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06/08/2017

Rincon Sapiência: O resgate da essência do rap nacional

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Com uma longa estrada já percorrida, finalmente o rapper paulistano Rincon Sapiência, ou Manicongo, lançou em 2017 seu debut, após anos em vários grupos e singles lançados.

Em seu debut, Sapiência já mostra que veio pra ficar. Logo na faixa de abertura de "Galanga Livre", a intro que antecede "Crime Bárbaro", o rapper paulistano, em formato de rádio, esclarece o fato de o álbum ser baseado em um conto fictício de Danilo Albert Ambrosio sobre o escravo Galanga, que realiza uma fuga do engenho ao cometer um crime. Mas afinal, quem seria Daniel Albert Ambrosio? Trata-se do verdadeiro nome do rapper. E qual o objetivo de assinar o conto com seu próprio nome ao invés do nome artístico? Isso soa como uma tentativa de esclarecer que tornar explícito o abismo de classes, o racismo, entre outras coisas, pode ser feito por qualquer um... Poderia ser o João, o José, a Maria.

A inconformidade diante da sociedade fica evidente em músicas como "Vida Longa" ("Infelizmente Bolsonaros não é tipo raro"); o cotidiano do cidadão de bem é retratado de forma impecável em "A Volta pra Casa", diante da insegurança e das condições de vida ("O dia inteiro dando duro / Uma volta cansativa, ainda desce bem no ponto mais escuro / A violência subindo de nível") ou até da insegurança daqueles que são pagos para ser a proteção para a sociedade ("A violência na cidade tem se espalhado / Se isola mais ainda quem tem um carro blindado / Andando com cuidado, os passos apertados / Receio de sofrer abuso de um homem fardado").

Não somente pelas letras, Rincon se destaca pela mistura consciente de sons entre o trap, afrobeat e samba, como em "Namoradeira" e "Meu Bloco". "A Noite É Nossa" se mostra muito influenciada pelo primeiro disco solo do Mano Brown, "Boogie Naipe".

O orgulho de sua cor em "A Coisa Tá Preta" inspira, além de seu refrão pegajoso. O mesmo se aplica a "Ostentação À Pobreza", que assim como "A Volta Pra Casa" retrata o sofrimento de uma massa que passa por dificuldades diariamente, mas que é ignorada e vive num abismo com relação a elite.

Se nos últimos anos a essência do rap nacional tinha se perdido, Rincon Sapiência é a luz no fim do túnel para a luta pela igualdade que nunca terá fim.






Tracklist
01. Intro
02. Crime Bárbaro
03. Vida Longa
04. A Volta Pra Casa
05. Meu Bloco
06. Moça Namoradeira
07. A Noite É Nossa
08. Amores Às Escuras
09. A Coisa Tá Preta
10. Benção
11. Galanga Livre
12. Ostentação À Pobreza
13. Ponta de Lança (Verso Livre)






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12/07/2017

A ascensão meteórica do Fugees com "The Score"


Em meio ao auge do britpop com Oasis e Blur e o gangsta rap em evidência com 2pac, Notorious e Snoop Dogg, um trio despontou com um hip hop de uma sofisticação sem igual. Em 1996, o Fugees lançava "The Score".

Mais do que ser páreo duro para os artistas supracitados, Mrs. Lauryn Hill, Wyclef Jean e Pras Michel inovaram no gênero, sendo capazes de unir os mais variados estilos em cerca de uma hora de disco, contando com samples de nomes consagrados como Bob Marley (na releitura de "No Woman No Cry"), Roberta Flack ("Killing Me Softly With His Song"), The Temptations ("Zealots") e Afrika Bambataa ("The Score"). O formato de gravação lembra uma espécie de rádio, e a própria Lauryn Hill chegou a citar esse fato na época, recordando do clássico da opera rock "Tommy", do Who.

Em 1996, o Fugees vinha desacreditado após o fracasso de seu debut, "Blunted on Reality". Apesar disso, o trio recebeu um adiantamento para o lançamento de "The Score". Não deu outra! A confiança estabelecida fez surgir um clássico do gênero e dos anos 90.

O sotaque do haitiano Wyclef Jean em "How Many Mics", além dos versos ácidos de Lauryn Hill, como em "Ready or Not" ("So while you're imitating Al Capone / I'll be Nina Simone / And defecating on your microphone") deram um contraste como nunca se vira em qualquer grupo. O sucesso instantâneo "Killing Me Softly..." e a doçura na voz de Lauryn; a cadência de "Family Business" - com o violão sampleado de John Williams, vale lembrar; a reinterpretação de Mrs. Lauryn pra "Ooo La La La", de Teena Marie, é como se a líder do Fugees tivesse se empossado da música e a colocado em outro patamar.

Mais do que renovar o gênero ao condensar grandes sucessos e dar uma sonoridade diferente, o grupo foi capaz de, na faixa título, incluir samples de todas as outras músicas do próprio disco.

Fato é que "The Score" já nasceu clássico. É inegável seu sucesso e legado, ainda que não seja lembrado em todas as listas do gênero. A prova maior é que o disco, que foi a despedida do grupo, os catapultou para o sucesso, em especial Lauryn, que no ano seguinte alçou voos maiores em sua carreira solo, e Wyclef, que também iniciou carreira solo, mas estando desde então mais ativo como produtor.


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09/07/2017

As várias facetas de Criolo


Rápido e preciso. Em pouco mais de meia hora, Criolo foi capaz de mostrar que é possível se enveredar por outros caminhos sem se perder. Definitivamente "Espiral de Ilusão" é um dos grandes álbuns de 2017.

Composto de dez faixas de samba, o rapper - se assim se pode dizer nesse caso - usa de todos os elementos do gênero em grandes canções como "Menino Mimado", "Lá Vem Você" e "Filha do Maneco". Sagaz como sempre se pode ver, o cantor e compositor uniu a brasilidade do samba musicalmente falando com seu conhecimento de causa da periferia liricamente falando. Isso pode ser visto em "Cria de Favela", por exemplo: "Menino você não pode voltar / Porque a biqueira não é seu lugar / Quem vai lucrar com essa patifaria / É gente da alta na papelaria".

Não somente o talento de Criolo, mas a participação de grandes músicos foi fundamental no disco, como o coro feminino das Clarianas, além de Ricardo Rabelo no cavaco, responsável também pela composição de "Hora da Decisão" e "Filha do Maneco". A produção ficou por conta do renomado Daniel Ganjaman.

Fica a dúvida de quantas facetas pode haver do cantor, e até onde ele pode chegar, já que a qualidade é inegável, seja no rap ou samba.




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18/06/2017

David Bowie e a inspiração em "1984", de George Orwell


No início dos anos 70, David Bowie era um dos principais rockstars - senão o principal. Após a era Ziggy, com discos como "The Rise and Fall of Ziggy..." e "Alladin Sane", a ambição do músico permanecia alta. Era preciso algo inovador e impactante.

Após as gravações do álbum "Pin Ups", de 1973, veio a ideia de trabalhar em uma peça sobre o clássico da literatura "1984", de George Orwell, sendo os direitos prontamente negados pela viúva do escritor. Mas Bowie não estava contente. Após abandonar a personagem Ziggy, era necessário algo grandioso. Dessa forma, Bowie demitiu sua banda de apoio, os Spiders from Mars, e entrou de cabeça na produção de "Diamond Dogs", de 1974, com forte influência do livro de Orwell, mas com seu conceito associado a um mundo pós-apocalíptico. Nele, Bowie é Halloween Jack, líder da gangue Diamond Dogs.

Fica evidente, já pelo interlúdio "Future Legend", ao citar a fictícia cidade Hunger City e os peoploids que David mergulha totalmente no que ambienta a fantasia do disco. A faixa-título que sucede o interlúdio é uma bela apresentação de como se encontra o mundo. "This ain't Rock N' Roll. This is genocide", diz no início da faixa, o que denota o domínio das novas criaturas, os tais "Diamond Dogs".

A doçura de "Sweet Thing" (sem trocadilhos) através do piano de Mike Garson é notória, assim como a busca por companhia em meio ao caos em "Candidate". "Rebel Rebel", música de maior sucesso do álbum, revela uma personagem que quer se libertar, mas ainda vive das aparências, cada vez mais próxima de mostrar a verdade e se tornar livre. Seguindo a mesma linha, "Rock N' Roll With Me" varia por se tratar da busca por liberdade por alguém que o impulsione.

"We Are The Dead" é um total filme de terror, enquanto "1984" retrata bem o que é a obra de Orwell: a tentativa do Estado de alienar a sociedade. "Big Brother" é zombeteira, sendo uma crítica a um ser superior negligente.

Numa visão geral, "Diamond Dogs" não correspondeu a altura do que Bowie buscava, mas ainda assim tem o seu valor e vale o play! Não deixando de ser polêmico, Bowie anteriormente quis emplacar a capa abaixo, com a genitália a amostra, que foi obviamente censurada, saindo de circulação rapidamente.





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15/06/2017

Conheça o Wolf Alice



Entre a calmaria e a tempestade. Assim podemos definir os britânicos do Wolf Alice. Ao menos em seu debut, e até aqui seu único álbum, "My Love Is Cool", de 2015. A banda, capitaneada pela vocalista Ellie Rowsell, está na ativa desde 2010, quando ainda se tratava de um duo. As influências do grupo são incontáveis, passando por grupos alternativos dos anos 80 e 90.

Numa linha que beira entre o alternativo e o indie, o Wolf Alice sabe explorar a versatilidade vocal de sua frontwoman. Essa é, possivelmente, a maior qualidade do álbum. O contraste das faixas o torna mais atrativo, como ao comparar "Bros" e "Your Loves Whore" com "Giant Peach", que lembra o estilo vocal do grupo oitentista The Go-Go's. Em outras, como "You're A Germ", há um clima soturno até se desencadeia num som quase pop/punk.

Há também talvez o carro-chefe do álbum: "Silk" e seu clima também sombrio fazem parte da (ótima) trilha sonora do filme Trainspotting 2, o que prova a qualidade que os londrinos mostram ao serem reconhecidos em uma sequência de um dos clássicos do cinema alternativo.
O grupo irá lançar seu segundo álbum ainda em 2017, e tem tudo pra provar que a qualidade do primeiro disco não foi o único momento de inspiração.

Abaixo você pode conferir o debut do grupo e a nova música "Yuk Foo", que fará parte do segundo disco, "Visions of a Life", a ser lançado em 29 de setembro desse ano.


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04/06/2017

Da misoginia ao budismo: a evolução dos Beastie Boys

Encontro de MCA com Dalai Lama
1994: Os Beastie Boys estouravam nas paradas com o disco "Ill Communication. No seu disco de maior sucesso, o grupo - e principalmente MCA - surgiu com letras incomparavelmente mais elaboradas, além de mostrar que estavam com os pés fincados numa evolução espiritual baseada no budismo. Além do sucesso comercial a partir de canções como "Sabotage", "Root Down" e "Sure Shot", o trio deixou claro em canções como "Shambala" e "Bodhisattva Vow" sua busca por evolução. Basta observar a letra de "Bodhisattva Vow": "As I develop the awakening mind I praise the buddhas as they shine / I bow before you as I travel my path to join your ranks / I make my full time task / For the sake of all beings I seek / The enlightened mind that I know I'll reap /  Respect to Shantidiva and all the others / Who brought down the dharma for sisters and brothers / I give thanks for this world as a place to learn / And for this human body that I'm glad to have earned" ("Enquanto desenvolvo o despertar da mente louvo a Buda enquanto eles brilham / Me curvo diante de ti enquanto viajo para o meu destino para me juntar a sua classe / Faço meu dever o tempo todo / Pelo bem de todos os seres que procuro / A mente iluminada que sei que colherei / Respeito a Shantidiva e todos os outros / Que trouxeram o dharma para as irmãs e irmãos / Agradeço a esse mundo como um lugar para aprender / E por esse corpo que estou feliz por ter ganho").

Indo além, durante a década de 90, Adam participou de causas e projetos dos mais variados relacionados ao budismo, sendo o mais importante deles a participação no Lollapalooza '94, onde o grupo defendeu a independência do Tibet em relação a China, algum tempo depois realizando seu próprio festival para tal causa, no qual houve performances em várias cidades, como San Francisco, NY, Washington, e até fora dos EUA, como em Tokyo, Sydney e Amsterdam.

Mas nem sempre foi assim. Em meados da década de 80, ainda no início do grupo e com uma sonoridade bem distante da qual ficaram famosos mundialmente, o punk, o trio expôs ideias no mínimo conservadoras e misóginas.

Em 1986 lançaram seu debut, "Licensed to Ill", que estourou nas paradas. O nome poderia ser outro completamente diferente e polêmico. Anteriormente a ideia era que fosse intitulado "Don't Be A Faggot" ("Não seja uma bicha", em tradução literal). Essa possibilidade acabou por revelar o preconceito que o grupo mostrava na época. Indo mais a fundo, na sexta faixa do debut, "Girls", um trecho revela um Beastie Boys misógino em alto e bom som: "Girls - to do the dishes / Girls - to clean up my room / Girls - to do the laundry / Girls - and in the bathroom / Girls - that's all I really want is girls / Two at a time - I want girls" ou "Garotas - para lavar as louças / Garotas - para limpar meu quarto / Garotas - para lavar as roupas / Garotas - e fazer no banheiro / Garotas - tudo que eu quero são garotas / Duas de uma vez - Eu quero garotas".

O tempo passa, e para nosso bem as pessoas evoluem - ou ao menos deveriam.

MCA morreu em 2012, de câncer de garganta. Uma perda irreparável para a música.



Abaixo, uma homenagem que se tornou anual para MCA.



Principal fonte: HuffPost Brasil

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01/06/2017

A trilha como um dos pilares de Breaking Bad


Que Breaking Bad é até hoje uma das séries mais aclamadas de todos os tempos, você já deve saber.

Para prestigiar o sucesso e o legado da produção de Vince Gilligan, um usuário do Spotify (@postersminimalistas) reuniu em uma playlist o que de melhor fez parte da trilha da série em suas cinco temporadas.

Em pouco mais de 2h, a playlist conta com canções de cenas marcantes da série, como a latina "Negro y Azul: Ballad of Heisenberg", do grupo Los Cuates de Sinaloa, que abre o sétimo episódio da segunda temporada, "Negro Y Azul"; "Out of Time Man", de Mick Harvey, que fecha o episódio piloto.

Conta também com a canção "Catch Yer Own Train", que fecha o primeiro episódio de impacto na trama; além da emblemática cena de Walter em seu carro ao som de "A Horse With No Name", do America (S03E02), e é claro, da música tema, com a trilha com Dave Porter como responsável.

Vale o play!





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