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04/10/2017

O surpreendente "Wonderful Wonderful", do Killers

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A discografia do Killers é marcada por altos e baixos. Basta ver como a banda surgiu pro mainstream com os sucessos do debut "Hot Fuss" e "Sam's Town". O último disco lançado até então, "Battle Born", foi uma decepção de público e crítica. Cinco anos depois, o grupo vem com um som renovado e diversificado, além de deixar claro as suas influências.

Reconhecidamente oitentista, Brandon Flowers e cia. souberam mesclar o pop e o eletrônico com abordagens diferentes. A faixa de abertura, e também faixa-título, consegue ser sombria como nunca se viu em qualquer música do Killers. "The Man" é a que mais representa a essência do disco. Claramente inspirada em "Fame" da lenda David Bowie, é a mais agitada e uma das melhores do disco.

"Rut" e "Life to Come" trazem as melhores melodias do disco, enquanto "Run for Cover" é a maior pérola do álbum, impulsionada pelo baixo de Mark Stoermer. A banda enriquece o conteúdo do álbum ao contar uma das maiores zebras da história do esporte em "Tyson vs Douglas". "Some Kind of Love" foi inspirada na esposa de Brandon Flowers, Tana, que passou por problemas psicológicos.

"Out of My Mind" é aquele synth-pop que sempre marcou a carreira da banda. Não se trata de "mais do mesmo" e pode-se dizer que tem seu valor. "The Calling" é, provavelmente, a única faixa que deixa a desejar, pouco cativante com seu groove. "Have All The Songs Been Written?", a faixa que encerra o disco, parece ter sido retirada diretamente de "Brothers In Arms", do Dire Straits, provando mais uma vez a veia oitentista que o álbum possui.

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19/08/2017

A infindável genialidade de Hans Zimmer


Após dar uma nova cara a trilogia Batman nos anos 2000, qualquer produção de Christopher Nolan é capaz de criar alta expectativa no público - Inception e Interstellar que o digam. A bola da vez em 2017 é Dunkirk. A hype foi tão grande que o resultado originou opiniões das mais distintas. Fato é que sua parceria de sempre com Hans Zimmer na trilha sonora é infalível. O compositor alemão nunca perde a mão, e em Dunkirk não foi diferente.

Se na sétima arte o filme e a trilha são co-dependentes, em Dunkirk, Hans é capaz de produzir uma trilha tão memorável que se torna independente. As composições são capazes de te ambientar com uma facilidade fora do comum, e te submergir dentro da Segunda Guerra, diante do caos e da falta de perspectiva de salvação. O desespero vem à tona.

A trilha é angustiante quando tem que ser, e suave mas não omissa quando é preciso, o que mostra um senso de Zimmer que é incomum para os outros compositores.

O filme em si já é uma experiência única, mas assistindo ou não, todo mundo deveria dar uma chance e ouvir a trilha oficial.Se ao ouví-la você não se sentir com a vida em risco e tendo que fugir em meio a bombardeios, provavelmente nada o fará sentir isso.



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06/08/2017

Rincon Sapiência: O resgate da essência do rap nacional

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Com uma longa estrada já percorrida, finalmente o rapper paulistano Rincon Sapiência, ou Manicongo, lançou em 2017 seu debut, após anos em vários grupos e singles lançados.

Em seu debut, Sapiência já mostra que veio pra ficar. Logo na faixa de abertura de "Galanga Livre", a intro que antecede "Crime Bárbaro", o rapper paulistano, em formato de rádio, esclarece o fato de o álbum ser baseado em um conto fictício de Danilo Albert Ambrosio sobre o escravo Galanga, que realiza uma fuga do engenho ao cometer um crime. Mas afinal, quem seria Daniel Albert Ambrosio? Trata-se do verdadeiro nome do rapper. E qual o objetivo de assinar o conto com seu próprio nome ao invés do nome artístico? Isso soa como uma tentativa de esclarecer que tornar explícito o abismo de classes, o racismo, entre outras coisas, pode ser feito por qualquer um... Poderia ser o João, o José, a Maria.

A inconformidade diante da sociedade fica evidente em músicas como "Vida Longa" ("Infelizmente Bolsonaros não é tipo raro"); o cotidiano do cidadão de bem é retratado de forma impecável em "A Volta pra Casa", diante da insegurança e das condições de vida ("O dia inteiro dando duro / Uma volta cansativa, ainda desce bem no ponto mais escuro / A violência subindo de nível") ou até da insegurança daqueles que são pagos para ser a proteção para a sociedade ("A violência na cidade tem se espalhado / Se isola mais ainda quem tem um carro blindado / Andando com cuidado, os passos apertados / Receio de sofrer abuso de um homem fardado").

Não somente pelas letras, Rincon se destaca pela mistura consciente de sons entre o trap, afrobeat e samba, como em "Namoradeira" e "Meu Bloco". "A Noite É Nossa" se mostra muito influenciada pelo primeiro disco solo do Mano Brown, "Boogie Naipe".

O orgulho de sua cor em "A Coisa Tá Preta" inspira, além de seu refrão pegajoso. O mesmo se aplica a "Ostentação À Pobreza", que assim como "A Volta Pra Casa" retrata o sofrimento de uma massa que passa por dificuldades diariamente, mas que é ignorada e vive num abismo com relação a elite.

Se nos últimos anos a essência do rap nacional tinha se perdido, Rincon Sapiência é a luz no fim do túnel para a luta pela igualdade que nunca terá fim.






Tracklist
01. Intro
02. Crime Bárbaro
03. Vida Longa
04. A Volta Pra Casa
05. Meu Bloco
06. Moça Namoradeira
07. A Noite É Nossa
08. Amores Às Escuras
09. A Coisa Tá Preta
10. Benção
11. Galanga Livre
12. Ostentação À Pobreza
13. Ponta de Lança (Verso Livre)






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12/07/2017

A ascensão meteórica do Fugees com "The Score"


Em meio ao auge do britpop com Oasis e Blur e o gangsta rap em evidência com 2pac, Notorious e Snoop Dogg, um trio despontou com um hip hop de uma sofisticação sem igual. Em 1996, o Fugees lançava "The Score".

Mais do que ser páreo duro para os artistas supracitados, Mrs. Lauryn Hill, Wyclef Jean e Pras Michel inovaram no gênero, sendo capazes de unir os mais variados estilos em cerca de uma hora de disco, contando com samples de nomes consagrados como Bob Marley (na releitura de "No Woman No Cry"), Roberta Flack ("Killing Me Softly With His Song"), The Temptations ("Zealots") e Afrika Bambataa ("The Score"). O formato de gravação lembra uma espécie de rádio, e a própria Lauryn Hill chegou a citar esse fato na época, recordando do clássico da opera rock "Tommy", do Who.

Em 1996, o Fugees vinha desacreditado após o fracasso de seu debut, "Blunted on Reality". Apesar disso, o trio recebeu um adiantamento para o lançamento de "The Score". Não deu outra! A confiança estabelecida fez surgir um clássico do gênero e dos anos 90.

O sotaque do haitiano Wyclef Jean em "How Many Mics", além dos versos ácidos de Lauryn Hill, como em "Ready or Not" ("So while you're imitating Al Capone / I'll be Nina Simone / And defecating on your microphone") deram um contraste como nunca se vira em qualquer grupo. O sucesso instantâneo "Killing Me Softly..." e a doçura na voz de Lauryn; a cadência de "Family Business" - com o violão sampleado de John Williams, vale lembrar; a reinterpretação de Mrs. Lauryn pra "Ooo La La La", de Teena Marie, é como se a líder do Fugees tivesse se empossado da música e a colocado em outro patamar.

Mais do que renovar o gênero ao condensar grandes sucessos e dar uma sonoridade diferente, o grupo foi capaz de, na faixa título, incluir samples de todas as outras músicas do próprio disco.

Fato é que "The Score" já nasceu clássico. É inegável seu sucesso e legado, ainda que não seja lembrado em todas as listas do gênero. A prova maior é que o disco, que foi a despedida do grupo, os catapultou para o sucesso, em especial Lauryn, que no ano seguinte alçou voos maiores em sua carreira solo, e Wyclef, que também iniciou carreira solo, mas estando desde então mais ativo como produtor.


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09/07/2017

As várias facetas de Criolo


Rápido e preciso. Em pouco mais de meia hora, Criolo foi capaz de mostrar que é possível se enveredar por outros caminhos sem se perder. Definitivamente "Espiral de Ilusão" é um dos grandes álbuns de 2017.

Composto de dez faixas de samba, o rapper - se assim se pode dizer nesse caso - usa de todos os elementos do gênero em grandes canções como "Menino Mimado", "Lá Vem Você" e "Filha do Maneco". Sagaz como sempre se pode ver, o cantor e compositor uniu a brasilidade do samba musicalmente falando com seu conhecimento de causa da periferia liricamente falando. Isso pode ser visto em "Cria de Favela", por exemplo: "Menino você não pode voltar / Porque a biqueira não é seu lugar / Quem vai lucrar com essa patifaria / É gente da alta na papelaria".

Não somente o talento de Criolo, mas a participação de grandes músicos foi fundamental no disco, como o coro feminino das Clarianas, além de Ricardo Rabelo no cavaco, responsável também pela composição de "Hora da Decisão" e "Filha do Maneco". A produção ficou por conta do renomado Daniel Ganjaman.

Fica a dúvida de quantas facetas pode haver do cantor, e até onde ele pode chegar, já que a qualidade é inegável, seja no rap ou samba.




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18/06/2017

David Bowie e a inspiração em "1984", de George Orwell


No início dos anos 70, David Bowie era um dos principais rockstars - senão o principal. Após a era Ziggy, com discos como "The Rise and Fall of Ziggy..." e "Alladin Sane", a ambição do músico permanecia alta. Era preciso algo inovador e impactante.

Após as gravações do álbum "Pin Ups", de 1973, veio a ideia de trabalhar em uma peça sobre o clássico da literatura "1984", de George Orwell, sendo os direitos prontamente negados pela viúva do escritor. Mas Bowie não estava contente. Após abandonar a personagem Ziggy, era necessário algo grandioso. Dessa forma, Bowie demitiu sua banda de apoio, os Spiders from Mars, e entrou de cabeça na produção de "Diamond Dogs", de 1974, com forte influência do livro de Orwell, mas com seu conceito associado a um mundo pós-apocalíptico. Nele, Bowie é Halloween Jack, líder da gangue Diamond Dogs.

Fica evidente, já pelo interlúdio "Future Legend", ao citar a fictícia cidade Hunger City e os peoploids que David mergulha totalmente no que ambienta a fantasia do disco. A faixa-título que sucede o interlúdio é uma bela apresentação de como se encontra o mundo. "This ain't Rock N' Roll. This is genocide", diz no início da faixa, o que denota o domínio das novas criaturas, os tais "Diamond Dogs".

A doçura de "Sweet Thing" (sem trocadilhos) através do piano de Mike Garson é notória, assim como a busca por companhia em meio ao caos em "Candidate". "Rebel Rebel", música de maior sucesso do álbum, revela uma personagem que quer se libertar, mas ainda vive das aparências, cada vez mais próxima de mostrar a verdade e se tornar livre. Seguindo a mesma linha, "Rock N' Roll With Me" varia por se tratar da busca por liberdade por alguém que o impulsione.

"We Are The Dead" é um total filme de terror, enquanto "1984" retrata bem o que é a obra de Orwell: a tentativa do Estado de alienar a sociedade. "Big Brother" é zombeteira, sendo uma crítica a um ser superior negligente.

Numa visão geral, "Diamond Dogs" não correspondeu a altura do que Bowie buscava, mas ainda assim tem o seu valor e vale o play! Não deixando de ser polêmico, Bowie anteriormente quis emplacar a capa abaixo, com a genitália a amostra, que foi obviamente censurada, saindo de circulação rapidamente.





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15/06/2017

Conheça o Wolf Alice



Entre a calmaria e a tempestade. Assim podemos definir os britânicos do Wolf Alice. Ao menos em seu debut, e até aqui seu único álbum, "My Love Is Cool", de 2015. A banda, capitaneada pela vocalista Ellie Rowsell, está na ativa desde 2010, quando ainda se tratava de um duo. As influências do grupo são incontáveis, passando por grupos alternativos dos anos 80 e 90.

Numa linha que beira entre o alternativo e o indie, o Wolf Alice sabe explorar a versatilidade vocal de sua frontwoman. Essa é, possivelmente, a maior qualidade do álbum. O contraste das faixas o torna mais atrativo, como ao comparar "Bros" e "Your Loves Whore" com "Giant Peach", que lembra o estilo vocal do grupo oitentista The Go-Go's. Em outras, como "You're A Germ", há um clima soturno até se desencadeia num som quase pop/punk.

Há também talvez o carro-chefe do álbum: "Silk" e seu clima também sombrio fazem parte da (ótima) trilha sonora do filme Trainspotting 2, o que prova a qualidade que os londrinos mostram ao serem reconhecidos em uma sequência de um dos clássicos do cinema alternativo.
O grupo irá lançar seu segundo álbum ainda em 2017, e tem tudo pra provar que a qualidade do primeiro disco não foi o único momento de inspiração.

Abaixo você pode conferir o debut do grupo e a nova música "Yuk Foo", que fará parte do segundo disco, "Visions of a Life", a ser lançado em 29 de setembro desse ano.


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