. Contudo, pode-se fazer uma análise mais profunda dos porquês dessa letra. Era somente um John Lennon cru, nu, que não queria e nem tinha mais interesse algum em interpretar composições que não fossem próprias. John Lennon mudara. E muito. Barbudão, sujo e cabeludo, definitivamente mostrava ao mundo que o “Beatle” John estava enterrado. Odiava os Beatles, como instituição. Estava realmente saturado e deslumbrado com as perspectivas de começar um trabalho autoral ao lado da mulher. “Cold Turkey” é uma das mais estranhas e violentas canções de John Lennon. Os gritos de horror no final não deixam dúvidas. Algo estava muito errado com nosso herói, que conseguiu terminar a música a tempo de encaixá-la no show de Toronto. A faixa, foi lançada primeiro em compacto e depois saiu no disco ao vivo – Live Peace In Toronto – gravado durante a apresentação. Também apareceria no álbum-coletânia “Shaved Fish” de 1975 e mais tarde no álbum ao vivo “John Lennon – Live in New York City”.


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07/02/2012

A evolução (?) da música






Gráfico de pizza com todos os detalhes das vendas de música em seus diversos formatos. O gráfico mostra o período de 1980 à 2010. Confira abaixo:


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02/02/2012

Você Sabia? #15: A história de "Love Boat Captain", do Pearl Jam






Fonte: Whiplash / Paraíba


Pearl Jam no Roskilde Festival. Junho de 2000


Em 30 de junho de 2000, uma tragédia: durante o show principal na sexta-feira, no festival Roskilde, na Dinamarca, pessoas no público começaram a empurrar para chegarem mais perto do palco devido a problemas de som. Infelizmente, o chão estava enlameado e muitas pessoas caíram no chão e foram pisoteadas. Nove morreram de sufocamento e muitas mais foram feridas. Em 2002, o Pearl Jam escreveu uma música, 'Love Boat Captain', que fala dolorosamente da tragédia: "Lost 9 friends we'll never know... 2 years ago today" [Perdi 9 amigos que nunca conheceremos... há exatamente 2 anos].

A banda foi inicialmente culpada pelo acidente, mas depois foi considerada inocente. Com isso, o Pearl Jam teria cogitado a aposentadoria.

Confira "Love Boat Captain", a homenagem da banda:


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01/02/2012

Covers #14: The Commodores vs Faith No More






O cover desta semana é um tanto quanto controverso, afinal, a versão cover pode até ser rock, mas e a original? Lionel Richie e cia. não tinham uma sonoridade nem parecida com rock, mas só estão aqui por um simples motivo: se o Faith No More regravou essa música é porque de alguma maneira influenciou eles.

Esse hit absoluto dos Commodores faz parte do quinto álbum da banda, "Commodores", de 1977. O cover do Faith No More faz parte do álbum "Angel Dust", de 1992.

Eu, particularmente prefiro a versão do Faith, mas as duas são ótimas.

Confira as duas versões:



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29/01/2012

Você Sabia? #14: A história de "Rocket Queen", do Guns N' Roses






Fonte: Bacharel Carioca

Uma das histórias mais ousadas (talvez a "mais ousada de todas") não poderia ser de outro grupo: Guns N' Roses. Famosos por suas extravagâncias com drogas, bebidas, quartos de hotéis quebrados e por andarem com Strippers antes da fama, uma música em especial é símbolo do que Axl Rose e sua turma (quando ainda era com a formação original) era capaz. Que eles mudaram para sempre a história do Hard Rock todo nós sabemos, mas o que poucos sabem é o que aconteceu durante a gravação do seu primeiro disco, o "Appetite for Destruction".

Antes de serem famosos, os Gunners tocavam na noite americana e, segundos os próprios afirmam até hoje, suas fiéis companheiras eram as strippers dos locais onde frequentavam/tocavam e terminavam a noite. Uma dessas meninas era Adriana Smith, de 19 anos, que acabou se tornando namorada do baterista da formação original, Steven Adler. Porém, uma traição do músico mudaria para sempre a história.

A bela Adriana Smith (direita), uma das muitas strippers que conviviam com os Guns N' Roses

Corria o ano de 1987, Axl Rose trabalhava há meses no álbum que seria o divisor de águas do grupo, quando na obscena música "Rocket Queen" (em português, algo como "Rainha Foguete"), sentiu falta de algo que desse veracidade à obra. Num dos dias de trabalho, após encontrar Adriana bêbada no estúdio entre as muitas das farras, propôs a namorada do amigo que "ajudasse" na faixa que estavam gravando. A proposta? Que pudesse ceder seus gemidos de orgasmo. Mas não foi simplesmente um gemido, como a própria Adriana narra:

"Eu estava namorando o baterista (Steven Adler) na época e nós sempre discutíamos sobre eu ser ou não namorada dele... Eu estava me embebedando no estúdio e Axl me fez uma proposta. Axl e eu sempre tivemos uma espécie de tentação, e uma vez que ficamos juntos, foi como fogo e gasolina"


Steven Adler, seu ex-namorado e ex-baterista dos Guns com Adriana Smith

Visando se vingar do baterista, Adriana aceitou a ousada proposta de transar com Axl Rose para que "o som do amor" fosse introduzido na faixa que, entre outros versos, fala sobre o desejo sexual.

Numa das salas do estúdio em Manhattan (Nova Iorque), escura e totalmente desconfortável, diversos microfones foram colocados. Axl levou a namorada do amigo de banda para lá e, sem cerimônias, todo ato sexual foi gravado em uma fita pelo produtor do disco, Vic Deyglio, que usou recursos técnicos avançados para a época. Um dos microfones captava diretamente Adriana.

Se para a moça era um momento de diversão durante um porre, incluindo ataques de risos em meio ao ato, Axl auxiliava a moça para uma perfomance real e profissional. "Vamos lá, Adriana, tem que ser de verdade", Rose dizia, ofegante, com uma pausa no meio do coito. "Pára de fingir!".

Adriana Smith e Axl Rose, em 1988, um ano após a gravação de "Rocket Queen"

Uma fita com aproximadamente 35 minutos foi gravada, onde o gemido de prazer da jovem foi editado e colocado na faixa, para satisfação de Axl. Seus sons orgásticos (que acabaram bem altos na mixagem da última faixa de Appetite for Destruction) são de verdade. Uma ousadia bem ao estilo Sexo, Drogas e Rock'n Roll.

Após tomar consciência do que havia feito, já sóbria, Adriana estava coberta de vergonha e aquela noite a assombrou durante anos:

"Acabei bebendo e usando drogas durante um tempão para esquecer. Sentia uma vergonha extrema, culpa e tal. Fui levada pela vingança e também a bebida. Eu sei que errei" - afirma hoje, a senhora Adriana Smith, com 41 anos e que não vê o "parceiro de gravação" há mais de 13 anos.

Quando Steven Adler soube do ocorrido ficou louco e teve "um chilique da porra", segundo Adriana. Adler, inclusive, recorreu ao seu maior vício para suplantar o fato: uso de heroína. Já viciado antes da história com a ex-namorada, o mesmo problema de uso constante o levou a ser expulso da banda, quatro anos depois.

Atualmente Smith está sóbria há 15 anos, trabalha como conselheira de álcool e drogas, além de ser vocalista de uma banda local chamada "Ghost In The Graveyard" que, inclusive, lançou uma música dedicada ao Axl Rose:

"Axl planejava me levar à estrada com eles, para termos shows de sexo ao vivo por trás de uma tela no palco. Aquele cara é um gênio, cheio de idéias loucas. Provavelmente, eu perdi um monte de dinheiro, mas não queria ser vista como uma groupie que roubava namorados."

Adrian Smith atualmente



Ouça os gemidos na faixa original, entre 2:30 e 3:10 minutos:





Bônus

Já que citamos a música, ouçam uma versão maravilhosa de "Rocket Queen", interpretada pela banda norueguesa Sandmarx, descoberta por mim através do Youtube. A vocalista tem uma das vozes mais lindas que já ouvi e se chama Sandra Szabo:


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28/01/2012

Você Sabia? #13: Living Colour plagiou os Paralamas

Sim, para os ignorantes que acham que é só o Rock internacional que presta, parece impossível isto acontecer, mas é a mais pura verdade. Para muitos, não houve plágio, e seria somente uma coincidência o riff de "Solace of You", da banda estadunidense, com o hit "Alagados", d'Os Paralamas do Sucesso. Mas todos os fatos indicam que ocorreu o plágio, sim. Afinal, o Living Colour visitou o Brasil, e é óbvio que isto pode ter influenciado na sonoridade do álbum que viriam a lançar.
Vale lembrar que com o ocorrido, a banda brasileira não os processou, apesar de tamanha polêmica.

Confira e tire suas próprias conclusões:



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23/01/2012

Black Sabbath: Era Ozzy vs Era Dio






Qual era do Sabbath é a melhor: Era Ozzy ou Era Dio? Eis uma questão que sempre dividirá a maioria dos fãs dos pioneiros do Metal.

Nos anos 70, com Ozzy no vocal, seus lançamentos de maior sucesso foram "Paranoid" e o álbum homônimo, que lançou o heavy metal e também o Doom Metal pro mundo. Já com Ronnie James Dio, o Sabbath teve seus momentos de glória com o álbum de estreia dele "Heaven & Hell", e depois com "Mob Rules".

Mas, afinal, o que mudou com apenas a alteração no vocalista da banda?

Da minha parte, vejo que mudou muito mesmo. Com Ozzy, individualmente a banda podia mostrar todo o seu arsenal instrumental. Bill Ward podia mostrar toda a sua técnica, como fez em "Rat Salad", uma "Moby Dick" mais pesada, e em "Fairies Wear Boots". Geezer tinha linhas de baixo fantásticas como em "Iron Man", e Tony Iommi tinha momentos únicos, como em "War Pigs", "Sweet Leaf", entre outras. E como muitos dizem, eu concordo: Ozzy é um ótimo vocalista, mas sem qualquer técnica de canto. E sim: Nesses nove anos de lançamentos na era Ozzy, fica evidente que houve uma queda significativa de produção, em especial notada a partir do "Vol. 4". Por outro lado, é desigual comparar a produção Ozzy com a produção Dio, já que Ozzy permaneceu nove anos na banda, enquanto Dio ficou na banda de 1979 até 1982, um terço do tempo de Ozzy, mas voltemos à analisar a sonoridade da banda nos dois períodos.

Já com Dio, todo esse talento se tornou oculto, diante de uma "compressão" do som, fazendo ele ficar uniforme e dinâmico. Basta ouvir "Neon Knights" e "Heaven & Hell". Mas é claro, ainda existiam momentos individuais fantásticos, como o de Tony em "Wishing Well", de Geezer em "Heaven & Hell", e do próprio Dio em "Die Young". Essa mudança no vocal foi, do meu ponto de vista pra melhor ligeiramente, enquanto em questão de grupo, houve uma pequena regressão.

Depois disso, a banda não teve mais uma formação constante, passando álbum a álbum por mudanças de músicos. E não se tratava de mudanças só nos vocais. Bill Ward e Geezer Butler saíram e retornaram para a banda várias e várias vezes a partir de 1985. Talvez possa incluir uma era Tony Martin, mas somente pelo tempo de permanência no grupo, porque de produção significativa...

Agora fica uma pergunta: Essas mudanças aconteceriam, quer o Ozzy ficasse na banda, quer não?

O intuito desta matéria não é defender qual era foi melhor, e sim avaliar os pontos positivos e negativos de forma imparcial.

Fica com o leitor a chance de deixar sua opinião logo abaixo.

Confira dois hits dos dois períodos da banda:



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16/01/2012

Raulzito, Paulo Coelho e a "Sociedade Alternativa"






Fonte: Teoria da Conspiração


O início dos anos setenta é guardado com imenso carinho por aqueles que os viveram intensamente, formando a romântica juventude daquele tumultuado período.

O eternamente pouco populoso meio thelêmico não escaparia (felizmente) do romantismo que tomara conta da assim chamada geração para frente Brasil. Entre tantos que estiveram em contato inicial com o assim chamado Sistema thelêmico de realização espiritual, dois nomes despontam, bem mais pelo futuro que o destino lhes reservaria, do que pelo conhecimento, propriamente dito, da matéria elaborada por Aleister Crowley(1875-1947): os nomes são, Raul Seixas e Paulo Coelho.

Raul Seixas conheceu Paulo Coelho em 1973, através de um artigo publicado na revista “A Pomba”, do próprio Paulo Coelho. A partir deste momento, nascia a tão famosa parceria musical que viria a projetar os dois no cenário nacional.

Paulo Coelho, então em contato com Marcelo Ramos Motta (1931-1987), tomava suas primeiras instruções sobre Crowley e a Lei de Thelema. O fascínio pela filosofia desenvolvida pelo controvertido mago Inglês, não tardou a contagiar o promissor jovem escritor que, logo em seguida, a apresentaria a Raul Seixas. A vida e a obra dos dois foram fortemente marcadas por este período.

Motta, então, escreve para um de seus discípulos (Euclydes Lacerda de Almeida), pedindo para que este se responsabilizasse pelo desenvolvimento de Paulo Coelho, tanto na A.’.A.’. quanto na sua particular versão da O.T.O.. Marcelo Motta também comporia algumas músicas em parceria com Raul Seixas e Paulo Coelho. Entre as mais famosas estão as belas “A Maçã”, “Tente Outra Vez” e “Novo Aeon” (essa ultima em parceria com Cláudio Roberto).

Paulo Coelho, seguindo a orientação de Motta, estabelece contato com a pessoa indicada e esta o aceita como Postulante e Estudante da Lei de Thelema. A significativa troca de correspondência entre Paulo Coelho e seu novo Instrutor durante o período 1973-74 nos dá a certa medida do entusiasmo e dedicação com que Paulo Coelho, desenvolvendo seus estudos, também tomava para si a responsabilidade de divulgação da Obra do controvertido mago Aleister Crowley. Este trecho de uma carta de Paulo Coelho, datada de 26/03/74, nos dá uma idéia de seu entusiasmo, bem como seu envolvimento com a filosofia thelêmica: “… como tomamos [Paulo e Raul] Crowley, principalmente Liber OZ, como base de um estudo social a que nos propomos, gostaria de ouvir e ser constantemente orientado por vocês no sentido de não comprometer nada, falando demais ou falando errado. Informe urgentemente como devemos continuar agindo na divulgação de todos os nossos ideais e nossas idéias.”

Seu treinamento mágico teve início formal em 01/01/1974. Em seguida, Paulo Coelho seria admitido na O.T.O. de Motta, assumindo como Mote Mágico (ou nome mágico) “Frater Staars”. Raul Seixas e Paulo Coelho, inspirados pela Lei de Thelema e pela Obra de Aleister Crowley, também formulariam um movimento que ficou conhecido como "A Sociedade Alternativa", cujo hino, a música que leva o mesmo nome, é a própria declaração da Lei de Thelema.

Paulo Coelho, bem mais organizado que Raul Seixas, seguia firme com suas práticas e estudos thelêmicos. No dia 19 de maio de 1974, Paulo Coelho formaliza seu Juramento ao Grau de Probacionista, sendo admitido na A.’.A.’. com o Mote Mágico “Frater Luz Eterna – 313″ (e não “Lúcifer”, como erroneamente divulgado por certos autores nacionais). Junto a seu Juramento, envia uma carta em que seus ideais ficam expostos de forma bem clara. Nela, Paulo Coelho diz o seguinte:

“Continuamos a divulgar de todas as formas o Liber OZ, [...] A Sociedade Alternativa continua com o sucesso de sua caminhada no sentido de construir as bases sociais para uma verdadeira civilização thelêmica.”

No entanto a eternidade de sua luz na senda thelêmica, bem como sua certeza de propósitos em relação a esta filosofia de vida, não iriam durar muito tempo: ironicamente, esta seria sua última missiva dirigida a seu Instrutor. Cinco dias depois, na sua famosa “noite negra do dia 24″, Paulo Coelho, junto a outros “subversivos”, é preso pela polícia do exército. Sim, ele de fato viu o “diabo” e, muito embora estes não possuíssem rabos pontudos nem chifres e usassem o verde oliva no lugar do vermelho, esse seria – segundo o pouco criterioso modo thelêmico de avaliação – o fim de sua carreira mágica, pelo menos naquilo que diz respeito a Thelema. Na verdade, como um exame mais inteligente demonstraria, este foi o início de sua realização tanto mágica quanto pessoal.

Na época, contudo, provavelmente a forte formação cristã (católica) de Paulo Coelho o tenha feito associar os dois fatos, mostrando-lhe então o quão “errado” ele estava em seguir “os passos da Besta”. Mas isso é apenas mera especulação. Devemos sempre lembrar que todos têm direito de optar pelo que melhor lhes parecer. Alguns anos depois o novo Paulo Coelho se transformaria no mundialmente famoso escritor que todos conhecem. Não há lei além de faze o que tu queres e Paulo Coelho fez o que realmente quis.

Aqueles que conhecem esta parte da história do hoje famoso mago, sabem o quanto esta fase marcou o escritor que se formava. Esses também especulam qual é a verdadeira origem do seu conhecimento que, fragmentado e diluído, habita alguns de seus Best-sellers, além, é claro, do que significaria sua Ordem de RAM (também especulando, é curioso observar que a palavra inglesa RAM é designativa para Áries, Carneiro ou ainda de Bode Montês – nesse caso, o Trunfo XV do Tarot de Crowley).

Raul Seixas, por sua vez – que nunca quis vinculo formal com qualquer organização de cunho thelêmico – seguindo o exemplo de praticamente todos os estudantes de thelema daquela época os quais ainda guardavam uma réstia de bom senso, rompeu definitivamente contato com Motta. Raul Seixas, entretanto, seguiu de modo independente e anárquico, características bem próprias a sua fantástica personalidade, a divulgar a Lei de Thelema e a genialidade de Crowley. E assim, através de seus próprios méritos, ele se consagrou, e mesmo hoje, após sua precoce morte ele continua como uma agradável e inspiradora lembrança, bem vívida na mente daqueles que amam a obra do sempre eterno maluco beleza.

Para muitos esse foi o fim do sonho da Sociedade Alternativa, para outros entretanto, seu verdadeiro início…

OBS: Vale lembrar que a música "Sociedade Alternativa", foi lançada em 1974, no álbum "Gita" e tem como base a teoria de Aleister Crowley. Mas essa não é a única música em que o mago é o personagem central. Seis anos mais tarde, no álbum "Blizzard of Ozz", do Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne, Crowley seria novamente o tema central, na faixa "Mr. Crowley".

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